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Estou certo de que “FÉ” é a primeira sílaba de FElicidade!

Estou certo que a fé é a primeira sílaba de FElicidade. Sei que é pretensioso e prepotente, julgar-me capaz de tentar definir felicidade, mas quando no passado, a luz dissipou as névoas de meu sofrimento, acreditei que meu depoimento poderia mostrar que existe vida, além da grande caverna, algumas vezes escura, que é a Terra.


Tento, em vão, concretizar um quadro de Deus, para tocar a sensibilidade que transforma, mas estou certo que minha arte por vezes é contemporânea demais, para o classicismo acelerado da rotina e meu talento é restrito demais para descrever o infinito, que na falta de expressão maior denominado unicamente de AMOR.

A vida é regida por AMOR e talvez aí, esteja a aparente contradição! Como Deus pode ser amor, se vemos tanta dor?

Porque enquanto sementes, a nossa dura casca nos aprisiona nas dificuldades que enfrentamos para com algum esforço romper nossos limites e germinar. É como o amor de um escultor pela sua obra, cujo martelo bate com força sobre a rigidez da pedra, para que uma delicada forma se apresente. A areia é jogada no fogo para sair um lindo cálice de vidro. As cordas são esticadas e a madeira encurvada para que se transforme em um instrumento musical.


Mas como compreender a obra antes de vê-la pronta? Um croqui seria apenas um rabisco?

A nossa vida ainda é este rabisco, manchado e confuso, que só a eternidade será capaz de delinear e dar forma. Você diria ao ver inúmeros rabiscos disformes espalhados na mesa de um pintor, que ele é injusto e não há lógica em nada que ele faz, por não ser capaz de idealizar a sua obra finalizada?


Acusaria um escultor de maltratar uma pedra ou uma árvore por não conceber que uma forma mais bela possa resultar desses elementos? Se você aceita o que não compreende em um artista, porque não poderia aceitar o que não compreende de Deus? Vou mais além, se cercamos um filho por proteção e amor, correndo o risco de sermos chamados de injustos pela incompreensão dos mesmos, porque não nos colocamos na posição de filhos que sem entender a correção, questiona a experiência de seu pai?

A nossa dor é o parto do amor, adormecido no útero de nosso pensamento. Por 9 meses, a mulher empresta seu corpo e aceita deformá-lo. Suporta o peso e as oscilações hormonais, pensando unicamente no ser que não vê, mas idealiza existir dentro de si.

Permite ser cortada por uma faca, isso quando a mulher não opta pela dilatação natural que a dilacera, mas quando vê um filho vindo a luz, esquece a sua dor e suspira de amor!

Seus olhos que lacrimejavam pelo esforço, derramam rios de emoção e felicidade, ou pura fé, por ter sido abençoada com tamanha riqueza que chama de filhos!

A criança também chora diante do ar, que adentrou seu pulmão pela primeira vez e o tapa que recebeu consagrando sua vida, mas foi logo acalmada e pacificada pelos braços maternais.

Assim é a vida e também a morte. Nem tudo pode ser determinado pelo que vemos aparentemente. Porque tudo está se transformando o tempo todo. O fato de não ver, não assegura que não exista. E o fato de existir, não nos assegura a imediata compreensão. Se ainda somos incapazes de entender a matemática escolar, nos resta aceitá-la e exercitar, pois as provas virão ainda que não entendamos ou gostemos da matéria.

E é na pobreza de minhas palavras, que tento ensejar um pouco de refrigério aqueles que sofrem. Seus familiares, antes de assumirem papéis em suas vidas, são espíritos imortais. Eles já existiam, antes da sua concepção. E eles continuarão a existir até que possa reencontrá-los.

Os laços que os unem não são os de sangue, que asseguram a vida de nossos corpos. Os laços que os unem foram, são e serão sempre, os laços de amor!

Não busco silenciar a tristeza legítima, nem as lágrimas saudosas, mas antes de tudo, canalizar e conduzi-las pelo rosto, até os lábios, para que no amanhã, o mar da esperança, permita o nascer do sorriso.





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