Amor-PróprioO SegredoReflexão

Estou sozinho, e agora?

O que aprendi vivendo comigo mesmo.



Nós seres humanos somos seres sociais.  Ontem, curiosamente, assisti a um video sobre um livro que versa sobre a sexualidade humana (Sex at Dawn). Nunca tinha sido informado sobre esse dado, mas primatas menos evoluídos se relacionam sexualmente em media de 10 a 15 vezes durante todo o seu ciclo de vida. No entanto, quanto maior o grau de inteligência do indivíduo, maior o número de relações.

Humanos tem em média de 800 a 1000 relações sexuais durante seu ciclo reprodutivo. Outros animais que fazem parte desta estatística com números menores mais ainda acima da média, incluem os chimpanzés e os golfinhos. São espécies que vivem em comunidades sociais complexas, e desta forma se relacionam de forma intensa entre si. Podemos então concluir que os relacionamentos são importantes para nós e também, que mais do que qualquer outro animal, nos conectamos profundamente com outros semelhantes.

Mas existem horas em que esse contato na verdade se torna um excesso de estímulo. E é preciso parar um pouco. A mente racional e emocional necessita dessa conexão. Porém algumas pessoas terminam por colocar-se em uma busca de satisfazer estes anseios instintivos buscando frequentemente alguém que possa lhe preencher aquele vazio que parece não ter solução quando se está apenas consigo mesmo.  Acho esta uma visão bastante simplista e que coloca nas mãos de outrem algo que deve ser de responsabilidade 100% nossa.


Por mais que conheçamos e nos aconcheguemos na presença do outro não há ninguém mais importante do que você mesmo. O que eu aprendi vivendo sozinho nos últimos anos foi isso. Que o mais importante é que você se de conta de seu próprio valor e de como conscientemente você tem o poder de escolher seu destino e em consequência molda-lo na direção de sua autorrealização. Criar uma atitude sólida com relação a si mesmo não é fácil. Mudanças, sejam elas quais forem são sempre desafiadoras, principalmente quando você decide que ira fazê-las por você, e sem que seja vital a presença de outras pessoas.  E para ser franco por diversas vezes achei que não ia dar conta de resolver isso sozinho. Que ia ter que me apoiar em alguém pois minha determinação não era suficiente para preencher os requisitos rumo ao sucesso desta jornada. Estava enganado.

Diz-se que a dor e o sofrimento são inevitáveis nessa vida. Hoje entendo que além de serem inevitáveis, podem ser na verdade sua maior oportunidade de crescimento. Quando você aprende que pode e que tem condições de seguir por você mesmo, a coisa começa a fluir naturalmente. Seu fluxo energético se aguça, suas decisões são acertadas, suas amizades se tornam mais profundas e verdadeiras, e curiosamente você acaba espantando aqueles que não te fazem bem. Mas antes de chegar nesse ponto em que você esteja se relacionando de uma maneira plena e saudável com as pessoas, você precisa primeiro, antes de tudo, se relacionar bem consigo mesmo. Criar um senso de autoconhecimento que te permita viver sem ninguém por necessidade.

Devemos sim nos relacionar, e trocar experiências com outras pessoas, mas apenas quando o que move esse contato não é a dependência, o interesse ou a insegurança. Precisa ser de verdade, mas não uma história de final garantidamente feliz. Precisa ser livre, leve.  Precisa se basear no seu auto-valor, que irá se refletir nos outros e então, e só então você pode dizer que se livrou da necessidade de alguém, e passar a escolher quem vai seguir com você sem que haja obrigatoriedades a serem cumpridas.

Curta voce mesmo. A vida não é só feita de momentos em que você divide sua energia com outros. É tambem de momentos em que você pode dividir a vida consigo mesmo somente e ainda assim sentir que está pleno, completo e em equilíbrio. Mas como qualquer aprendizado, é preciso se dar a chance de tentar para poder de fato dizer se existe ou não a possibilidade de essa escolha ser aproveitada em beneficio próprio. Torne-se a melhor versão de si mesmo. E certamente você estará abrindo as portas para trazer pessoas que vão dividir com você e te fazer feliz, sem que isso se torne uma prisão para si mesmo. Relacione-se primeiro com você, para em seguida poder abrir as portas para outros entrarem.


Estar sozinho não é estar solitário, para quem tem discernimento para concluir que o velho ditado “conhece-te a ti mesmo” faz todo sentido, e que apenas aqueles que de fato puderem se conhecer verdadeiramente, poderão estar preparados para não serem mais sozinhos, mas para se tornarem indivíduos únicos que se unem a outro seres inteiros.

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