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Ética x empatia – colocar-se no lugar do próximo: a essência da boa convivência!

Ética x Empatia: Qual é a essência para a boa convivência?

Atribuir os problemas de convivência em sociedade ao excesso ou falta de um comportamento é uma tarefa dedutiva que venho fazendo a um bom tempo. A primeira vítima foi a ética com foco no valor de respeito, o qual reconheci como a “essência da boa convivência“, dedução que chegou a render uma dissertação bem reflexiva intitulada “Os dois pilares de uma polêmica: Opinião e Respeito“, a qual guardo como objeto de análise. Uma segunda vítima não tão óbvia e esquecida pela educação básica se mostrou mais coesa ao título de “essência da boa convivência“, e por possuir características sentimentais, ela se torna um objeto de prioridade no psiquismo humano.



Refiro-me à empatia.

Enquanto a educação escolar se preocupa em nos mostrar logo no início de nossa vida o conceito de ética e moral¹, a sociedade – de forma geral – necessita de atenção a uma questão bem mais afetiva, cognitiva e emocional.

empatia põe em condição de avaliação os valores morais e éticos, indicando que pela ordem dos fatores, ela deveria ser um objeto de estudo bem antes da moral e da ética, pois ética e avaliação moral são resultados do exercício dela. Inclusive, o conceito de ética foi construído através da empatia, e a prova disso se dá quando lembramos que a ética deve ser estabelecida de forma recíproca e pensando em um bem coletivo.

Aliás, como estabelecer valores para uma sociedade sem compreender o estado psíquico de seus indivíduos? Como avaliar a sua moral sem antes ter posto ela em prova ou ter sido vítima de uma dissonância cognitiva? Fatos que só a atitude de ser empático nos dá o caminho para examinar.



Colocar-se no lugar do próximo

Ser empático (praticar a empatia) é a capacidade de alterar a sua percepção habitual de um indivíduo, para uma percepção emocional. É o mesmo que estar no estado que outro indivíduo se encontra: Sentir o que ele sente e viver como ele vive. Compreender e ir até o fim da estrada exercendo o companheirismo. Uma atitude emocional “forçada” – por não ser uma atitude natural – que depende de muita reflexão e racionalidade. Atitude que normalmente é atropelada pela corrida do dia a dia direcionada exclusivamente a fazer o necessário para conquistar os objetivos pessoais, deixando de lado a faculdade de ser empático.

Se a empatia fosse um instinto, a sociedade atual estaria em um grau de relacionamento totalmente diferente: do relacionamento amoroso até o relacionamento com pessoas desconhecidas, em risco social e/ou em conflito com a lei. Na verdade, tentar ter para si os fenômenos psíquicos do próximo – característica da telepatia – não é a tarefa mais fácil, exige esforço e vontade, exige dar asas  ao instinto do saber (curiosidade) e tentar chegar o mais próximo do atual estado psíquico do outro². Suponho que a maior dificuldade seja pelo fato de termos um próprio estado psíquico cheio de fenômenos para zelar. Esta dificuldade juntamente ao egoísmo e a ganância, que julgo afastar da atual cultura brasileira o comportamento de ser empático.


Todo bom burguês possui um bom vendedor

Algumas profissões, como as que mantêm relacionamento direto com clientes, são exclusivamente treinadas para exercer a empatia – de uma forma mais pró ativa – em seu trabalho. Pois, para fazer um bom atendimento é necessário que o profissional saiba compreender a visão do cliente, o que o mesmo deseja e – em situações mais complicadas – possa ajudar de maneira eficaz e sem estresse.  Um investimento que é feito pelas empresas, a fim de manter a excelência no atendimento.


Um erro ocorre quando no mercado de trabalho a empatia é entendida como uma ação específica do relacionamento entre cliente e funcionário. Deixando de lado a importância da empatia no relacionamento entre os próprios funcionários, fato que inclusive atrapalha a construção de uma sinergia – objeto essencial no trabalho em equipe – que obviamente necessita da empatia não só no ambiente de trabalho, mas também fora dele.


A interferência moral

No ambiente familiar, o exercício da empatia desconstrói um dos fenômenos da superproteção. Onde a interferência dos familiares (não somente os pais) na moral e nas escolhas de vida dos filhos, se dá justamente por não compreender os objetivos pessoais deles e por achar que o melhor será seguir o caminho que os mais experientes recomendam. Atitude que influencia diretamente na personalidade dos filhos, já que este pode crescer como uma pessoa dependente e “mimada”, o que no futuro pode resultar em possíveis rebeldias e delinquências.


A essência da boa convivência

A empatia possui uma utilidade produtiva na vida particular de cada um, porém em alguns momentos ela será até atormentadora, já que pôr-se no lugar de alguém em péssimas condições psíquicas não é uma experiência agradável, mas, extremamente necessária para compreender a vida em sociedade, evitar o preconceito e possíveis delitos desnecessários. Por esse motivo, a empatia deve ser entendida como uma atitude vivida em conjunto –  entre o indivíduo e o empático –  de forma a “passar por cima” dos problemas juntos.

Se a educação, o mercado de trabalho e a base familiar não nos ensinarem o conceito de empatia, a própria vida nos forçará a exercê-la, sem conhecer. O que hoje damos nome, antes era apenas um comportamento sentimental de compreender as emoções e problemas do próximo, a fim de se obter uma boa convivência e uma felicidade comum. Afirmação que dissipa a cultura atual de se “prender” a conceitos pré-estabelecidos e evidencia que a ética e seus valores têm que ser um efeito da boa convivência e não a sua causa, já que o papel de causa deve ser exercido pela empatia: A essência da boa convivência.


NOTA 1: Acredito que o foco da educação na ética seja dado pelo fato dela ser tratada como uma disciplina da filosofia obrigatória para a construção educacional, diferente da empatia, que é associada a ideia de um comportamento afetivo e emocional. O que não caracteriza um erro, mas sim um descuido da educação que forma o futuro da sociedade brasileira.

NOTA 2: A empatia possui características parecidas com a “Teoria da mente” , o que pode resultar em possíveis confusões e dificuldades em distinguir a diferença entre elas.

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Direitos autorais da imagem de capa: weerapat / 123RF Imagens

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