Eu descobri que algumas coisas voltam…



Eu descobri que algumas coisas voltam…

Voltam e tentam nos incomodar. Voltam para testar o nosso nível de saudade e paciência. Para saber se sobrevivemos depois de todo aquele caos que nos causaram. Se não enlouquecemos, se ainda mantemos o mesmo ar de antes. Se nos tornamos mais importantes para alguém.

E voltam não por voltar. Voltam para mostrar que estão por perto, que querem saber de nossos passos, de como vamos levando a vida, e se conseguimos resgatar muito de nós mesmos depois de termos perdido a referência existencial, se conseguimos dar continuidade ao que foi quebrado no meio do caminho.

Acho incrível a capacidade de certas pessoas de destruírem nossos sonhos e depois irem sem mandar notícias. Irem sem querer saber se ficamos bem ou se precisamos ouvir novamente que somos fortes e que conseguiremos reagir e nos superar como quem se cura de um amor em estado terminal.

Eu descobri que o tempo passa, mas certas coisas ele não leva, porque tem gente que faz questão de rondar nosso coração, só pra ver se ainda há algum resquício de anormalidade. Se ainda mantemos as mesmas características de um tempo que foi.

Eu descobri que sentimentos baratos não duram, sentimentos inteiros também se partem e que ao mesmo tempo em que estamos pisando em solo seguro, estamos dando voltas dentro de nós mesmos, tentando entender o porquê da vida nos dar tantas rasteiras.

É preciso fechar a porta e não deixar a fresta aberta para essa gente que só sugou nossa energia, que usou da nossa condição sincera de achar que tudo estava indo realmente bem.

Mesmo nos dividindo mesmo mostrando a capacidade de amar, acabamos lesando-nos, individualmente. Acabamos compactuando com aquele ritual de que o para sempre já não existe mais.

E quando nos enchemos de coragem e decidimos acordar para a vida e seguir em frente, temos em mente que o caminho, por vezes, parece muito diferente daquele que um dia decidimos viver.



E o passado ronda, e a gente tem que fazer vista grossa, e mostrar que aquilo que morreu, resgatou novamente a nossa dignidade do sentir.

E aí a gente não precisa provar nada. Porque quem se ama, garante a si mesmo e não leva adiante aquilo que foi lacrado dentro da alma.

O passado ronda e a gente se apronta para o presente que, com certeza, tem mais chance de dar certo, que um tempo de falsas promessas e vazios.

A nossa força vem do que não queremos mais para nós mesmos e que já foi faz tempo. Melhor assim.

Sil Guidorizzi

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Direitos autorais da imagem de capa: ammentorp / 123RF Imagens






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