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Eu era feliz e sabia, sim!

O problema é que eu só percebi depois que você foi embora. Que novidade, não é mesmo?



Foi experimentando a vida com outras pessoas que percebi como ela era mais gostosa com você. Eu não me culpo, porém, de lembrar que terminamos. Por algum motivo, nós não estávamos mais funcionando e aí a solução foi cada um partir para um lado. Mas eu era feliz e sabia, sim.

Essa é uma sensação estranha, um negócio bem esquisito mesmo.

Eu abri mão de algo de que gostava de viver para me aventurar naquilo que eu não sabia como ia acontecer. É confuso até explicar, mas é curioso pensar.


Vai ver eu me influenciei por aquele pensamento de “tá tudo bem e o problema é ficar tudo bem demais”. É um treco muito louco isso. Como é que estar tudo bem pode se transformar em algo ruim? É preciso viver um inferno para ser gostoso? Ou melhor, é preciso viver semanas boas com dias ruins para que o mês seja bom? Eu não sei de onde tiraram essa ideia, mas admito que talvez eu tenha me perdido nesse pensamento.

Mas existe o outro lado também: essa frase aí pode ser traduzida no sentimento de quando as coisas não evoluem e tudo vira um grande e sonolento “mais do mesmo”. Vendo por esse lado, até que faz sentido para mim lembrar de nós, acho que eu me acostumei com o que vivíamos. O problema é que nem eu fazia nada para mudar, nem você, nem eu lhe dizia que algo precisava ser mudado, logo, como eu poderia esperar mudanças nossas? Que nó.

O gosto do arrependimento

Arrependimento tem um gosto tão amargo, pior do que esse amargo é só o do orgulho, mas desse mal eu não sofro, pois admito que eu era feliz com você e sabia disso. Na verdade, eu comecei a entender isso melhor depois que tentei ser feliz com outras pessoas. Sem querer – sério –, sem querer e quase automaticamente eu me vi procurando você em outras pessoas.

Você era minha referência de carinho e eu não esperava nada menos que isso, pena que a minha inquietude de sentimento – se é que posso chamar assim – não valorizou o bastante todo o bastante que você foi para mim. Ou sei lá também, meu coração só quis mudar de rota e procurar outras batidas para sincronizar.


O amor é uma procura incerta cheia de certeza do que já foi amor.

Você nivelou para mais o que eu chamo de pessoa ideal para mim, e é terrivelmente desastroso eu só me dar conta disso agora que não está mais aqui. Acho que a lição do valor era uma que eu precisava aprender de novo.

Eu era feliz e sabia, sim. Você fazia tudo por mim. Tinha seus defeitos, é bem verdade, mas sua melhor qualidade era saber lidar com os meus defeitos. Perto de você, eu conseguia me sentir em paz, pois eu sabia que mal você não me faria. E me dá vontade de chorar aqui enumerando tudo de bom que você era para mim. Sinto vontade de chorar também em pensar que outra pessoa pode estar no meu lugar agora, sendo feita feliz por você – e o choro aqui é de raiva de mim.

Eu era tão feliz, eu sabia que eu era, mas eu não conseguia ver. Eu queria buscar outras felicidades e outros arrepios, como se os causados por você não me bastassem mais, e o que encontrei até aqui foram só tentativas, sem final feliz, enquanto com você eu era feliz. E sabia.

Talvez não tanto como eu queria. Talvez sim. Talvez não. Acho que sim. Ou não.

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF Imagens.

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