EU ERA SÓ AMADOR. AGORA, EU SOU AMADO!

É bem óbvio o que eu vou dizer agora, mas, às vezes, o óbvio parece que nos escapa pelos dedos. Daí a importância de citá-lo: Você não vai encontrar amor próprio em outra pessoa. Ponto.

Esta frase, por si só, seria um bom alimento psicoemocional para processar durante o dia inteiro, ou, quem sabe, a semana inteira, o mês inteiro… A vida inteira. “O amor próprio só pode ser encontrado em si mesmo.”. Mas vamos mais adiante.

Ainda que apenas mentalmente, experimente fazer uma lista das coisas que você mais ama na vida. Pode ser pessoas, lugares, músicas, filmes e séries, comida… Quantas coisas/pessoas/momentos você ama? Quantas coisas/pessoas/momentos te fazem bem? Se você não for capaz de listar (ao menos) cinco amores, está (mais do que) na hora de parar tudo e começar a fazer esta lista. Inicialmente por dois motivos: 1. Você precisa fazer mais destas coisas! A vida é muito curta para viver sem e ou longe delas. Conheça-as, escreva-as em um lugar visível, e comece a cultivá-las, persegui-las, multiplicá-las. O segundo motivo é, na verdade, mais uma pergunta do que um motivo – eu espero que você se sinta confortável em ser sincero consigo mesmo ao respondê-la: em qual posição desta lista (top 5) você está? Se não estiver: quantas posições seriam necessárias para que você (enfim) estivesse nela?

eu-era-foto-01

No momento em que escrevo este texto, eu produzi uma situação que nos servirá de analogia para entender melhor este conceito. Há um terreno abandonado no outro lado da rua; nele, nós (moradores) fizemos uma espécie de jardim. Não chove aqui há não-tenho-ideia-de-quanto-tempo. O céu está tingido de tons cinzentos, as nuvens, gritam, sedentas pelo chão. E ainda assim, eu enchi meu balde, e fui regar as plantas.

Algumas coisas podem acontecer: eu regar e chover, eu regar e não chover, eu não regar e chover, e, por fim, eu não regar e não chover.

O amor já foi comparado à jardinagem inúmeras vezes. Se você ama, cuida. Cuide do jardim e as borboletas virão. Não sou flor que se cheire, sou flor que se cuida, que se rega, que se aprecia… Amor e cuidado são conceitos que estão sempre se cruzando nos textos, palestras e músicas. Então, faça uma nota mental sobre elas: amor e cuidado.

Dentro da nossa analogia, vamos tentar entender o “regar” como “amar a si” e o “chover” como “ser amado por outrem”.

O que você pode pensar, ainda que inconscientemente, é mais ou menos assim:

(Vivendo num mundo com bilhões de pessoas, parece ser muito provável que pelo menos uma pessoa me ame. Se alguém me amará, isto é, se vou receber amor, por que não posso ser “amador” – no sentido de amar outras pessoas –? E ainda, há a possibilidade de eu ser amado por mim mesmo. Se eu o fizer…) Algumas coisas podem acontecer: eu me amar e ser amado por outras pessoas, eu me amar e não ser amado por outras pessoas, eu não me amar e ser amado por outras pessoas, e, por fim, eu não me amar e não ser amado por outras pessoas.

O risco que eu corro em não regar as plantas, depositando todas as minhas chances e esperanças na chuva, é de não chover e as plantas morrerem. Perderei um trabalho de três anos de duração, o dinheiro investido, a beleza, as sombras, os frutos, o alimento das abelhas… Perderei a vida. É muita coisa em jogo para depender dos outros (no caso, da chuva)!

O risco que você corre em não amar a si, depositando todas as suas chances e esperanças nos outros, é de ninguém te amar e você se tornar uma pessoa triste, desvalorizada, desmotivada, com baixa auto-estima… Concorda que é muita coisa em jogo? Que é muito arriscado depender dos outros?

eu-era-foto-de-capa-e-foto-02

Sem este amor (próprio), aliás, você não sonha coisas grandes, você não almeja as melhores coisas da vida, pois não se valoriza, não se considera merecedor daquilo. E então, aceita e se acomoda com a vida mais-ou-menos. Viva ne base do “eu queria”. Eu queria uma Ferrari, mas posso andar de ônibus. Eu queria um amor de cinema, mas posso ficar com esta pessoa que me traí. Eu queria ter a minha empresa, mas eu posso trabalhar nesta escala 6×1…

Antes de encerrar, e, aproveitando o contexto: imagine que você tem uma floricultura, mas não cuida das flores porque ninguém cuida delas e ninguém quer comprá-las. Percebe que esta mentalidade não faz o menor sentido? Se você quer que as pessoas comprem as flores, você tem que cuidar delas! E quanto mais vistosas e melhor cuidadas elas forem, mais valor elas terão, mais compradores surgirão, e melhor a qualidade deles será. Agora, imagine que você tem uma vida, mas não cuida dela porque ninguém quer ficar nela com você…

Se você entendeu: faça uma lista das coisas que mais ama na vida. Não seja apenas um amador, seja amado! Esteja em primeiro lugar!



Deixe seu comentário