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Eu escolho ser livre. De mãos dadas com o agora, beijo as infinitas possibilidades…

Eu escolho ser livre. Eu escolho perdoar a mim mesma e ao meu ontem porque tenho pressa em viver o hoje. De mãos dadas com o agora, beijo as infinitas possibilidades que tenho para hoje e escolho manter-me feliz, pois não há nada melhor que isso!

Eu ainda não sei perdoar. Ainda deito a cabeça ao travesseiro e fico a pensar e pensar e simplesmente não é possível. Mas não desisto.



É uma questão quântica o perdão. Você perdoa aqui num ponto específico da linha do tempo e tudo reverbera e tudo muda. A velocidade é tão grande que a gente acha que continua tudo igual. Quanto mais rápido vai o trem, menos você sente a velocidade, que só é sentida até certo ponto, depois disso já não é possível perceber se estamos a correr ou não.

Essa falta de percepção talvez seja o motivo da dificuldade em perdoar porque somos inclinados a resultados mensuráveis, visíveis, em que podemos sentir o cheiro, ver as suas cores e texturas, escutar e tocar. Quanto mais físico, melhor. Quero aquela cena de joelhos dobrados e aquele olhar de desculpa. Não funciona assim.

Perdemos tempo com esse teatro todo e essa falsa compensação para algo que pode ser apenas uma lembrança na linha do tempo, que vai se modificando à medida que os dias passam. De fato, o que hoje é um peso enorme, mais algum tempo – que pode ser muito ou pouco – já não vai ter a importância e a cor que tem agora.


Há algumas situações e pessoas e cenas que não perdoamos. E alimentamos, engordamos e nos fartamos de dizer com um orgulho quase cruel e amargo que não nos esquecemos.

Deixamos o relógio parado naquela dor e naquela mágoa e nos alimentamos disso até não aguentarmos mais e nos sentimos os mais injustiçados pela vida. Os mais abandonados pela vida, e passamos a viver uma morte em vida porque nenhuma recompensa ou nenhuma forma de quebrar esse ciclo nos é possível. Andamos em círculos nos alimentando da nossa dor e não suportamos a ideia de sair disso.  Alguns esquecem como é viver sem a dor de não perdoar.

Não digo que devemos agora nos aliviar de tudo, de todos e até da gente mesmo e sair por aí sendo o exemplo do desprendimento. Se assim for, corremos o risco de entrarmos em uma confusão ainda mais imensa onde tudo é e no minuto seguinte já não é mais. Desgarrados da vida e dos outros e das cenas, desgarramos de nós mesmos, de nossa identidade e logo ali na próxima esquina, nem mesmo vamos conseguir nos reconhecer. É alucinante o desapego sem reflexão.

Perdoar é algo quase divino porque quando eu penso sobre o assunto, vem a ideia da utopia. É uma ideia que está presa ao mesmo lugar de onde vêm as histórias de fadas e de uma eternidade de dias felizes.


O perdão não está nos outros. Nem na gente. Não somos senhores onde podemos ter o poder de perdoar este ou aquele, isto ou aquilo. Apenas podemos comandar a nós mesmos. Nossos pensamentos e o nosso corpo. Nesse ponto já considero que seja bastante poder.

Olho para dentro de mim mesma, olho nos meus olhos no espelho e me perdoo. Aconchego cada uma das feridas que eu mesma fiz ao me permitir ser machucada. Acarinho o meu peito e digo ao meu coração que ele pode voltar a bater outra vez. Com cuidado, já não precisa andar assim tão assustado. Passo os dedos pelo meu cabelo e faço um carinho no meu rosto – vai ficar tudo bem. Agora quem sabe ainda não está como imaginamos, mas vai ficar. Sempre fica bem, afinal nada que acontece e foge às leis do universo. Todo ciclo se encerra e outro dá lugar ao que passou. Ainda ninguém me deu alguma prova de ser diferente disso.

Abraço as minhas expectativas e endireito a coluna. Respiro profundamente e devagar, ligando os meus sentidos ao momento presente. Deixo que o que passou realmente se vá. E permaneço assim a perceber onde estou, como estou e me fixo no agora. Faço planos. Cada plano dependendo exclusivamente de mim mesma.

Não está no outro o meu futuro. Não há futuro. Essa ansiedade toda que nos envolve nos leva ao futuro sem nem mesmo ele ainda existir.

O que há é o presente em constante mudança. Precisamos estar atentos porque logo já não é mais e passa a ser uma lembrança. Quando permito que a ansiedade me governe, deixo de viver o presente e passo a imaginar coisas, passo a acreditar no futuro e a planejar para a incerteza do que eu nem sei se um dia vai chegar a ser.

Deixe que o que se passou se vá. Deixe que o futuro se torne presente. Não permita que os outros determinem quem você é e quem você quer ser.

Não se esconda atrás dos erros dos seus pais, dos seus amigos e dos outros todos. Não permita que nada ultrapasse a sua zona de conforto, proteja suas convicções e fortaleça sua força de vontade todos os dias. Repita em voz alta se for necessário. Escreva no mural das redes sociais que hoje você está melhor do que ontem e você escolheu amar suas escolhas, que serão sempre o que de melhor você poderia ter feito com as cartas que você tinha naquele momento.

Eu escolho ser livre. Eu escolho perdoar a mim mesma e ao meu ontem porque tenho pressa em viver o hoje.

Eu escolho ser livre. De mãos dadas com o agora, beijo as infinitas possibilidades que tenho para hoje e escolho manter-me feliz, pois não há nada melhor que isso!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: liyacobchuk / 123RF Imagens

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