Eu me arrependo…

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Então, eu me arrependo mas não vou me arrepender mais…

O plano é sempre claro: fazer as coisas que me dão vontade. O problema, porém, é que na hora H as coisas não saem como o esperado e eu acabo me privando de fazer as coisas que sinto que devo fazer, sabe? Confuso, né? Em outras palavras, eu quero fazer uma coisa, mas faço outra – por mil motivos.



Eu queria puxar assunto com você, mas eu tive medo de você não gostar dos meus assuntos, afinal, muito se fala que é preciso ter lábia para conhecer alguém. A gente já vive uma pressão antes mesmo de falar com alguém. Tá vendo? Minha cabeça se confunde entre o que dizem que deve ser feito e o que eu quero fazer mesmo. E, no fim, me arrependo.

Eu queria ter aceitado te ver de novo quando perguntou o que eu ia fazer na sexta, mas me disseram que é preciso ficar meio longe pra não ser fácil demais, se não ia parecer que eu estava gostando muito de você. No fundo, eu queria ter saído.

Quando a gente se viu eu quis tanto te beijar. Você estava tão linda. Eu queria ser seu naquela noite. É que não identifiquei exatamente uma hora boa para isso, eu sou tímido e não sei construir clima, não sei perceber sinais e fiquei preocupado em parecer precipitado. Muito se fala sobre perceber se rolou química, mas eu não conseguia enxergar isso. Eu só queria me aproximar, te abraçar e te dar o meu melhor beijo. Mas eu não fiz nada e voltei para casa com os fantasmas na minha cabeça.


Teve a vez também que me arrependo até hoje por não ter pedido desculpas. Tomado pelo orgulho, preferi manter a distância por algo mal resolvido, do que a proximidade por uma história bem conversada. Eu não quis passar a imagem que acabei passando. Não sou a pessoa que mostrei ser.

O problema de se arrepender é que a gente acaba engolindo uma incerteza. A gente fica vivendo em função do que poderia ter acontecido. Passa pela nossa cabeça a possibilidade de ter dado certo o que a gente queria – e isso dói. O problema de se arrepender é que, muitas vezes, não dá para viver aquilo de novo. É questão de uma única chance. Talvez a gente não saia de novo, talvez você não me responda mais, talvez você até quisesse que eu tivesse te beijado sei lá, mas eu não dei um primeiro passo – apesar de que você também poderia ter dado esse passo, mas isso é outra história. O problema de se arrepender é que a gente só quer tentar se for para dar certo e, na verdade, muitas vezes não dá. Por isso, o valor está muito mais na tentativa de ter do que na conquista do que a gente quer.

Eu me arrependo sim de muitas atitudes não tomadas, mas o meu maior arrependimento é por eu não ter feito o que eu SENTIA que devia fazer.

E o lado bom de todos esses arrependimentos é a lição que aprendi: a única opinião que eu devo seguir é a do meu coração. Ele pode até errar, mas sempre vai ser sincero comigo e eu sempre vou poder dormir com a paz de ter feito o que ele me disse para fazer.


Muita gente fala o que a gente deve fazer, mas ninguém coloca a cabeça no travesseiro ao nosso lado quando o resultado não é bom.

Então, eu me arrependo mas não vou me arrepender mais. E, se eu tiver outra chance, eu vou mostrar o quanto posso fazer bem a alguém. Se a chance não vir, eu vou construir outras oportunidades.

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Publicado originalmente no site: Um Travesseiro para Dois

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