ColunistasRelacionamentos

Eu não vou apagar nenhum texto que eu fiz para você. Nem 1 linha sequer.

Eu não vou apagar nenhum texto que eu fiz pra você. Nem 1 linha sequer.

Eu não vou apagar nenhum texto que eu fiz para você. Nem 1 linha sequer. Nenhuma lembrança que eu tiver. 



Se não é possível apagar o passado, e tudo que vivemos, então, o resto também não faz diferença… vou rezar para que se torne uma memória qualquer. Uma história que eu não apagaria, mesmo se pudesse. Uma história que vai enfeitar a realidade e aquecer o coração, quando o frio bater. Uma daquelas histórias que a gente lembra com uma boa saudade, e que um dia contaremos aos netos.

Eu não vou deletar nem rasgar nenhuma foto sua. Eu não vou me atirar nos braços de um outro alguém a fim de parar a minha dor. Essa doença não tem cura.

Alguns insistem em chamar de “amor”. Mas eu prefiro chamar de loucura.


Eu não vou conseguir esquecer da noite para o dia um sentimento que habitou o meu ser por completo durante tanto tempo…

Algo que fez parte do meu dormir e acordar. Que se tornou tão automático – e vital – quanto respirar. Que fez florescer em primavera, uma alma que havia se acostumado a viver sempre em um rigoroso inverno.

Eu também não vou deixar de escrever para você. Mesmo que você nunca mais leia, mesmo que nem saiba que as minhas palavras ainda são suas, bem como o coração que bate aqui dentro.

Eu não vou deixar de pensar em você, todos os dias, mas tenho esforçado para não o fazer a todo momento.


Uma hora a gente cresce e aprende que amor não mata. Mas nunca deixará de ser um risco iminente de um delicioso tormento. Se não houver risco nenhum e medo, não há de ser amor dos brabos; se vai com qualquer vento.

Vou deixar que o tempo conduza, a partir de agora. Nada mais pode ser feito…

Tentarei incutir novas sensações no meu peito, além desta habitual angústia. Não era pra ser; hei de me convencer. E desta forma o barco segue o curso.

Só queria poder voltar a dormir direito. Sem sonhos; sem desejos; sem susto. Sem seu abraço, quem me abriga é a nostalgia. E à noite, essa casa parece ainda mais vazia…


Vejo-nos dançando pela sala, em um daqueles dias em que muito bebíamos e terminávamos entre abraços e beijos que eu juraria nunca ter fim.

Não deixarei de escutar as nossas músicas… e nem de senti-las, com todo o meu coração. Seu amor ainda corre na minha corrente sanguínea e não quero uma transfusão. Eu gosto de sentí-lo em mim. Sua voz ainda está viva e nítida na minha cabeça.

E ouvir seu nome ainda me causa sobressaltos de emoção…

Eu gosto de pensar em você. Já nem sei mais por que razão…


Eu não vou lhe mandar esse texto não, porque não quero um pretexto para alimentar a minha ilusão.

Eu vou encarar a realidade de frente. Aprender a ser resiliente… tentarei à exaustão.

Eu vou abrir a garrafa de Prosecco que ganhamos de presente e prometo fazer um brinde aos bons tempos e à minha hóspede recém-chegada, a Solidão.

Bruna Stamato


__________

Direitos autorais da imagem de capa: vadimgozhda / 123RF Imagens

É preciso coragem para ser feliz!

Artigo Anterior

Fique solteiro, até conhecer a pessoa que fará o amor parecer a coisa mais fácil do mundo…

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.