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Eu sei como é viver na solitária!

Eu sei como é viver na solitária!



É reviver culpas, falas e silêncio; perguntando em que segundo mudaria os rumos da história. É sofrer por ser excluída, rejeitada. É ouvir os ecos dos nãos. É chorar nos cantos, chutar parede, fazer flexão, descascar a tinta das grades cantando baixinho um pedaço da nossa canção. É saber que o mundo continua girando, e que você pode viver normalmente sem minha existência.

Mesmo eu tentando relembrar, superdimensionar meus valores, revendo em listas, quem sou eu de verdade; dói saber que você não tem esse mesmo entendimento sobre mim. Que sou alguém dispensável para o funcionamento de tudo. Talvez tudo se resolva, em sua vida, mais e melhor sem minha presença; talvez você trabalhe melhor, produza mais, mergulhe de cabeça nos seus projetos; tenha novas paixões….

To sabendo bem como é viver na solitária!


É viver presa nesses questionamentos que não ajudam em nada.

Sei como é ver o anoitecer e amanhecer, amanhecer e o anoitecer. Dia após dia. Ver a vida passar diante da mim sem o menor brilho. Sem planos, sem empolgações; tudo em preto e branco. Tudo em silêncio.

Mesmo na gritaria, na festa, mesmo na liberdade. Eu vivo numa solitária. Na pior delas; na qual vive em liberdade, faz parte do mundo, mas não enxerga mais nada e nem ninguém.

Minha vida sem você é esse “estar-se preso por vontade”, mas não é bem amor. Não mais.


É dor mesmo. Essa mistura de “bem feito pra mim”, com “por que devo passar por isso?”; ora sou vítima, carente, menina; passeando dentro de mim por seus olhares e carinhos, começando com um meio sorriso, no canto da boca e terminando em choro alto, como de uma criança de 6 anos que vê partir quem mais ama….

Ora sou mais eu, abrindo mão, e simplesmente deixando ir, com voz ativa sobre meu destino, destilando minha raiva e desdém sobre tudo que diz respeito a você, forçando-me a maximizar seus defeitos, pra ver se assim, te enxergo pior.

Mais que isso, pra ver se enxergo -A MIM- melhor.

Eu estou sabendo bem o que é viver na solitária. Na escuridão dos meus sentimentos, viver na crueldade do espelho, vendo de perto quem sou eu sem você; na claridade e nudez que me mostra assim, despreparada para a vida, para esse amor que agora dói. Sei bem como é o aqui e agora sem notícias, sem respostas, sem sua presença.


Viver no presente do presente, quando um dia dura muito mais tempo que todos aqueles que passamos juntos. Tudo demora a passar sem você; e passa rápido também, porque já são vários dias sem nada seu.

Sei o que é estar numa solitária.

É pensar em tudo e em nada, exatamente ao mesmo tempo: é poder contar cada batida do meu coração, cada respiração ou suspiro, pensando bem devagar em cada parte que me cabe, a partir desse gigantesco abismo, que é o agora.

É fazer tudo e não fazer nada pra te arrancar de dentro de mim. É planejar frases e vinganças que não serão executadas; e ao mesmo tempo, é perdoar e renascer. Esquecer. É rir e chorar, amar e odiar, ter autoacolhimento e pena de si mesmo.


É entender que tudo que existe lá fora deve ser melhor e mais alegre do que isso que acontece por aqui.

Eu sei o que significa pagar a pena de estar presa no seu silêncio…

Agora eu sei. E não é bom.

Mas se eu faria de novo? Se tenho medo de voltar pra cá, para esse inferno? Não sei lidar com toda essa solidão de forma diferente… e talvez seja bom eu passar por isso para sair diferente disso tudo.


Mas só de pensar em ouvir sua voz, já meto os pés pelas mãos. E só de pensar que simplesmente nem se lembra mais de nada nosso… Toma conta de mim essa vontade de fazer alguma coisa. E não poder. É uma espécie de olho no olho na prévia do MMA.

Mas agora estou focada. Sangue nos olhos pra sair disso, o quanto antes. Certa de que meu merecimento é maior que isso… Disposta, aberta, confiante numa nova etapa. E pode até parecer que sou um caso perdido nessa coisa toda. Mas é que hoje, eu sei bem o que é viver numa solitária.

Eu mesma, nunca desisti de nada!

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