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Eu sobrevivi!

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Sempre me recusei a falar do assunto. Mas, ao descobrir que este é o mês de prevenção ao suicídio, resolvi falar sobre uma experiência. Própria…



Quando tinha 20 anos, já morava sozinha. Curtia muito. Trabalhava muito. E tinha amizades que, hoje posso dizer, eram extremamente nocivas e me sugavam de todas formas. Um dia, uma dessas pessoas disse que havia encontrado uma pessoa ideal pra mim: divorciado, inteligente, maduro e muito divertido. Com todas essas qualidades, quem não toparia?

Fomos apresentados em um barzinho. Ele era 34 anos mais velho que eu. Não me importei. Afinal, ele realmente se mostrou divertido. Dançamos muito. E começamos a nos ver com mais e mais frequência. Ele me dava  atenção, carinho. Na terceira semana que estávamos saindo, ele me pediu pra ir morar com ele. Eu seria o quarto casamento dele. Falei que meus planos eram diferentes, que queria casar de verdade, ter filhos (ele já tinha 3). E ele disse pra eu ter paciência, que as coisas poderiam ir chegando aos poucos.

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Ao mesmo tempo, a ex-mulher dele, um pouco mais velha que eu, não parava de ligar pra ele. Fazia ameaças graves que começaram a vir para mim também. Mas eu estava muito envolvida. Fui em frente.

Neste meio tempo, perdi o emprego (em circunstancias bem estranhas) e não poderia mais pagar o aluguel. Então, fiquei feliz em 2 meses depois, ir morar com ele. Fiquei nervosa pela falta de trabalho. Ele dizia para ter paciência, que não havia necessidade.

Ele trabalhava das 4 da manhã às 18 horas. Eu não era boa dona de casa e ele era viciado em limpeza. Ele já não gostava de sair comigo. A não ser para a casa de amigos. Saia sozinho com os amigos. Eu só tinha os amigos dele. A ex continuava as ameaças a ponto de e ter que prestar queixa.

Mas aí, no auge da minha imaturidade, resolvi que era o momento de ter um filho. Fomos ao médico, fiz diversos exames, e, por um erro, o diagnóstico era de que eu não poderia ter filhos. Fiquei devastada e deprimida. Desenvolvi o que ele chamou de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Vivia medicada, na cama. Levantava pra comer, tomava mais remédio e dormia de novo.


Depois de um tempo, ele e minha família fizeram um tipo de “intervenção” para que eu parasse com os remédios. Reergui-me, voltei  a estudar o que amava. Fui melhorando aos poucos e os problemas em casa voltaram. Ele dizia que depois de voltar à universidade não cuidava mais da casa nem dele… Deixei a faculdade e procurei um trabalho praticamente em frente a casa. E ele não gostou mesmo assim. As traições aumentaram, as brigas também.

Como os filhos dele se afastaram porque eu era mais nova e, como religiosos, ainda esperavam que ele voltasse para a mãe, primeira esposa, me odiavam. Escrevi para uma delas e a convenci a voltar a se relacionar com ele. Os outros dois vieram logo atrás. Ainda não falavam comigo, mas anda assim, me senti muito feliz.

Uma das irmãs dele, infernizava a minha vida de todas as formas. Fofocas, intrigas, brigas.. Outra, evangélica fervorosa, frequentava constantemente nossa casa e dizia coisas do tipo “pra mim só é casado quem casa na igreja”, ou, “a L… (primeira mulher dele) é que era mulher de verdade”. Ele as defendia.

Uma noite, fomos a um barzinho com um casal de amigos. Ele bebeu, se excedeu, e disse, dentre outras coisas, em alto e bom som: “Graças a Deus você não pode ter filhos. Imagina, não sabe nem cuidar da casa. Sorte minha que já tive três, ótimos filhos, com a mulher certa”. O sangue subiu pra minha cabeça. Joguei o copo de cerveja no rosto dele e comecei a agredi-lo fisicamente. Queria que ele sentisse tudo que eu senti por dentro, na própria pele. Descarreguei todo o ódio nele.


A única coisa que ele fez foi me dizer: não volte pra casa.  Joguei as chaves no rosto dele e fui para a casa da minha mãe. Depois de tudo que eu tinha passado por ele e por esta relação? Como ele pode dizer isso? Como ele pode fazer isso? Eu vivia para ele. Perdi completamente o equilíbrio.

Pela manhã, fui a casa dele buscar minhas coisas. Minha tia foi junto comigo. Não pensei muito bem, não tinha dormido direito. Ele nem olhava pra mim, como se eu tivesse sido a culpada de tudo. Eu encontrei três pacotes de veneno de rato. Misturei com água. Bebi sem que ninguém visse. E me tranquei no banheiro. Fiquei la quietinha esperando o remédio fazer efeito. Eu só queria que a dor passasse e que ele soubesse o quanto eu havia sofrido.

Perceberam a demora. Pediram para que eu abrisse a porta. Não fiz. Arrombaram a porta e encontraram os pacotes. Nunca vou esquecer o rosto da minha tinha desesperada. Correram e me levaram para o hospital. Fiz diversas lavagens estomacais e ouvi de tudo dos enfermeiros. Os hospitais não estavam preparados para receber pessoas com este problema.

Enquanto minha tia chorava copiosamente, ele ligava para todos os amigos contanto que eu tentei me matar por causa dele. Que eu era maluca. Depois das lavagens, simplesmente me liberaram do hospital. Voltei pra casa da minha mãe e decidi passar uns dias fora da cidade, na casa de um amigo. A única coisa que eu fazia era chorar muito. Falei com ele todos os dias e, ao fim de uma semana, voltei escondido pra cidade e diretamente pra ele.


Pessoalmente ele me tratava ainda pior.  Arranjei outro trabalho. E, mesmo morando separados, ainda estávamos juntos.  Um dia, comecei a sangrar e sentir fortes cólicas. Muito fortes. E sangramento. Incessante. Mas estava tão focada no trabalho que simplesmente aumentei a dose do anticoncepcional (que usava constantemente para não menstruar). Depois de exatos sete dias, a dor passou.

Deitei e fiquei quietinha alí pra não deixar de sentir aquele alívio. Quando fui ao banheiro, notei uma coisa estranha.  Mil coisas passaram na cabeça. Chamei-o, e ligou imediatamente pra minha madrasta. Eu havia sofrido um aborto. Culpei a mim mesma, ao médico. Surtei. Ele pediu para que eu tomasse um banho e repousasse. No dia seguinte, fui ao médico sozinha, ele não quis acompanhar. À tarde, fui fazer o ultra som com uma amiga.

Quando voltei pra casa, cheia de culpa, ele ficou me olhando e disse que o filho não era dele. Fiquei ainda mais arrasada. Os amigos dele, que restam meus até hoje, 10 anos depois, vieram até mim e pediam que eu saísse daquela vida. Que eu não merecia aquilo. E eu saí.

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Envergonhada, triste. Resolvi recomeçar em um trabalho que eu realmente gostasse. Imprensa. Ajudei na criação e lançamento de um jornal, em seguida, fui pra um maior. E entrei em outro “relacionamento destrutivo”. Muito, muito pior que o primeiro. Só para se ter um exemplo, depois de uma tentativa de violência sexual, fui agredida fisicamente por ele. Tentei me matar novamente. De outras formas. Exagerando na bebida, nas festas, indo ao extremo de tudo. Então eu tive um estalo: o que eu estou fazendo da minha vida?

Com a ajuda da minha mãe, mudei de cidade e de vida (um dia conto todos os detalhes para vocês). Tudo que me fazia mal foi cortado, aos poucos. Afastei-me dos amigos que me sugavam. Perdi o medo de fazer coisas novas. E, depois que conheci a ioga e, anos depois, a terapia, descobri o verdadeiro valor da vida. Eu atraio para mim o que eu emano. E hoje eu procuro emanar somente coisas boas. Tornei-me uma pessoa melhor. Mais forte. Perdi o medo de me colocar em primeiro lugar. E amo, muito, a minha vida. Amo a mim. E nada nem ninguém podem tirar isso de mim.

Se você pensa, ou já pensou alguma vez em suicídio. Lembre-se das pessoas que o amam, lembre do quando você é importante para o Universo e para essas pessoas. Lembre-se que a sua felicidade depende de você, e mais ninguém. Observe o que está emanando. E não desista. Sua vida vai mudar para melhor, assim como a minha mudou. E eu prometo que você vai ser muito, muito feliz! Procure um profissional, um psicólogo que te ajude a tratar a raiz destas coisas que te incomodam. E aproveite cada segundo da sua vida. Você não vai se arrepender.

Eu estou aqui!


Eu era só amador. Agora, eu sou amado!

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