Eu sou a favor do porte e da posse de livros em casa

Era uma vez um país em que as pessoas se uniram pelo direito de possuir e portar livros em casa. Começou com um pequeno grupo. Um movimento encabulado.



Evoluiu para a rua, o bairro, uma região. Tomou uma cidade, outra… e outra; ganhou um estado, dois… e logo o país inteiro se mobilizava em torno de uma causa: a liberdade de compra, venda, troca, posse, empréstimo, doação e usufruto de livros em todo o território nacional.

Por todos os lados, cidadãos de todas as cores e classes, origens e crenças, gente de todos os sexos e nexos portavam livros de todos os gêneros, todos os temas.

Os palácios de governo passaram a ser frequentados por escritores, editores e livreiros fazendo lobby por mecanismos governamentais para fortalecer a produção e a comercialização de literatura da boa, aquela que ensina, forma, incomoda, afaga, inspira, ilumina, orienta, alerta, provoca, diverte, desperta, humaniza. Aquela que nos faz pessoas melhores.


Aos poucos, as balas perdidas foram trocadas por palavras de afeto disparadas a esmo, os tiroteios deram lugar a debates luminosos, grosserias foram extintas e elogios sinceros brotaram desaforados nos jardins e nas calçadas, nos vasinhos de plantas domésticas e nos canteiros das vias públicas.

Assaltos a mão armada existiam apenas nos romances policiais. Sequestros, agressões e ataques de todo tipo tornaram-se nada senão capítulos tristes nos livros de história, que toda gente lia sem saudade, certa de que evoluir é bonito.

Quanto mais livros eram consumidos em massa, menores se tornavam os indicadores de violência nas ruas e nas casas, mais raras as ocorrências policiais.

Tanto que o primeiro dos quatro crimes mais graves passou a ser o velho mau hábito de pegar livro emprestado e não devolver. Os outros três eram esquecer aniversários, mentir na terapia e furar dieta.


A cada página de seu dia depois do outro, a poesia naquele país abrandou o horror, a inteligência venceu a selvageria e a vida virou protagonista de toda história.

Era uma vez um país em que as pessoas se uniram pelo direito de possuir e portar livros em casa.

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.