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Eu sou do tempo em que se casava grávida…

EU SOU DO TEMPO

 Para cada moça que aparecia grávida, um escândalo. A notícia corria na velocidade da notícia ruim, ou seja, mas rápido do que a famosa velocidade da luz.



O rastilho de pólvora ia disparando aquelas pequenas faíscas e a indignação crescia mais que fermento em gota d’água.

Onde duas ou mais mães de donzelas estivessem reunidas, o assunto principal era o medo da gravidez. Bastava a jovem debutante arranjar um namorado, para a mãe se apegar a qualquer santo e pedir em oração, que a castidade da filha e o bom nome da família estivessem maculados.

Apesar da fé, cada família tinha a gravidez antes do casamento que merecia, na minha, o meu não foi o único, mas foi o primeiro.


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Minha mãe e minha sogra queriam o casamento a todo preço, meu pai e o pai do bebê não queriam. Eu só queria conhecer o meu bebê. Fim da história:  Me casei, tive um filho lindo e entrei para as estatísticas dos divorciados que se casam por causa de uma gravidez. Normal, quase que uma profecia.

Antes isso, do que a mãe encontrar na bolsa da filha uma caixa de pílula, ou ter uma conversa franca sobre sexo com a virgem da casa. Ou pior ainda… A dor de conviver com uma filha/mãe solteira. Mas, isso… Foi naquele tempo. E se vocês imaginam que esse texto, seja uma caça às bruxas, ou um tribunal onde meus pais sairão como os grandes culpados. Enganou-se.

Esse, foi o mal de uma geração. E o melhor, o mal está desfeito.


No meu trabalho por exemplo, nunca, eu disse NUNCA, ví uma estagiária grávida. Aliás ví poucas colegas grávidas. E quando isso aconteceu, foi tão diferente do que acontecia na minha época, que às vezes, acho que não deveria chamar de gravidez, o tempo em que carreguei meus filhos no ventre.

Hoje as mães planejam tanto o nascimento dos filhos, que eu sinto inveja. Vejo avós implorando por um neto, vejo mil fotos produzidas desde os primeiros dias de gestação. No meu tempo a gente precisava esconder a barriga. Vejo mães informadas, que fazem Yoga ou pilates. Vejo mães com as fotos em 3D dos bebês, quando eles ainda nem chegaram ao mundo. Fotos nas redes sociais, assim que o rebento nasce e claro o parto eternizado em imagens de todos os ângulos.

Vejo mães e pais felizes e de fato, melhor preparados, para a maternidade e uma vida a dois. O casamento então… Tenho mais inveja! Chá bar, convite especial para padrinhos, bem casado, lembrancinha, Trash the dress, bolo cenográfico, enfim… As grávidas do meu tempo, não tinham nada disso! Eu, tive que fazer dieta, porque já não havia mais espaço para aumentar o vestido que tinha que acomodar o meu barrigão!

É… O que eu tive não foi gravidez, nem casamento. Foi uma sequência de sustos. Mas, o saldo é o que me move hoje. Não devolveria os meus três filhos, passados os sustos, aprendemos a nos amar e a viver juntos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza…


Acho que poderia ter sido mais fácil, mas foi como tinha que ser, de acordo com a minha geração.

Deixo aqui a minha alegria pela mudança de comportamento das mulheres e dos homens também e claro minha admiração pelo pessoal da minha geração, os responsáveis por essa mudança, em que pais e filhos falam sobre sexo e principalmente sobre a hora de se ter filhos! A gente aprende com a vida e ela se reinventa o tempo todo, ainda bem!

Eu tô diferente!

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