Comportamento

“Exaustão física e mental”: médica faz relato de caso de covid-19, e suplica às pessoas que fiquem em casa!

O desespero da Dra. Clara Fagundes é possível ser sentido por quem lê poucas linhas de sua publicação. Ela alerta sobre o colapso no sistema de saúde.



A primeira morte em decorrência da covid-19 ocorreu no dia 12 de março de 2020, há mais de um ano. Desde então, os números só vêm subindo, já são 318 mil pessoas que perderam a vida; mês de março bateu o pior recorde, tanto no número de novos casos quanto no número de mortes diárias.

Cerca de 8% da população brasileira conseguiu receber a primeira dose da vacina e apenas 2,34% já está completamente imunizada.

A velocidade com que se vacina as pessoas é infinitamente menor do que a velocidade com que a doença é espalhada pelo país, o que acende uma luz de urgência: precisamos frear a disseminação do vírus, caso contrário, os números serão muito piores nos próximos meses.


O pior mês da pandemia no Brasil em 2020 foi julho, que em 31 dias chegou a 32.912 óbitos, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, a partir de dados das secretarias estaduais de saúde.

Antes mesmo de março de 2021 se encerrar, o mês já chega a quase o dobro do número de mortes de julho, 62.918, o pior índice já registrado no país.

Segundo o G1, estamos há quase 70 dias com a média móvel de mortes acima de mil, sendo que há duas semanas a nossa média móvel supera duas mil mortes por dia.

A questão é séria e tem levado os profissionais da área da saúde ao limite da exaustão física e mental, além de escancarar o medo e o desespero de quem está trabalhando há mais de um ano com pouquíssimo ou nenhum descanso.


A médica plantonista Clara Fagundes, de Belo Horizonte (MG), fez um forte relato no seu perfil do Instagram, dia 29 de março, onde relatou um dos casos em apenas mais um dia de trabalho. A tristeza e a súplica podem ser sentidas por quem lê suas palavras.

 




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Uma publicação compartilhada por Clara Fagundes 🧿 (@mcafclara)

No seu relato, a Dra. Clara conta de uma passagem dentro do hospital, onde é alertada de que um paciente está tendo parada, ou seja, está morrendo. Ela chega à sala e pergunta se ele está bem, imediatamente, o paciente pede ajuda, suplica à médica para não morrer. Os dois choram, é impossível não se emocionar com um pedido desses, mas ela tenta ser forte, tenta ajudar da forma como pode.

Os médicos percebem que o paciente não tem pulsação, significa que seu coração parou de bater e o pulmão não está levando oxigênio para o corpo. Todos os profissionais começam a reanimação cardiopulmonar (RCP), que consiste em um conjunto de manobras que garantem que o oxigênio continue a chegar a todos os órgãos, enquanto eles tentam fazer o coração voltar a bater.

Usam adrenalina, desfibrilador, amiodarona e fazem compressões por mais de uma hora, um esforço conjunto para fazer aquele paciente voltar à vida. Constatam que suas pupilas estão dilatadas e fixas, a luz não as faz contrair, os estímulos parecem inúteis. Também percebem que ele apresenta cianose central, o oxigênio não está circulando pelo corpo, ainda não tem pulso.

Mesmo assim, a médica pede que todos da equipe continuem e, cerca de 1h40 minutos depois que eles começaram a RCP, declaram que o paciente morreu. Clara relata que, nesse momento, as lágrimas escorrem dos seus olhos, e começa a chorar compulsivamente, sentindo-se completamente impotente diante da situação.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@mcafclara.

Enquanto tenta se recuperar daquela perda, Dona Maria entra na emergência em estado grave, sem sequer conseguir falar. Clara, imediatamente, coloca a paciente numa máscara de oxigênio mas, mesmo assim, a falta de ar e o desconforto respiratório persistem, ela tem saturação em 50%, muito abaixo do mínimo recomendado, o oxigênio não chega ao seu organismo da forma correta.

Logo o material de intubação precisa ser preparado, a equipe posiciona a paciente para lhe oferecer oxigênio puro em um fluxo de 100%. Sedam-na rapidamente, abrem sua boca e garganta e passam o tubo. Ouvem se o tubo foi posicionado corretamente e a conectam ao ventilador, esperando alguma melhora.

Alguém grita para Clara que mais um paciente precisa de oxigênio e relata falta de ar. Mas não existe mais leito ali, nenhum ponto de oxigênio disponível. Ela se pergunta o que fazer. Toma a decisão de mantê-lo no corredor, pede que o coloquem em uma unidade portátil de oxigênio, mas ela sabe que aquilo não é suficiente, ele precisa de uma UTI.

A médica precisa que o paciente seja transferido, mas não dá, não há leito em lugar algum. O sistema de saúde entrou em colapso. Sem leito, sem vaga e sem oxigênio! A médica relata o quão difícil é se manter forte, segurar as lágrimas, tentar ser menos humana e não desabar.

Assim como outros profissionais da área da saúde, ela luta contra o vírus há mais de um ano, sempre correndo o risco de se contaminar, de contaminar seus familiares.

Passa 24 horas, 36 horas, 48 horas no hospital. Deixou sua vida de lado para ajudar outras pessoas a ficarem vivas, e faz isso porque ama sua profissão, também porque escolheu estar ali, porque acredita que essa seja a sua vocação. Mas a cada dia, tudo fica mais difícil. Ela sente que a exaustão física e mental está tomando conta, as chances de entrar em depressão são grandes, ou ter síndrome de Burnout, quando o estresse crônico afeta toda a vida de um indivíduo.

Mesmo assim, a médica Clara continua fazendo seus plantões e salvando vidas, mesmo que esteja cansada e exausta. Ela sofre quieta cada perda que tem, supera seus limites e pede a Deus que olhe por cada um, dando forças para continuar.

Clara explica que o vírus não escolhe classe social, ele mata! E, por fim, suplica que todos fiquem em casa, por ela, por si mesmos, por todos nós.

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