Exigir que o outro reconheça o seu valor, é como exigir que a plateia o aplauda no final da apresentação



Exigir que seu parceiro reconheça o seu valor, é como exigir que a plateia o(a) aplauda no final da apresentação.  Aplausos são dados de forma impulsiva, quando o palestrante é admirado e, geralmente, quando ele compartilha algo que agrega valor para o público, seu reconhecimento é natural.

Mas, já parou para pensar que muitas pessoas com talento não são aplaudidas? E qual a diferença entre elas?

Em primeiro lugar, você sabe qual é, e acredita no seu talento/virtude? Você confia no seu taco ou tem a necessidade de validação do seu parceiro para qualquer atitude que vai tomar? Quantas vezes você já recebeu elogios do seu companheiro(a) ou de outras pessoas e, no fundo, você não acreditou de verdade no seu potencial recusando o elogio?

Esperar que o outro o faça feliz é uma armadilha comum por conta da falta de autoconhecimento.

A maioria das pessoas não sabe responder a pergunta: “Quem é você?” Geralmente escolhem responder o seu “estado atual”: eu sou fulano, profissional da área tal. Tenho tal idade. Perceba a grande diferença do que você é (seus valores internos) e do que você está (suas necessidades).

Sabendo disso, você para de necessitar que ele(a) lhe dê valor, você passa a se valorizar, melhorando as suas tomadas de decisão.

Resumidamente, imagine que tudo que você “tem” é uma necessidade. Os papeis que você exerce na vida também são “seus”. Pode “estar” tal profissional, pai, filho(a), marido/esposa, mas você não É por essência esses papéis. E de acordo com cada situação, com suas experiências de vida, aquilo que você acredita, você liga o botão de cada papel e age de determinada forma. Já os seus valores são o que você é: as suas virtudes de alma. Você é, por origem, paz, harmonia, esperança, etc. Aquilo que o deixa pleno e o faz enxergar o que é melhor para a situação, e não só para o que o seu ego (papel) necessita. Você pode dizer: sou honesto, você não diz:  “estou honesto”.

Podemos notar a diferença analisando uma situação de conflito entre pai e filho. Um pai que sentiu necessidade de ser obedecido, acabou gritando com o filho e gerou mais conflito. Já quando o pai agiu conforme os seus valores, acabou se desprendendo do “papel de pai”, e olhou para o filho com compaixão. Ele pode pensar: “talvez ele seja imaturo ainda”, então inicia um diálogo ameno e se aproximam para solução da questão.



Mesmo sabendo disso, claro que o reconhecimento pode ser, sim, muito importante. Muitas vezes motiva, passa sensação de confiança, e é uma grande ferramenta para união, parceria não só em um relacionamento conjugal.

A questão é tornar o reconhecimento uma “necessidade”. Tomar atitudes esperando receber o elogio, a afirmação de que você está no caminho certo, ao invés de simplesmente fazer as coisas que você gosta, pelo resultado que elas trazem, pois vai trazer satisfação, ou seja lá qualquer outro valor agregado para você mesmo ou para vida das pessoas.

Ao esperar que o outro preencha uma necessidade sua, inevitavelmente a sua carência aumenta, e talvez por mais que ele se esforce, aquela necessidade nunca vai estar satisfeita e você vai exigir cada vez mais. E mesmo que exista o reconhecimento, talvez você nem enxergue, porque não é o outro que tem esse poder.

Você precisa saber como suprir isso por meio da sua própria autovalorização, com autoconhecimento, descobrindo quais são as suas virtudes, o que o deixa com a alma preenchida e tira a força das tuas necessidades.

Acreditar que o outro é responsável pela sua felicidade é como pedir para que um peixe escale uma montanha. Ele vive em outro mundo, não tem capacidade de penetrar no seu. E pior do que isso, pode não sobreviver.


Direitos autorais da imagem de capa: Tim Foster on Unsplash






Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.