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Expectativas x relacionamentos. Aqui é vida real e os outros não são objetos, robôs ou personagens

Em se tratando de relacionamentos, expectativa é a esperança de que o outro aja e se relacione conforme nossos ideais. Até aí, tudo bem, apenas expectativa!

O problema começa quando a expectativa se transforma em imposição, exigindo que o outro corresponda às fantasias criadas, ignorando e invalidando sua individualidade por meros caprichos do ego.



Aqui é vida real e os outros não são objetos, robôs ou personagens.

E se você pensa que o problema se restringe aos relacionamentos amorosos e familiares, saiba que também ocorre nas empresas, relacionamentos profissionais e sociais (papéis sociais). 

De forma simplificada, manifesta-se através das frases:


 – Você me decepcionou!

– Esperava mais de você!

– Como pode fazer isso?


– Você é muito diferente do que imaginava…

E quando você percebe a cilada em que se meteu e decide abandonar o barco, escuta:

 – Depois de tudo que fiz por você?

 – Sua ingrata (o), mal-agradecida (o)…

– No momento em que mais preciso de você.

 – Você deveria retribuir…

Palavras que geram sentimento de culpa e remorso, ainda que de forma inconsciente, quando o outro age diferente do script programado, tornando-o refém, num círculo vicioso.

Cuidado com essas armadilhas! Cuidado para não ser refém das suas próprias crenças, cuidado para não ser refém das expectativas alheias e relacionamentos doentios.

 O que fazer?

Você não pode mudar o outro, nem seu comportamento… Caso contrário, permaneceria na ciranda. Sendo assim, a melhor forma de sair é desapegar dos condicionamentos, aprendendo a se relacionar de forma madura. Ressignificar conceitos e SER VOCÊ mesmo.

Meio clichê este final, não? Mas se eu fizesse a seguinte pergunta:

– Quem é você? Conseguiria responder imediatamente sem titubear?

Se vivemos em constantes transformações, definir seria limitar. Sobre essa perspectiva, você precisa entender apenas quem você não é:

– O seu trabalho, os seus títulos, cargo, profissão, status, cultura, comportamentos. São apenas características, escolhas e papéis que você exerce.

Entende como a coisa vai muito além de rótulos, estereótipos e idealizações?

Percebe que para se encaixar é necessário se reduzir?

Faz sentido?

Então, por qual motivo cobrar do outro que ela aja conforme os estereótipos e toda fantasia que você idealizou?

Qual o objetivo de permanecer com os sentidos embriagados e visão embaçada, deixando de formar conexões saudáveis para emaranhar-se em nós? Além do ego saciado, quais seriam os outros ganhos?

Mas… e se você puder se libertar, VIVENCIAR sua essência e PERMITIR que o outro VIVENCIE a própria INDIVIDUALIDADE. Como seria? O que mudaria?

Não seria este o momento perfeito para refletir?

Para encerrar, quero deixar uma “oração” muito utilizada na Gestalt Terapia muito oportuna para reflexão e exercício diário.

“Eu sou eu, você é você. Eu faço as minhas coisas e você faz as suas coisas. Eu sou eu, você é você. Não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas. E nem você o está para viver de acordo com as minhas. Eu sou eu, você é você. Se por acaso nos encontrarmos, é lindo. Se não, não há o que fazer.” Fritz Perls, 1969 


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / hetmanstock

 

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