Reflexão

Faça falta quando estiver ausente – reflexão inspirada em Mário Sérgio Cortella

Foto: Reprodução
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O filósofo falou de maneira singela sobre a ausência e sobre o que deixamos de legado quando partimos desse mundo. Vale à pena conferir!

As relações interpessoais despertam sensações variadas em cada indivíduo, como amor, compaixão, raiva e até mesmo decepção. Nessa constante, temos a possibilidade de oferecer a todos aqueles que conhecemos nosso lado bom e nosso lado ruim, sendo que a busca por equilíbrio é o mais indicado na maioria das vezes.

Quando passamos pela vida das pessoas, fazemos com que elas se lembrem de momentos ao nosso lado, de vivências e experiências que podem ser alegres, emocionantes ou tristes. Sabemos que a forma como os outros nos enxergam não depende apenas de nós, e podem sim existir ocasiões em que não poderemos controlar os acontecimentos, mas podemos ao menos tentar fazer com que se lembrem da gente da melhor forma possível.

Quem abordou o assunto de maneira excepcional foi o filósofo e professor universitário Mário Sérgio Cortella, que em uma entrevista falou abertamente sobre o que gostaria que acontecesse depois de sua morte. Autor de mais de 25 obras, o educador fala com frequência sobre filosofia, relacionando-a diretamente à educação.

Enquanto falava sobre ausência, Cortella disse que se não existisse gostaria de fazer falta na vida de todos aqueles com quem um dia conviveu. Para o filósofo “fazer falta” é o seu legado, tocando de maneira sensível seus alunos, seus filhos, sua esposa, sua comunidade, seus colegas de trabalho e os amigos.

Falando sobre Mário Quintana, o autor disse que ele mandou escrever em sua lápide a frase “eu não estou aqui”, que ele escolheu citar em seu livro Viver em paz para morrer em paz: Paixão sentido e felicidade, publicado em 2017. Outra pessoa que ele também cita em sua entrevista é Chico Xavier, que passou a vida inteira lidando com a morte, e que assim que partiu, ganhou a possibilidade de fazer falta da vida de muitos.

Cortella defende que as pessoas podem ser percebidas por aquilo que fizeram, por terem espalhado vida, protegido afetos, impedindo “desertificações da capacidade”, podendo ser notado por todos aqueles que estão à sua volta. Assim como ele deseja um dia, carrega muitas pessoas em sua memória que considera inesquecíveis.

Da forma como encara a vida, Cortella explica que é preciso sempre se lembrar que antes de nascer, nada no Universo existia como ele, e que quando partisse, nada mais seria como ele. E é justamente por isso que sabe que é único, porque a vida se organizou de uma forma única, fazendo com que ele existisse como um ser único, mas não o único na Universo. Assim como não existe ninguém como ele, outras pessoas também são únicas.

O filósofo explica que, em sua concepção, não existe um propósito dado a cada um de nós, a menos que se pense na religião. Mesmo assim, em outros campos não existe, portanto, a única coisa que sobra é a “necessidade de você edificar, construir este propósito”. Assim, para Cortella, o seu propósito é: “eu quero que eu faça falta”.

Mas isso não significa que quer fazer falta nas outras vidas de maneira maldosa, egoísta e prejudicial, para Cortella o que realmente importa é ser bem lembrado. Para finalizar este trecho explorado sobre a questão da ausência, o filósofo traz à tona a ideia do Carpe Diem, que Horácio diz que não devemos deixar de aproveitar o agora, e que não deveríamos viver apenas agora.

Cortella explica que carregamos as memórias e a expectativa do futuro em todos os lugares que vamos, mas que vivemos apenas o presente, e justamente por isso não podemos deixar que esses momentos sejam abreviados. Dessa forma, a pergunta que fica é: você faria falta para aqueles que ficarem quando você se for? Qual é o legado que deixará na Terra?

Confira o vídeo abaixo:

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