Quem é o bilionário dono da mansão que despertou revolta entre os moradores dos Jardins
O empresário João Adibe, presidente da farmacêutica Cimed e com fortuna estimada em R$ 5,2 bilhões, tornou-se o centro de uma disputa judicial envolvendo a construção de uma mansão no Jardim Paulista, um dos bairros mais exclusivos da capital paulista.
Com 53 anos e considerado o 86º homem mais rico do Brasil pela revista Forbes, Adibe agora também figura nas manchetes esportivas, sendo apontado como possível futuro presidente do Palmeiras.
A obra em questão, segundo denúncia da Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins), teria extrapolado os limites de uma simples reforma aprovada, resultando praticamente na demolição completa da casa original.
A defesa de Adibe afirma que o projeto foi aprovado por todos os órgãos competentes e finalizado há meses.
A polêmica ganhou força após a AME Jardins entrar com uma ação civil relatando diversas irregularidades na construção.
A associação sustenta que a edificação violou normas de tombamento, ultrapassando a altura permitida, ignorando recuos obrigatórios e implementando modificações não previstas, como a adição de um segundo pavimento em uma edícula.
A entidade também denunciou a supressão de vegetação nativa e a pavimentação do terreno, comprometendo a permeabilidade do solo.
Além disso, a construção teria causado infiltrações, perda de insolação e invasão de privacidade na residência do vizinho, o banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial.
Segundo a ação, mesmo após embargo da Subprefeitura de Pinheiros e do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico), a obra seguiu adiante.
“Os vídeos em anexo, datados de 06/12/2025 (sábado), demonstram com clareza a continuidade da conduta recalcitrante, irregular e mesmo ilegal dos réus, que menosprezam as decisões administrativas e as multas aplicadas, seguindo seu intento construtivo como melhor lhe aprouver, ainda que ao arrepio das normativas”, diz a petição.
O principal afetado pela construção seria o banqueiro André Schwartz. Um laudo técnico indica que a demolição quase total do imóvel ao lado, combinada ao uso de máquinas de grande porte, provocou trincas, fissuras e prejuízos funcionais em sua residência.
Schwartz também apresentou uma petição ao Condephaat, acusando de “deboche” um vídeo da influenciadora Cinthya Marques, esposa de Adibe, que mostrou trabalhadores ativos na obra, apesar dos embargos.
“A betoneira está rolando ali. Tem gesseiro, tem eletricista. Também não sei o nome de tudo”, diz ela na gravação, cujo link foi anexado ao processo.
Em sua rede social, com quase 300 mil seguidores, Cinthya compartilhou detalhes do projeto, como a piscina inspirada em Gianni Versace, o uso de 43 tipos de pedras — destacando as brasileiras — e mostrou a garagem, closet e banheiros da casa.
A juíza Mariana Medeiros Lenz, da 9ª Vara da Fazenda Pública, determinou no dia 19 a paralisação total da obra, destacando o “desvirtuamento do Alvará de Execução” e a fiscalização comprometida. Mesmo assim, foi possível verificar que a edícula avançava sobre o recuo obrigatório e ultrapassava a altura permitida.
“O perigo de dano é evidente, dado o caráter irreversível das intervenções em patrimônio ambiental e urbanístico tombado. A continuidade das obras ao arrepio das ordens administrativas de embargo evidencia o risco de consolidação de uma situação fática ilegal”, afirmou a magistrada.
Além disso, foram impostas as seguintes medidas:
Os advogados do empresário, Daniel Bialski e Fabio Kadi, negaram todas as acusações e destacaram que a residência possui Habite-se e já está habitada pela família há algum tempo.
“A obra da casa foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses, portanto, não procede qualquer imputação de embargo”, disseram.
Eles também citaram um laudo pericial judicial que teria isentado João Adibe de responsabilidade pelos supostos danos ao imóvel vizinho, atribuindo os problemas à falta de manutenção da residência afetada.
Ainda segundo os representantes legais, uma ação anterior movida pelo banqueiro teve todas as medidas cautelares indeferidas pela Justiça, o que reforçaria a legitimidade da construção.
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