Marieta Severo, aos 79 anos, é homenageada com vila por sua contribuição ao Retiro dos Artistas
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Marieta Severo investiu parte de sua carreira na construção e reforma de sete casas no Retiro dos Artistas, instituição que apoia profissionais da arte em vulnerabilidade, criando a 'Vila Marieta' como homenagem oficial. Ela possui uma trajetória de mais de seis décadas na televisão, cinema e teatro, com papéis memorá...
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O que se sabe
FAQ editorial
Marieta Severo, aos 79 anos, construiu uma carreira marcada por personagens que atravessaram gerações, mas parte do dinheiro conquistado ao longo dos anos de trabalho seguiu outro caminho.
A atriz já bancou a construção e a reforma de sete casas no Retiro dos Artistas, instituição situada no Rio de Janeiro que abriga profissionais da classe artística em situação de vulnerabilidade, conforme apurou a revista Veja.
As duas residências mais recentes foram concluídas no início de 2026. De acordo com o Retiro dos Artistas, as unidades foram preparadas para acolher novos moradores e entregues já mobiliadas, de forma que os futuros ocupantes precisassem levar praticamente apenas seus pertences pessoais. Entre os itens fornecidos estão móveis, eletrodomésticos e aparelhos de ar-condicionado.
A colaboração de Marieta não se limitou a um repasse financeiro isolado: a atriz arcou com despesas relacionadas a materiais de construção, mão de obra e mobiliário das casas.
O vínculo da atriz com o Retiro dos Artistas resultou em uma homenagem: após a construção das cinco primeiras casas com sua colaboração, os moradores passaram a chamar a área onde ficam os imóveis de “Vila Marieta”. A denominação foi oficializada com a instalação de uma placa em sua homenagem.
Já em 2023, por ocasião do anúncio de uma parceria envolvendo o Retiro dos Artistas, a atriz havia se manifestado sobre a relevância de que profissionais da área artística se voltem para colegas que, após décadas de carreira, passam por momentos difíceis.
“Todos nós, artistas, temos que ter consciência e estar presentes aqui”, afirmou Marieta na época. Ela ressaltou, ainda, que o Retiro representa um espaço que pode vir a ser necessário para qualquer integrante da classe artística no futuro.
Ao longo de mais de seis décadas, Marieta Severo construiu um dos percursos mais duradouros da dramaturgia nacional, dividindo-se entre televisão, cinema e teatro. Tudo teve início ainda na década de 1960: com 19 anos, ela participou do filme Society em Baby Doll, em 1965, e, no mesmo ano, subiu aos palcos por primeira vez em As Feiticeiras de Salém.
Foi por indicação da atriz Eva Wilma que Marieta conseguiu seu primeiro papel na televisão, na novela O Sheik de Agadir, levada ao ar pela Globo em 1966. Na história, ela deu vida à princesa Éden, personagem que alcançou ampla repercussão na época.
Após essa fase inicial na TV, a atriz passou 13 anos longe das novelas, dedicando-se principalmente ao teatro e ao cinema. Sua volta às telenovelas ocorreu em 1983, com a minissérie Bandidos da Falange.
A partir daí, emendou participações em títulos como Champagne, Vereda Tropical, Ti-Ti-Ti, Que Rei Sou Eu?, Deus nos Acuda e Pátria Minha. No ano 2000, encarou a rígida Alma em Laços de Família, trabalho que lhe garantiu o prêmio de Melhor Atriz concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Um dos pontos mais altos de sua trajetória surgiria pouco depois. De 2001 a 2014, Marieta deu vida a Dona Nenê em A Grande Família, personagem que acompanhou por 14 temporadas consecutivas.
Junto de nomes como Marco Nanini, Pedro Cardoso, Guta Stresser e Lúcio Mauro Filho, ela contribuiu para consolidar essa personagem como uma das mais lembradas da teledramaturgia brasileira. O êxito da série ultrapassou as telinhas e resultou em um filme para os cinemas, lançado em 2007.

Depois de tantos anos ligada à imagem da doce Nenê, Marieta voltou a demonstrar sua versatilidade ao encarar personagens completamente distintos. Em 2015, deu vida a Fanny Richard, empresária envolvida no esquema do “book rosa” em Verdades Secretas. Dois anos mais tarde, encarnou Sophia Montserrat, uma das vilãs centrais de O Outro Lado do Paraíso. Já em 2021, retornou às telenovelas como Noca, em Um Lugar ao Sol. Somando toda a trajetória, a atriz esteve em mais de 20 novelas e minisséries produzidas pela Globo.
A carreira na televisão, entretanto, é apenas um recorte de sua história profissional. Marieta reuniu dezenas de participações no cinema, com títulos como Chuvas de Verão, Bye Bye Brasil, O Homem da Capa Preta, Carlota Joaquina, Princesa do Brazil e Cazuza: O Tempo Não Para.
Em 2002, foi contemplada com o Troféu Oscarito, concedido no Festival de Gramado como reconhecimento à sua contribuição ao cinema nacional. Anos depois, os prêmios continuaram chegando: em 2023, conquistou o título de Melhor Atriz no Madrid Film Festival, graças ao trabalho em Domingo à Noite.
No teatro, a artista também deixou marcas importantes, com montagens como Roda Viva, Ópera do Malandro, No Natal a Gente Vem te Buscar e A Estrela do Lar. Por essa última peça, foi reconhecida com os prêmios Molière, Shell e Mambembe na categoria de Melhor Atriz.
Em 2005, Marieta reforçou seu vínculo com os palcos ao inaugurar, em parceria com Andréa Beltrão, o Teatro Poeira, localizado em Botafogo, no Rio de Janeiro. Seis anos mais tarde, as duas atrizes deram continuidade ao projeto criando o Teatro Poeirinha, o que consolidou a atuação da veterana não apenas como intérprete, mas também como incentivadora da produção teatral brasileira.
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