Silvia Abravanel declarou R$ 47 milhões e enfrenta disputa judicial pela herança de Silvio Santos
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Silvia Abravanel declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 47,5 milhões, incluindo imóveis, investimentos e participações empresariais, enquanto ainda há disputa judicial sobre o imposto de herança referente a cerca de R$ 429 milhões deixados por Silvio Santos. A controvérsia judicial envolve o cálculo do ITCMD...
Resumo do conteúdo
O que se sabe
FAQ editorial
Candidata a deputada federal por São Paulo, Silvia Abravanel informou à Justiça Eleitoral um patrimônio superior a R$ 47 milhões — exatamente R$ 47.546.965,91. O montante inclui quatro imóveis, investimentos e aplicações financeiras, além de recursos relacionados a negócios no agronegócio, na produção audiovisual e ao patrimônio acumulado durante sua trajetória como apresentadora. A declaração também indica que permanece em andamento uma disputa judicial envolvendo parte da herança que Silvia tem a receber de Silvio Santos, morto em agosto de 2024.
A questão não envolve um conflito entre Silvia e as irmãs. A família Abravanel discute com o Estado de São Paulo o valor do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) relacionado à herança. A divergência envolve mais de R$ 429 milhões (R$ 429.947.843,54) que Silvio Santos mantinha em contas no exterior, incluindo recursos em paraísos fiscais, conforme já noticiado pelo jornal EXTRA.
Na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, Silvia informou dois depósitos judiciais vinculados ao ITCMD. Um deles corresponde a R$ 6,79 milhões (R$ 6.796.301), enquanto o outro soma R$ 2,51 milhões (R$ 2.515.745). Os valores indicam que a discussão judicial relacionada a essa parcela da herança ainda não foi encerrada.
A defesa da família Abravanel não contesta a necessidade de recolher o imposto, mas questiona o cálculo realizado. Conforme consta no processo ao qual o EXTRA teve acesso, os advogados argumentaram que, além da ausência de normas específicas para situações envolvendo patrimônio no exterior, também não teria sido considerada uma dívida de R$ 10.307.491,04 deixada por Silvio Santos.
Inicialmente, o juiz Márcio Ferraz Nunes autorizou a suspensão da cobrança de pouco mais de R$ 17 milhões que estava sendo contestada. A decisão permitiu que o valor retornasse às contas da família Abravanel enquanto não fosse definida, de forma definitiva, a quantia que deverá ser recolhida:
“Em vista do exposto, defiro o pedido liminarmente formulado autorizando o depósito do valor da diferença questionada, (R$17.610.213,38), no prazo de cinco dias, suspendendo-se, com ele, em consequência, a exigibilidade do crédito tributário, em relação à transmissão dos bens e direitos abarcados pelo montante depositado”.
A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo contestou a interpretação apresentada pela família Abravanel. O órgão sustentou que, diante da inexistência de uma lei complementar específica para disciplinar casos envolvendo heranças de bens localizados no exterior, o cálculo deve considerar o estado brasileiro onde o proprietário dos bens residia ou mantinha vínculo no país. Foi com base nessa interpretação que o valor do imposto foi calculado.
A Procuradoria também solicitou que fosse investigado o valor da dívida contraída por Silvio Santos. O débito é utilizado pela defesa da família como argumento para solicitar uma redução da quantia considerada no cálculo do imposto.
Em dezembro do ano passado, a Folha de São Paulo informou que a Justiça havia determinado a realização de uma nova perícia para examinar contas, patrimônios e empresas relacionadas a Silvio Santos. A análise tem como objetivo auxiliar na definição do valor do imposto devido.
Entre os patrimônios deixados por Silvio Santos fora do Brasil estão
“participação centralizada em uma entidade localizada nas Ilhas de Bahamas, a Daparris Corp Ltd. (‘Daparris’); e duas contas correntes no exterior, mantidas no Banco Suntrust e no Citibank (ambas nos Estados Unidos), que totalizavam R$ 429 milhões (R$ 429.947.843,54, para ser exato.”
Antes de morrer, aos 93 anos, Silvio Santos organizou a sucessão dos negócios da família e também antecipou parte da distribuição da herança entre as filhas. A declaração apresentada por Silvia, porém, não permite identificar com precisão quais valores foram recebidos por ela ou se toda a divisão patrimonial já foi concluída. Um exemplo é a ausência de uma eventual participação societária no SBT, emissora pertencente à família.
Na declaração de R$ 47 milhões apresentada à Justiça Eleitoral, o maior ativo informado por Silvia é uma aplicação de R$ 17,2 milhões em Letra de Crédito Imobiliário (LCI) do Santander. A relação patrimonial também registra uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), no valor de R$ 558,67 mil, mantida na mesma instituição financeira.
Silvia declarou ainda R$ 367,3 mil em títulos de capitalização do Bradesco. O documento apresenta também um Certificado de Depósito Bancário (CDB) do Santander, avaliado em R$ 11.255,83, além de R$ 0,87 em uma caderneta de poupança do Bradesco, menor quantia registrada entre os bens e aplicações informados.
A ex-apresentadora também declarou R$ 2,3 milhões em adiantamentos para futuro aumento de capital da SLA Produções Artísticas. De acordo com a declaração, o recurso foi destinado a viabilizar a aquisição de um imóvel comercial.
Entre os ativos mantidos fora do país, a filha número 2 de Silvio Santos informou ter mil ações da Grateful Limited, empresa registrada nas Bahamas, avaliadas em R$ 4,78 milhões. Ela também declarou um saldo de US$ 5.315,08 em uma conta do Citibank em Nova York, quantia equivalente a R$ 29,2 mil na conversão apresentada à Justiça Eleitoral.
As participações em empresas incluem R$ 100 mil em quotas de cada uma de duas companhias chamadas SLA Participações, totalizando R$ 200 mil. A lista ainda registra capital social de R$ 88 mil na Kolonia Kids Eirelli, 1.999 quotas da SLA Produções Artísticas, avaliadas em R$ 1.999, e uma quota da Sapa Produções Artísticas, pertencente à dependente Luana Abravanel Abbas, declarada pelo valor de R$ 1.
Entre os imóveis incluídos na declaração de Silvia estão uma casa avaliada em R$ 7,5 milhões, outra residência com valor informado de R$ 1,78 milhão, um prédio residencial de dois pavimentos estimado em R$ 997,5 mil e um apartamento localizado na Torre Serra do Japi, avaliado em R$ 844,5 mil.
A candidata a deputada federal também declarou ter 35,05% de participação em um imóvel rural de aproximadamente 23,5 hectares, situado em Cesário Lange, no interior de São Paulo. A fração correspondente à participação foi informada à Justiça Eleitoral pelo valor de R$ 1,5 milhão.
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