Mensagem de Reflexão

Faz algum sentido?

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Conheça outras perspectivas que podem ajudar a compreender o sentido da vida e validar nossa existência



Por que será que precisamos tanto atribuir um valor especial para a vida? E que fatores nos ajudariam a vivê-la de forma mais plena? Para tentar entender o significado da existência – e, por enquanto, admitindo que ela tenha um – é preciso compreender algo que não está diretamente contido na própria vida. É uma atribuição ao que vivemos e experimentamos. Portanto, somos nós que conferimos, ou não, um significado, com base no que vivenciamos e entendemos do mundo.

“Mesmo quando achamos que a vida não tem nenhum sentido, estamos atribuindo um sentido para ela: o de que a existência é absurda, caótica, sem coerência”, diz a psicóloga paulista Karen Jimenez. Agora, sugere Karen, pergunte para uma pessoa que está vivendo uma grande paixão o que ela acha da vida. “Quem acha que a existência não tem sentido é porque perdeu seu encantamento por ela. E qualquer coisa que não nos apaixona automaticamente nos desinteressa.” Nessa condição, tudo fica cinzento, com cara de dia nublado. “Somos seres que precisam de significado, seja no trabalho, seja nos relacionamentos ou nos seus projetos.” O sentido ativa nossa emoção – como o nome diz, aquilo que nos move para a ação. “Ele nos devolve o prazer, o desejo de interagir, de criar”, diz Karen.

Um dos segredos, então, é se apaixonar novamente pela vida. Esse estado de graça geralmente nasce de uma harmonia interior. Como diz Sócrates, em Fedro: “… ajudai-me a buscar a beleza interior e fazer com que as coisas exteriores se harmonizem com a beleza espiritual”. Para a maioria de nós, esse sentimento de plenitude surge quando sentimos que estamos realizando o propósito do que viemos fazer nessa vida, algo que é único e individual. Aí a existência se reveste de sentido. “Imagine que o único propósito da vida seja só sua felicidade. Porém, seu intelecto e seu coração lhe dizem que o significado da vida é servir à força que o enviou o mundo. Então, quando isso acontece, a vida se torna uma alegria”, escreveu o russo Leon Tolstoi.



Uma teoria, por favor

Quando a vida foge da nossa expectativa, mergulhamos no que o filosófo dinarmarquês Soren Kierkegaard descreveu como uma inquietante “sensação do absurdo”. “Ficamos tão motivados em nos livrar dessa sensação que passamos a procurar significado e coerência em qualquer outro lugar”, diz Travis Proulx, pesquisador da Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia, envolvido com estudos sobre como o absurdo molda o cérebro humano. Em entrevista ao jornal The New York Times, ele diz que cérebro é programado para identificar padrões e predizer o que está para acontecer com base neles. Agora, imagine o que acontece quando a vida diz o contrário? De certa forma, enlouquecemos.

“Quando os padrões se rompem (por exemplo, quando alguém tropeça em algo inesperado, como uma poltrona de plástico no meio de uma floresta), imediatamente o cérebro passa a tatear por algo que faça sentido”, diz o pesquisador. Ou seja, passa a formular hipóteses, um dos passatempos prediletos da humanidade.



O andar do bêbado

A questão é que a existência também parece estar cheia de fatos aleatórios, não previsíveis e sem significado aparente. Essa falta de sentido fez o físico Leonard Mlodinow, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, escrever um livro sobre como o acaso muitas vezes determina nossas vidas. O título é ótimo: O Andar do Bêbado. A tarefa a que o físico se propõe é falar sobre as leis que regem o acaso aparente, devolvendo um sentido à vida ao sustentar que ele não é tão aleatório, imprevisível e caótico assim.

Ele também reconhece que a falta de significado pode mexer muito com nosso equilíbrio emocional. “A resposta humana à incerteza é tão complexa que, por vezes, distintas estruturas cerebrais chegam a conclusões diferentes e aparentemente lutam entre si para determinar qual delas dominará as demais”, diz Mlodinow. Ele acha que por trás da aleatoriedade funcionam outras regras, que pouco têm ver com a intuição ou o senso comum, e que conhecê-las nos ajuda a compreender a existência. “A capacidade de tomar decisões sábias diante da incerteza é uma habilidade rara. Porém, ela pode ser aperfeiçoada pela experiência”, diz ele.


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Entenda os fatos aleatórios que podem dar significado à vida
Foto: Raquel Espírito Santo

O acaso não é por acaso


Uma das primeiras leis, por exemplo, está baseada na Teoria dos Jogos, elaborada pelo psicólogo Daniel Kahneman, que ganhou o Nobel de Economia em 2002. Indicado para dar apoio psicológico a professores de pilotos de caça israelenses pela Universidade Hebraica, ele observou que estava diante de um fenômeno chamado de regressão à média. Descobriu que desempenhos extraordinários  dos pilotos – tanto ruins quanto bons – eram pura questão de sorte ou azar, já que a tendência dos pilotos aprendizes era ter um desenvolvimento médio que evoluía lentamente. E que no dia seguinte após de um grande feito, ou um fracasso, a tendência era voltar à média.

O que Leonard Mlodinow explica em seu livro, segundo vários autores e cientistas, é que o acaso não é caótico nem absurdo, mas que segue leis complexas que ainda não conseguimos desvendar. “Sei que a vida parece ter sentido, mas não sei exatamente qual”, diz com sinceridade o administrador de empresas paulista Fabio Constantino Magalhães. Sabiamente, ele admite seus imprevistos e acasos e não se horroriza mais com eles. Prefere então levar a vida com senso de humor, acreditando num sentido maior favorável, mas não necessariamente explícito para nós.

Mesmo não dominando as leis que regem o acaso, é possível que a existência, ainda assim, esconda um sentido oculto. O filosófo alemão Arthur Schopenhauer dizia que, perto do fim da vida, temos a chance de olhar para trás e contemplá-la. Dessa maneira vamos perceber como cada evento, que se acreditava ser apenas uma nota isolada e sem relação com as outras, na verdade fazia parte de uma grande e bela sinfonia.



Do caos à prática

Sempre vai haver alguém para tentar explicar o significado da existência, mesmo afirmando que ela não tem sentido algum. Um dos maiores exemplos da ala dos que defendem o absurdo total é o grupo anárquico de comediantes inglêses Monty Python. Esse tema também interessa o inglês Julian Baggini, historiador da filosofia. Ele escreveu o livro Para Que Serve Tudo Isso?, em uma tentativa de esclarecer o que os filósofos já falaram sobre o sentido da vida. Que, para ele, como para seus compatriotas do Monty Python, não tem significado algum.

Depois de afastar a possibilidade da existência de um universo com propósito e significado já no primeiro capítulo e, com isso, a negar a hipótese de Deus (não é preciso concordar com ele, por sinal), Baggini reconhece: “Temos que sair e viver a vida, e não conseguiremos fazê-lo se estivermos pensando inutilmente ‘para que serve tudo isso”.

Em vez de se perder em definições, o autor propõe algo bem mais prático: amar. “O amor – em todas suas formas – é uma das coisas que fazem com que valha a pena existir”, afirma Baggini. Com ele é mais fácil enfrentar a fragilidade e a imprevisibilidade da existência. Num dos seus contos, outra vez o escritor russo Leon Tostoi dá as chaves para que a vida tenha sentido: priorizar o que está acontecendo a cada instante, considerar como a mais importante do mundo a pessoa que está a seu lado naquele momento e fazer tudo que estiver ao seu alcance para torná-la feliz.


Ou, como diz Robin S. Sharma no livro Descubra seu Destino, ouvir o chamado do seu propósito de vida, transformar as provações diárias em experiências recompensadoras e saber amar. Nas palavras de Baggini, degustar a vida e vivê-la com amor.

Veja uma seleção de trechos no Youtube do filme O Sentido Da Vida do grupo de comediantes inglês Monty Phyton.


 

Escrito por Liane Alves via Vida Simples

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