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A fé é um tecido bonito que cobre o coração…

Tenho aprendido o real sentido da oração, aquele bate-papo com Deus que a gente faz em silêncio, sabe isso?



Tenho compreendido como a fé é transformadora (e reveladora). Acho que o mais incrível da fé é a forma como ela nos movimenta, mais do que qualquer outra coisa.

A fé não evita os fatos, não impede os transtornos ou os acidentes do percurso. O que a fé faz é mudar a nossa forma de viver esses momentos. É uma força magnética que vem de dentro e que nos faz acreditar que as coisas darão certo, ainda que o caminho seja doloroso.

Mais do que isso, a fé nos faz resilientes, não acomodados. Essa força também nos deixa mais fortes, mais inteligentes, menos ligados ao que não importa tanto, sabe? O que antes parecia impossível suportar, sei lá, parece que a gente entende que faz parte do caminho.

E a gente percebe mais longe, vê o que antes não via, ouve aquilo que nunca nem imaginou e aprende que o silêncio e a sabedoria andam de mãos dadas. E o relógio que transparecia pressa agora parece que gira no tempo certo das coisas.

A fé nos faz entender o tempo certo das coisas, a velocidade dos contratempos e a diferença entre o que podemos modificar e aquilo que não vai mudar.

E tudo o que a fé nos oferece também nos dá uma porção de outros poderes essenciais para compreender o sentido da vida.


Não todo, claro. Todo o sentido da vida quem sabe é o cara lá de cima e entenda “cara lá de cima” como aquilo que move a sua fé. Oxalá, Alá, Jeová, Buda, Deus, sei lá. Não importa para quem você ora, mas a maneira como faz isso.

Quanto mais para dentro a gente reza, mais longe vai a prece. E esses outros poderes que a fé nos dá são pilares que nos ajudam a encontrar o equilíbrio, a acreditar no que não podemos tocar e a levar das coisas apenas aquilo que nos faz melhores.


A fé é um negócio louco que nos joga pra cima e nos propõe uma nova direção: sair do espaço pequeno e angustiante onde mora o pessimismo e fazer um belo ninho na grandiosidade que é acreditar mais e melhor todos os dias.

Sei que a esperança tem seus dias de reclusão e pra onde quer que a gente olha, qualquer canto, não acha. Mas ó, é assim mesmo. A fé é um jeito bonito de continuar, é uma maneira bacana de levar os amigos e todos os outros que amamos.

A fé não se compra no barzinho da esquina, eu sei. Bom mesmo seria se fosse ao contrário. Afinal de contas, pílulas de fé salvariam o mundo, tenho certeza.

Porém, também tenho certeza que há saída para aquilo que não vende na farmácia.

A fé não é vendida em lugar algum. Mas, e graças a Deus, tenho uma boa notícia: a fé se multiplica. É feito sorriso – que sempre pode ser passado adiante. Quando entendemos que podemos repassar a nossa capacidade de acreditar, acredite, tudo fica ainda maior.

A fé é contagiosa e isso não tem nada a ver com a multiplicação dos pães e peixes – nem nada que esteja em livro algum. A fé não é religião, nem perto disso. A fé é amor e amor não tem tipo, nem credo específico, nem cor, nem templo, nem nada que possa ser visto a olho nu.

A fé é a capacidade de acreditar na vida da gente, no futuro da gente e na gente que anda com a gente. Ter fé é dar crédito aos dias, ao tempo e ao nosso Deus, tenha ele a cara que for. A fé é uma capa bonita do tipo que protege da chuva, do vento, do frio.

É, acho que tenho matado a charada.

A fé é mesmo uma capa de tecido bonito, tecido esse que não veste o corpo, mas cobre por completo o coração.

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Direitos autorais da imagem de capa: saiyood / 123RF Imagens

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