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Fibromialgia: ‘’doença da preguiça’’, dizem eles…

Faz em Maio um ano que me foi diagnosticado fibromialgia. Tinha, apenas, 28 anos. Sim! Dá para acreditar?



28 anos, sonhos mais que muitos (sempre fui sonhadora), ambições, planos, projetos de vida, e naquele minuto tudo muda. Sabes aquela sensação que achas que só acontece aos outros? Pois, mas não!

Após meses e meses de dores que ninguém conseguia identificar, de estados espirito que variavam consoante, tanta vez, o tempo, de cansaço extremo, de dores de cabeça que pareciam durar semanas (para quem tinha uma num ano), de visão a piorar de dia para dia, de articulações a doerem, de pedir autorização ao corpo para se mexer… é-me diagnostico.

Uma verdadeira bomba foi o que senti, não por ter uma doença, mas sim por ser crónica. Por saber que, ainda, não há cura, por saber que tão pouco se sabe sobre ela, por saber que os tratamentos passam, tantas vezes, pela toma de ansiolíticos para suportar as dores. Algo que me recuso a tomar!


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Lembro-me de sair do consultório de rastos, como se me tivessem tirado o chão e eu caísse no vazio. Cheguei ao carro fiz todas as perguntas e mais algumas a mim mesma ou, sei lá a quem que me pudesse ter ouvido naquele momento. Fiz a viagem para casa e quando cheguei tinha tomado uma decisão, “não vou desistir de mim. Isto não me vai vencer.”

Enquanto, ainda, tentava digerir a ideia, tentava ser forte para que ninguém se apercebesse, tentava mentalizar-me de toda a situação, eis que conto o que se estava a passar. E tive azar, pois escolhi a pessoa errada para o fazer. Primeira reação foi “Ah já ouvi falar disso. É aquela doença do pessoal que não quer fazer nenhum”. Confesso que, naquele momento, fiquei dessolada. Como pode alguém que não sente dores durante 24 horas por dia, 7 dias por semana, que não sente cansaço extremo, que, felizmente, não tem doença nenhuma, poder dizer algo tão absurdo?


E foi exatamente isto que pensei, “algo tão absurdo”. Só alguém ignorante e imaturo o poderia fazer. Então levantei a cabeça e continuei só a admiti-lo para mim.

Hoje falo abertamente sobre a doença pois ao faze-lo posso, também, estar a ajudar alguém. E é essa a razão de o escrever aqui. Para que possa ajudar ou mesmo inspirar, quem sabe…

Como lido com ela no dia-a-dia?

Comecei a auto motivar-me, a fazer pequenas coisas que elevam-me a autoestima e que me fazem levantar a cabeça.

Para os que não sabem, quem sofre desta doença por norma tem a autoestima muito baixa porque muitas das vezes sentimo-nos inúteis, um peso para quem quer que seja, principalmente para nós mesmos.

Lembram-se que disse que não desisti de mim? Pois é! Então continuei a praticar desporto. A dar o meu máximo nos treinos, porque não quero ser a coitadinha, quero estar ao nível dos meus colegas, quero conseguir superar-me, quero ser um exemplo para mim própria. Então dou tudo!

E quando há aquela sensação que acho que não vou conseguir respirar, que as pernas já tremem, os braços estão pesados e mesmo assim continuo, então sei que me superei. Saio radiante, com toda a motivação para no dia seguinte voltar. E quem sabe se no dia seguinte ainda consigo fazer mais, ainda consigo levantar mais peso, correr mais rápido, executar um exercício bem melhor do que ontem. E é isto que me motiva. O não baixar os braços, mesmo com dores, mesmo a achar que não vou conseguir, ir na mesma e fazer. Na realidade, já faço mais do que aqueles que por pura preguiça ficam deitados no sofá. E só isso dá-me uma força enorme.

Naqueles dias que custa imenso a levantar, pois o cansaço é tanto após uma noite de sono, ou de suposto sono, obrigo-me a levantar-me. Obrigo-me a enfrentar mais um dia, a repetir vezes sem conta, “isto não me vai vencer”. E são exatamente nesses dias que me arranjo melhor, que faço uma maquilhagem diferente, que estico o cabelo, que me coloco realmente bonita. Porque são nesses dias que preciso de me elogiar, de me mimar, de me dizer “estás linda”.

São nesses dias que o cansaço é tanto que quase que fecho o olhos a conduzir, que não tenho vontade para nada a não ser estar na cama o dia todo, que mal consigo ver-me ao espelho, que calços os ténis e se não conseguir correr, então vou andar. Tenho que sair, tenho que me obrigar a fazê-lo. E porquê? Porque isto não me vai vencer.

A fibromialgia não mata, mas se não nos obrigarmos a ir em frente, arranca-nos todos os dias um pouco de nós, deixa-nos mais vulneráveis, mais frágeis, mais tristes, mais frios, mais tudo o que não é de bom. Então se for o teu caso, obriga-te a combate-la, obriga-te a não desistires de ti, obriga-te a dizer “Fibro podes já desistir porque eu não o vou fazer”. Obriga-te a seres feliz todos os dias, mesmo com dores, mesmo com cansaço, mesmo a chorares, mas obriga-te a nunca jamais desistires de ti.

Se não for o teu caso, ainda bem, mas se conheceres alguém com esta maldita, apoia-a todos os dias, diz como ela é capaz de se superar, faz senti-la bem, faz senti-la especial, faz senti-la uma grande mulher. Porque o é! É tudo isto! Mas faz com que ela o sinta. Ouve-a. Ouve todas as suas angústias, deceções, questões, indecisões. Faz com que ela se sinta forte. Calça-lhe uns ténis e vão dar uma caminhada, desafia-a. E vais ver que a superação que ela vai sentir é o melhor analgésico ou ansiolítico que pode “tomar”. Nunca duvides do que ela diz, porque acredita que ela nem conta metade do que está realmente a sentir. Transmite-lhe confiança, está lá nos momentos mais complicados, nos momentos mais duros, mas também nos momentos de superação.

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Festeja cada vitória dela. Dá-lhe força! Faz-lhe acreditar que juntos irão vencer. Porque quem tem esta doença não precisa que ninguém tenha pena, aliás é tudo o que ela não quer. Precisa é que alguém esteja consigo, que a faça acreditar que é possível ser feliz, que é possível se superar, que é possível vencer.

Nunca, jamais, desistas de ti!

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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