Pessoas inspiradoras

Filho de dependente química, que morou em lares de adoção, é aprovado em universidades dos EUA!

Yuri foi aprovado aos 22 anos e fará duas graduações simultaneamente, em Políticas Públicas e Engenharia, com início em agosto deste ano.



Cada vez mais temos percebido como o acesso ao ensino superior tem recebido pessoas de diferentes realidades. O acesso segue sendo majoritariamente para as elites brasileiras, mas sempre que vemos pessoas pobres, negras, indígenas e das mais variadas minorias sociológicas, sentimos felicidade por compartilhar um pouco dessa conquista.

A educação não deve ser um privilégio apenas para alguns poucos brasileiros, e sim uma ferramenta para transformação, para que todos possam ter plenas condições de mudar suas realidades e as de seus familiares. O jovem de 22 anos, Yuri Costa, foi o primeiro integrante da sua família a concluir o ensino médio e, claro, a inaugurar a lista dos que vão fazer faculdade.

Yuri foi aprovado para estudar na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e sua história surpreende a todos, tanto pelas provações quanto pela resistência que ele precisou ter para seguir.


Filho de uma dependente química, ele precisou deixar sua casa quando tinha 6 anos para morar em um abrigo e, segundo reportagem do Globo, aos 11 passou a morar em um lar de adoção temporária.

O jovem optou por fazer duas graduações simultaneamente, e vai cursar Políticas Públicas e Engenharia, dando andamento a tudo que vem construindo e percebendo afinidade ao longo dos anos. Durante o ensino médio, Yuri deu início, junto com os amigos, ao Projeto Cidadania, Inovação e Diversidade (CID), que tinha o objetivo de minimizar os índices de evasão escolar.

Para seguir o caminho dos estudos, Yuri recebeu apoio e incentivo de várias pessoas, como a diretora de sua primeira escola, sua mãe social, a psicóloga e a assistente social. Durante a infância, em Juiz de Fora, Minas Gerais, ele precisava ir à escola para conseguir se alimentar, realidade de muitos brasileiros, que foi prejudicada com o fechamento das escolas públicas durante a pandemia.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


Quando completou 6 anos, a Vara da Infância e da Juventude determinou que a mãe deveria perder a guarda dos filhos, já que era usuária de drogas e não tinha condições de cuidar adequadamente das crianças naquela ocasião. Após tantos anos, Yuri já não tem mais tanto contato com a família biológica, e assim que saiu dos cuidados da mãe, foi morar em um dos abrigos da ONG Aldeias Infantis SOS Brasil.

Naquele local, ele conseguiu ter acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além de condições de estudar e ainda fazer natação. Naquela ocasião, Goreth, que cuidava de cerca de 10 crianças que moravam no abrigo, tornou-se a mãe social de Yuri, desempenhando um papel essencial em sua vida, o de incentivá-lo nos estudos.

Um dos planos era colocá-lo num colégio técnico, quando fosse cursar o nono ano, estratégia essa que o jovem acredita ter sido a primeira grande virada da sua vida. Quando fez 11 anos, a mãe social, que ele chamava de tia Goreth, faleceu e ele foi morar com sua primeira família adotiva, onde ficou até os 16 anos.

Como não conseguiu se adaptar, foi adotado por outra família. Quando concluiu o ensino fundamental, decidiu realizar o sonho da mãe social, sendo aprovado para estudar no Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais.


Ele criou, junto com os amigos, o Projeto CID, mas tinha a ideia de expandir a área de alcance, chegando a realizar palestras e discussões também em escolas públicas. Em 2019, submeteu seu projeto para o programa global Watson Semester Accelerator, do Instituto Watson, que tem o objetivo de auxiliar os jovens no aprimoramento e amadurecimento dos seus projetos.

Assim que concluiu o ensino médio, Yuri começou a trabalhar na área de telemarketing, quando sua psicóloga Ana Maria de Paula e sua assistente social Angélica Perissinotto, que já lhe pagavam um curso de inglês, convidaram-no para fazer parte de um projeto para ajudar pessoas que viviam em abrigos. Nesse momento, ele percebeu que poderia atuar como uma voz de referência para pessoas que passam pela mesma situação dele um dia.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Com o Instituto Watson, teve sua primeira experiência fora do Brasil, onde estruturou o Projeto CID, e quando voltou, começou a se preparar para estudar no exterior. Ele recebeu ajuda de uma bolsa da consultoria educacional Crimson Education, que realizou o processo de aplicação para as faculdades, além de auxiliar com a documentação. Além da aprovação na Universidade de Duke, Yuri foi aceito na Northwestern University.


Yuri terá direito à moradia, alimentação, plano de saúde, auxílio transporte e não vai pagar pela faculdade. Quando fala sobre sua trajetória, o jovem atribui seu sucesso a todas as pessoas que o   ajudaram, da forma como puderam, para que ele chegasse até aqui. Sem essa ajuda, ele afirma que jamais conseguiria colocar os sonhos em prática.

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