Luiz Flávio D'Urso rebate filme sobre Elize Matsunaga e traz novos detalhes do caso
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A família de Marcos Matsunaga, representada pelo advogado Luiz Flávio D’Urso, contesta a versão apresentada em uma produção audiovisual, apontando inconsistências no enredo, a favor da condenada Elize, e detalhes técnicos sobre a morte de Marcos. Eles também questionam a representação do relacionamento familiar e a si...
Resumo do conteúdo
O que se sabe
FAQ editorial
A família do empresário Marcos Matsunaga decidiu se manifestar para questionar a maneira como o assassinato do herdeiro da Yoki foi apresentado em uma nova produção audiovisual. Representados pelo advogado Luiz Flávio D’Urso, os pais da vítima indicaram supostas inconsistências no enredo, contestaram a representação do relacionamento familiar e apresentaram detalhes técnicos sobre os últimos momentos do empresário, morto em 2012.
De acordo com a defesa da família, a obra constrói uma versão considerada favorável à mulher condenada pelo crime.
“O filme é uma obra de ficção, ele não retrata o que realmente aconteceu e o que veio à luz durante o processo. Este filme traz uma posição favorável à Elize”, afirmou Luiz Flávio D’Urso durante participação no programa de Paulo Mathias.
“Quem conhece o processo vai verificar que tem muita coisa que não bate. A família não interferiu em momento algum, aliás, nem no júri, todas as vezes que tive contato com eles foi no sentido de: ‘confiamos na justiça, queremos um resultado’. E o resultado tá aí, ela foi condenada.”, frisou Dr. Luiz Flávio D’Urso.
Outro aspecto questionado pelos pais de Marcos envolve a forma como o ambiente familiar e o comportamento do empresário foram representados. Segundo a defesa, a produção teria criado uma percepção de desprezo que não correspondia à realidade, pois Elize teria sido acolhida pelos familiares do marido.
“Sob o ponto de vista da família, aquele momento que tem o casamento, onde os parentes do Marcos tratam a Elize, há uma ideia de menosprezo, quando isso não aconteceu, ela foi completamente acolhida, amparada pela família”, destacou o advogado.
D’Urso também declarou que não existiriam relatos de comportamento agressivo por parte de Marcos. Para sustentar a afirmação, o advogado mencionou o próprio depoimento de Elize sobre o tratamento recebido durante o relacionamento.
“Sob o ponto de vista do Marcos, não há uma testemunha que diga que ele foi rude com ela. A própria Elize disse, ele nunca me encostou a mão, sempre me tratou muito bem. Esse comportamento de tratá-la com tanto cuidado que o levou a se casar sabendo quem ela era, de onde ela vinha.”
A principal divergência levantada pela família está relacionada ao momento em que Marcos morreu. Conforme os laudos periciais mencionados pelo advogado, a morte não teria sido provocada diretamente pelo tiro disparado contra a cabeça, mas pela degola iniciada enquanto a vítima ainda estava viva e respirava.
“O que mais me impacta no que diz respeito a alteração da realidade, é o início do esquartejamento. Depois do tiro na cabeça, ela começa a esquartejá-lo. Ele não morreu em decorrência do tiro. Ele morreu em razão de asfixia por aspiração de sangue em razão da degola. Isto significa que ela começa a esquartejá-lo, ele ainda estava vivo. Em coma, mas vivo. Quanto tempo ele ficou em coma não se sabe. Isso em medicina legal não tem dúvida!”, explicou o representante dos Matsunaga a Paulo Mathias.
Na avaliação da defesa dos pais de Marcos, o assassinato teria sido planejado. Durante a entrevista, o advogado recordou atitudes atribuídas a Elize antes e depois do crime para contestar a versão de que tudo teria acontecido durante um episódio momentâneo de descontrole emocional.
“Tem detalhes que não vieram no filme, por exemplo, a serra elétrica que ela compra quando volta da viagem de família para São Paulo. Ela quando vai viajar para lá leva a babá e a nenê e deixa um pessoal para fazer a comprovação da traição”, relembrou D’Urso.
“Ela queria a prova. Então, ela vai viajar e de lá quase que fazia direção cênica da coleta de provas, ela foi dirigindo essas provas todas para uma finalidade: a de convencer a família que ele havia abandonado a Elize e a filha objetivando ficar com essa amante. Ele some em razão do homicídio, mas para a família dele, a Elize diz: ‘ele fugiu com a amante, me deixou aqui com a filha e me abandonou’.”
Segundo o relato apresentado no programa, Elize teria criado indícios falsos para sustentar a versão de que havia sido abandonada pelo marido.
“Depois ainda veio um e-mail dele para a secretária da empresa para que a secretária dissesse para a mãe e para a Elize que ele não podia fazer comunicação nesse momento, mas estava bem. Tudo isso foi montado pela Elize para dizer nesse enredo que ela construiu: mato, fico impune e fico no seio da família usufruindo de uma fortuna. Só que não deu certo, se ela tivesse conseguido ir pro Paraná com os pedaços dele, dificilmente esse crime seria desvendado.”
O advogado também rejeitou a alegação de que Elize teria interrompido a tentativa de levar o corpo para o Paraná porque a filha do casal apresentou uma febre repentina.
“A bebê não estava doente, não tem nada disso. Quando inicia a ida para o Paraná, ela queria distribuir os pedaços, se isso fosse feito no Paraná não haveria ponto de contato com o desaparecimento de alguém aqui, tornaria a solução do caso muito mais difícil”, esclareceu.
Segundo a defesa, a mudança de planos teria ocorrido depois de uma fiscalização policial na estrada, motivada por uma irregularidade na documentação do veículo.
“Ela só desistiu de ir pro Paraná porque foi parada pela polícia e ficou com medo.”
Elize Matsunaga foi condenada a 16 anos de prisão pelo homicídio e pela ocultação do cadáver. Desde 2022, ela cumpre a pena em regime aberto e mora no interior de São Paulo, onde trabalha com a produção e a venda online de roupas para animais de estimação.
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