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Fim de ano: a autocrítica é difícil, mas gratificante!

A autocrítica e autovalorização andam juntas, o que nos ajuda a conhecer o self, que para Jung é uma imagem arquetípica do potencial mais pleno do ser humano, ou seja, da nossa totalidade.



A negação é um mecanismo de defesa inconsciente, que usamos para negar a existência de algum sentimento, desejo, fantasia ou pensamento incômodos.

Por exemplo, o discurso de que “não quero sobrecarregar os outros com os meus problemas” é uma forma de não demonstrar que temos falhas ou fragilidades.

Todos nós, em certas fases da vida, já recorremos à negação por não aceitar que a realidade possa ser dolorosa, de tal modo que a escondemos pela racionalização e justificação. Aliás, existem pessoas, grupos e instituições que se negam a fazer autocrítica, visto que é um processo de análise crítica que cada qual precisa elaborar sobre os seus atos, considerando os seus erros e a correção de cada um.


Porém, embalados pelo frenesi do fim de ano, ensaiamos a autocrítica e, ao mesmo tempo, negamo-nos a fazê-la, porque ela exige esforço mental, emocional e moral. É um movimento psíquico que consiste no encontro consigo, na busca de melhores escolhas para aprimorar o nosso desenvolvimento humano e espiritual.

Por outro lado, surge a negação por pensamentos negativos, que sussurram em nossos ouvidos: “morremos para vida”, “não é possível mudar”, “somos vítimas do destino”, “não temos poder sobre o mal”, “este mundo não vale a pena”, “nada dá certo no que eu faço”, “eu ferrei tudo”, “só me resta a morte”, etc.

Assim se impõe a velha máxima do derrotismo: “Nada está tão ruim que não possa piorar.”

É nesse roteiro que a autossabotagem nega a capacidade dos indivíduos de serem eles mesmos, como afirma Augusto Cury:


“O pessimismo é um câncer da alma.”

Por vezes, as pessoas se utilizam da crítica destrutiva, uma vez que desde a infância e adolescência foram pressionadas, exaustivamente, pelos pais para atingir metas, sendo assim acreditam que os seus erros são imperdoáveis. Há pesquisas que apontam que profissionais e organizações estão em estado de negação por pensar que seus planos ou projetos nunca são bons o suficiente, criando dificuldade para lidar com o inesperado.

No entanto, para sair do esquema de negação, é preciso entender que a autocrítica é uma aliada na busca do crescimento e do equilíbrio, pelos quais aprendemos a identificar com franqueza os erros e acertos, no sentido de formular novas perspectivas e habilidades úteis para toda a vida.

Por conseguinte, a autocrítica e autovalorização andam juntas, o que nos ajuda a conhecer o self, que para Jung é uma imagem arquetípica do potencial mais pleno do ser humano, ou seja, da nossa totalidade.

Contudo, existem indivíduos e instituições preocupados em ver nos outros apenas defeitos, e há ainda os perfeccionistas, que exigem muito de si próprios e só enxergam imperfeições no seu íntimo.

Portanto, o negativismo e a negação são atitudes e sentimentos corriqueiros, que se aproveitam das nossas emoções adversas, como ódio e o amor.

Esse exagero é ruim, o correto é o bom senso, pois quem se critica o tempo todo não percebe o lado positivo de suas ações e se torna o seu maior inimigo. É como disse Jean Paul Sartre: “A negação é a recusa da existência”.

Enfim, é fácil “julgar o livro pela capa”, é fácil fazer a crítica, é fácil reclamar, entretanto, o processo de autocrítica tem ligação com o autoconhecimento.

Então, quando refletimos com honestidade, conseguimos avaliar os nossos pontos fracos e fortes, que nos permitirão mudar os rumos da nossa jornada material e espiritual neste mundo. É difícil, mas é gratificante!

 

Direitos autorais da imagem de capa: Dominic Sansotta/Unsplash.

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