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Fim de ano, que seja mais do que retrospectiva…

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Fim de ano! Que seja mais do que retrospectiva…



É comum, ao findar um ano, as pessoas fazerem uma retrospectiva. Visualizando a série de acontecimentos decorridos, acontecidos ou não evoluídos no período dos últimos doze meses. Escrevem relatos, descrevem casos e causos. Por fim, vão tentar ver sempre o lado bom nas coisas e criar uma nova lista para o ano seguinte. Inserindo tudo que ficou pra trás, mas que ainda pretende-se… Quem sabe um dia, começar, terminar, continuar…

Uma lista de mudanças na carreira, na casa, na vida pessoal, familiar e até emocional. Mesmo não tendo certeza, porque um novo ano promete sempre uma mudança. Nós é que não conseguimos cumpri-la ou realizá-la. A lista. Não necessariamente a mudança. Porque um pouco, esperamos que a mudança comece do lado de fora. Nos outros.

Estava fazendo aquela faxina de fim de ano, em que quase desmonto a casa, tiro tudo do lugar e algumas coisas, ainda que sejam os pequenos enfeites, acabam mudando de posição na volta.


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Começo sempre um cômodo de cada vez. Uma parte da casa por vez. Assim como aquela frase que cansamos de ouvir e dizer “um dia de cada vez”. O colchão assume uma posição vertical, o guarda-roupa, vai pra horizontal. E que ironia olhar para um Baguá na planta da casa, é a combinação dos relacionamentos. Um quarto simples (assim como a dona?), limpo e arejado. Simples, mas suficiente. Pra ser por si só, a medida exata e ponderada do que é realmente necessário. Os raios do sol esquentam a cama, e, muito provavelmente são os causadores da minha insônia, dos sonos agitados. Faz parte. Alguma coisa tem que dar errado quando se tem luz natural, luz própria. Porque sobra energia. Que continue sempre assim.

Retrospectiva nesse espaço, não tem nada de retrô. A inspiração não vem do passado.

Depois é a vez da sala. Sucesso e prosperidade ficam lado a lado nas combinações para harmonização de ambientes. Isso pode justificar o fato de dizerem que a minha casa é muito “boy”. Tirando as miniaturas que ganhei dos parentes, amigos e nas viagens, tudo é bastante futurista e muitos recursos tecnológicos. Muitos discos de filmes e shows e jogos. E não poderia faltar o suporte dos livros publicados. Os pessoais. De outros autores ficam na biblioteca do escritório. Mas já vamos chegar lá. No quinto dia. Da limpeza. Porque é inevitável não acessá-lo diariamente. Sucesso e prosperidade. Por isso sinto-me tão bem nesse espaço. Deve ser a prosperidade. Assim como os votos para o Ano Novo. De que seja “Próspero Ano Novo! ”. Passarei mais tempo na sala a fim de que assim seja!


Retrospectiva aqui é só olhar o saldo positivo no banco e as muitas mensagens dos fãs em todas as redes imagináveis. Os contatos foram promissores. Novos amigos, porções de desafios…

Terceiro dia: banheiro. Está sempre branco, sempre limpo desde que foi totalmente reformado. Eu jamais teria coragem de tomar um banho ou sentar no vaso antes da reforma. Mesmo depois de o terem limpado, bem limpinho. A sensação era horrível. As imagens antigas voltavam o tempo todo. Branco. Totalmente. Os detalhes das luminárias – do teto e do espelho – são na cor prata, bem como os porta-alguma-coisa: papel, toalha, shampoo, sabonete. Área da família. Que lugar para ser a energia da família. Posso até ser a rainha do vaso, mas saindo dali, devo esquecer os bons modos e deixar o filho comandar boa parte da programação da casa, como horário de acordar, comer, assistir TV, jogar. A ‘bola da vez’ foi ouvi-lo dizer no dia do aniversário que estava na hora de ele ter um celular para receber as mensagens de felicitações que até então estavam sendo enviadas para a mãe dele. E assim a gente percebe que o tempo passa muito mais rápido para as crianças. Nós continuamos jovens com certa dificuldade de “controlar o lar”. É isso, definitivamente, precisando de atualização para continuar no poder após sair do banheiro.

Com isso, podemos dispensar a retrospectiva.

O corredor que não tem nem 1x1m, é o centro do equilíbrio, concentra todas as passagens. Se entrar na minha lista do próximo ano “meditar mais”, esse vai ser o local adequado para posicionar uma almofada e tentar treinar a respiração e controlar os pensamentos. Tentar é um bom começo. Afinal, tudo tem que iniciar por algum lugar, em algum momento.


Retroexpectativa?! Já perdi as contas de quanto tempo faz que eu tento, tento mesmo fazer essa bendita de meditação e respirar fundo. Sei lá o que acontece, mas tenho a sensação de asfixia. Penso na boca fechada (e para quem respirou muito tempo com a boca aberta quando criança) e lembro-me de abri-la para puxar o ar como se estivesse recuperando o ar que faltava. Eu, que me acostumei a não cheirar as flores para não ter uma crise de espirros por conta da alergia a pólen, aprendi que há uma respiração que de tão sutil, é a mais profunda e realmente nos deixa em estado de contemplação. Olhando atentamente para o que acabo de afirmar, puxa, eu finalmente consegui meditar. Algumas vezes. E faz um bem danado de bom. Sem contraindicações. Super recomendo.

Penúltimo cômodo. Porque não necessariamente trata-se do penúltimo dia. A cozinha. Conjugada com a área de serviço. Área da sabedoria. Agora está explicado o motivo de gostar tanto de entrar pela porta da cozinha (é que tem uma na sala também). Não tem muito que mudar os móveis de lugar, pois ela já é funcional. Só acontece um arrastar de um lado depois pra outro até não sobrar um floquinho de pó nem no teto. Se bem que já me acostumei com a ideia de que por mais que tenha terminado de limpar a cozinha, em poucos minutos, a vassoura estará lá, passeando por ela novamente, pois o vento faz uma volta incrível no canto onde o muro é alto pra trazer o pó de fora pra dentro. Ter o piso claro causa isso.

Retroperspectiva história cerebral…. Foram mais de 250 livros lidos. Sem contar os textos soltos por aí. Entram na contabilidade do mundo das palavras, os prefácios, posfácio, revisões e orientações. Acabei não contando as produções individuais, mas giram em torno de 500, divididas entre os gêneros da poesia, da crônica, da paródia, do aforismo e outros projetos literários. Reconheço que escrevi pouco e vou culpar o ano e seus percalços. Prometo que é só dessa vez. Não vai acontecer mais. Entra na lista atender aos pedidos dos leitores de “não parar de escrever” e “continuar inspirando”.

Último cômodo. O escritório. Sempre leva mais de um dia. Também pudera, juntam-se aqui, o trabalho e os amigos. Duas áreas relacionadas ao movimento e à ideia de continuidade. Não poderia ser tão simples, tão rápido e tão objetivo. É mais do que vida profissional, se conecta com a rotina diária. Querendo ou não. É mais do que um círculo de amizades. Entram também as pessoas que chegam devagar, que chegam pra ficar, de pessoas que apenas passam por nós. As pessoas que nos atingem de alguma forma, seja ouvindo ou reclamando. São todas as pessoas que nos ajudam. Sabe aquele “anjo que caiu do céu”? Quando você mais precisa? Sem esquecer as viagens. Ah, as viagens… Pra perto ou pra longe, num livro ou na tela plana, na imaginação… As viagens de carro, de ônibus ou de avião. As viagens da alma e do coração.


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Que seja mais do que retrospectiva. Além da análise ou vista do que passou. Que seja mais uma iniciativa numa linha contínua do processo que vai narrar nossa história traçando um paralelo entre os fatos anteriores intercalados com nossas ações no presente.

Afinal, o flashback é só uma interrupção na sequência cronológica, que acontece de forma tão rápida, e a vida é este momento que temos agora.


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