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Foguete deve colidir com a Lua nas próximas semanas, alertam especialistas

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Lançado há sete anos, um foguete SpaceX, da empresa de Elon Musk, está previsto para colidir com a Lua no dia 4 de março.

Nas próximas semanas, o Falcon 9 está previsto para colidir com a Lua em seu lado oculto, podendo criar uma cratera que alguns especialistas classificam como “empolgante”. Mas o foguete lançado pela SpaceX, da empresa de Elon Musk, não tinha a intenção de parar no satélite natural, mas depois de sete anos em órbita, foi afetado pelas gravidades da Lua, do Sol e da Terra.

Segundo reportagem do New York Times, o acidente conseguiu ser previsto por astrônomos amadores, que perceberam que 4 t da parte superior do foguete devem colidir com a Lua no dia 4 de março deste ano, tudo com base em cálculos e projeções. O impacto está previsto para as 9h25 (horário de Brasília), mas os cientistas ainda não sabem se é a hora precisa, assim como não sabem o local exato da queda, mesmo assim têm certeza de que a peça não vai perder o satélite de vista.

O desenvolvedor do Projeto Plutão, Bill Gray, explica que a probabilidade de colisão é alta, podendo errar apenas por alguns minutos e alguns quilômetros. Ele criou softwares astronômicos que atualmente são usados para calcular órbitas de cometas e asteroides. E a notícia é que este, provavelmente, não será o último objeto a voltar para a órbita terrestre.

Assim que a era espacial teve início, muitos artefatos foram lançados no sistema solar, mas nenhum cientista, especialista ou engenheiro imaginava que eles voltariam. Mas realmente, em alguns casos, eles acabam retornando para a Terra, assim como em 2020, quando um objeto misterioso recém-descoberto não passava de um foguete lançado em 1966 nas missões de Surveyor da NASA.

Missão

O Falcon 9 foi lançado em 2015, pela Força Aérea dos Estados Unidos, numa missão do Observatório Climático do Espaço Profundo (DSCOVR). Em parceria da NASA com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a Força Espacial dos EUA, o foguete concluiu sua missão e foi colocado em órbita de eliminação heliocêntrica da Terra.

Os especialistas explicam que, na maioria das vezes, o estágio superior de um foguete Falcon 9 é empurrado de volta para a atmosfera terrestre assim que deixa sua carga na órbita, evitando muitos destroços soltos no sistema solar. Mas esse estágio superior precisava de todo o seu propulsor para sua tarefa, então ficou em uma órbita bem alta e alongada ao redor do planeta, sofrendo interferências da órbita da Lua.

Todos os detritos que ficam na parte mais baixa da órbita da Terra ganham atenção especial, isso porque existe um grande risco de colisão com os satélites e até mesmo com a Estação Espacial Internacional. Mas quando um objeto fica na parte mais distante da órbita terrestre, é esquecido, sem receber o monitoramento adequado.

No dia 5 de janeiro deste ano, Gray percebeu que essa parte do foguete passou a cerca de 10.000 km da Lua, dando a entender que a gravidade do satélite natural estava interferindo no objeto. Semana passada, a pedido do especialista, alguns astrônomos amadores deram uma nova olhada, detectando que ele e a Lua vão colidir.

Neste mês, os astrônomos terão mais uma oportunidade de rastrear a parte do Falcon 9, fazendo novas projeções para então ele atingir em março a Lua em seu ponto mais distante, longe dos olhos humanos. Como o peso do objeto é estimado em 4 t de metal e esteja percorrendo a órbita a 20.520 quilômetros por hora, pode provocar uma cratera de 10 a 20 metros de largura.

Para os cientistas, esse acidente pode ser considerado “empolgante”, já que oferece a possibilidade de que a poeira lunar e o solo abaixo da superfície sejam finalmente investigados, algo impensável até esse fenômeno.

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