“fora da área de cobertura”, uma brincadeira de criança

Mãe de adolescente está sempre errada, na cabeça deles é claro. É bem difícil entender, mas é assim que me sinto. Tem horas que você precisa se lembrar de que você é a autoridade na casa. Caso contrário nossos filhos se esquecem disso e “tomam o poder”.



A geração de hoje em dia, parece que nasceu sabendo.  Receberam tantas informações, já quando estavam na barriga, que se tornaram pequenos e grandes sabedores de tudo. Pelo menos é assim que eles se enxergam.

Como é importante mostrar que isso não é verdade e também levar essa turma para ver que existe um Universo além da tela!

Atualmente, mesmo antes de qualquer novidade ser publicada, eles já baixaram o tal do app, já viram, já criticaram e você é sempre o velho na parada.  Só que O que eles não sabem e que nós esquecemos, às vezes, de ensinar, é que, mesmo com toda essa tecnologia e modernidade, tem algumas coisas que não mudam nunca. E que não aprendemos nas telas. Nossas emoções e sentimentos!

Vejo jovens cada vez mais despreparados e angustiados com suas emoções.  Sem saber como lidar com elas, bastante impacientes para tentar entender e aceitar que frustrações também fazem parte da nossa vida. Nem tudo é máquina. Essa é também nossa missão como pais.


Outro dia, eu estava em um bar e percebi que na mesa ao lado as pessoas sentadas de frente uma para outra se comunicavam pelos seus telefones. Todos estavam de cabeça baixa. Levanta a cabeça! Quase falei.  Mas fiquei ali só observando.  Muito me preocupa o que se está perdendo.   E isso está contagiando a todos.

Quem viveu em uma época diferente se lembra daquela troca de olhar que dava um frio da barriga?  A espinha toda arrepiava!   E quando o carinha que você escondia uma paixão secreta olhava e sorria para você?

E quando a garota que você passou horas ensaiando o que dizer para ela lhe sorri de volta?  Parece que naquele dia seu mundo ficava bem mais colorido.  E as paqueras que aconteciam enquanto disfarçadas nas brincadeiras de rua. Policia e ladrão, pique e pega e outras mais?  O fato é que algumas emoções são melhores e muito mais gostosas quando se está perto e principalmente quando se experimenta o contato.

Sei que posso parecer meio nostálgica e que cada época tem suas vivências, e suas coisas maravilhosas, mas procuro pedir  aos meus filhos é que tenham respeito e amor e que levantem as cabeças enfiadas em seus celulares quando alguém estiver falando com eles.


E confesso a vocês uma coisa. É bem difícil competir com esses aparelhos. O que me assusta é que isso já virou uma regra geral.  Não são somente os jovens.  Parece que muita gente vive hoje com suas cabeças voltadas para o chão.

No carro, atravessando a rua, no metrô, nos ônibus, etc. Esquecemos que quando olhamos para baixo deixamos de olhar em outras direções onde há uma infinidade de belezas a nossa volta.

– Mãe, eu consigo escutar a conversa ao mesmo tempo em que estou aqui no telefone.

Às, vezes um dos meus filhos me responde:

– Mas isso não me interessa.

Levanta a cabeça, e olha nos meus olhos.

Cada vez mais essa turma acelera seus cérebros e perde a tal da conexão consigo mesmo e com seus sentimentos.

Sabe aquele momento do ócio criativo, no qual você ficava ali olhando para o nada e esperando que alguma ideia possa aparecer?  Nem que seja uma ideia abobalhada de tocar da campainha na casa do vizinho e sair correndo. Quem nunca brincou disso?  Chutar a bola na janela do outro e levar aquela tremenda bronca.  Coisas de criança.  Vejo crianças dentro de casa em suas telas e cada vez mais afastadas da verdadeira rotina infantil.

Durante as férias de meus filhos, algumas vezes propus uma brincadeira chamada: “Fora da área de cobertura”. Ela consistia em um dia inteiro sem tecnologia.  E eu deveria me incluir nisso. Sem telefone, TV, tablets e etc. 

Mas sabe de uma coisa? Até para mim mesma era muito difícil.  Fizemos por alguns anos e graças a isso jogávamos cartas, e brincávamos de jogos de tabuleiro.   E tínhamos que inventar uma série de coisas para fazer.  Mas vez ou outra eu me pegava ali querendo ligar o celular. E eram eles que me apontavam o dedo:

– Mãe, olha o exemplo!

Temos que olhar primeiro para nós mesmos.  Tentamos impor o limite, mas  fazemos o que dizemos para eles não fazerem.   Assim fica difícil.   Acorda criatura, seu filho é inteligente e percebe tudo! É justamente nessa hora que você perde toda a moral e eles crescem para cima de você.

Concordo que é bem melhor quando eles estão ali bem quietinhos em suas telas, mas quando ficamos cada um no seu canto perdemos a grande oportunidade de compartilharmos momentos inesquecíveis e que serão as estórias que iremos escrever e eternizar com nossos filhos.

Já faz um tempo que não fazemos o “Fora de área de cobertura”. Mas sabe de uma coisa? Escrevendo esse texto, eu me inspirei a retornar a fazê-lo e vivenciar a verdadeira conexão do amor com meus filhos.


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