Família

Forçados a abandonar a filha recém-nascida, pais deixam carta e conseguem reencontrá-la após 20 anos

A jovem cresceu em Michigan, nos Estados Unidos, sabendo que havia sido adotada, mas o que ela não sabia é que seus pais adotivos mantinham contato com os biológicos havia muitos anos.



No início dos anos 1980, a China colocava em prática a “política do filho único”, para controlar o aumento populacional do país, isso implicava em que cada família só poderia ter um filho, no máximo.

O controle demográfico criou milhões de órfãos, ou pior, fez com que muitas crianças simplesmente “desaparecessem”.

O casal Qian Fenxiang e Xu Lida tinham o que eles consideram uma ótima vida, segundo reportagem da BBC. Tinham acabado de ter uma filha, o emprego lhes proporcionava uma boa vida, mesmo sendo tempos de escassez, e eles sentiam que nada de ruim poderia acontecer. Foi quando Qian descobriu que estava grávida novamente, o que acabou aterrorizando completamente os pensamentos dos dois.


Eles não queriam, de maneira alguma, interromper a gestação, seu único desejo era ficar com a filha que estava a caminho, mas o controle era rígido e eles precisaram de alguns meses para conseguir pensar no que fazer. Mudaram-se para a casa do irmão de Xu Lida, na tentativa de esconder a gestação das pessoas mais próximas deles, tanto no trabalho quanto onde moravam.

O casal precisou fazer o parto da própria filha dentro de um navio, já que jamais poderiam ir a um hospital, onde com certeza saberiam que eles já tinham outra filha. Qian ficou com a filha por três dias, mas sabia que depois disso precisava tentar arrumar uma solução, e foi quando ela e seu marido decidiram deixá-la em um mercado.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@kati.pohler.

Qian nunca conseguiu olhar para trás, porque sabia que se olhasse jamais conseguiria abandonar a própria filha. Junto com ela, que estava adormecida, uma sincera carta, sobre o que levou àquela situação e pedindo aos futuros pais adotivos que a menina fosse levada, dali a 10 ou 20 anos, até a “Ponte Quebrada”, em Hangzhou (China).


Assim que foi descoberta no mercado, a menina, que havia recebido o nome de Jignzhi, foi levada para o centro de adoção em Suzhou. Em 1996, dez casais estadunidenses foram levados pela agência internacional de adoção Bethany Christian Services ao orfanato. Ken e Ruth Pohler se apaixonaram pela pequena assim que a viram, mas nem imaginavam que ela carregava algo muito delicado consigo.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@kati.pohler.

Seus pais biológicos haviam deixado uma carta muito sensível, na qual contavam o que os havia motivado a fazer aquilo, explicando que sempre a amariam e agradecendo aos pais adotivos por cuidarem dela. Além da explicação e do pedido para se reencontrarem dali a alguns anos, os novos pais ficaram pensando no que poderiam fazer, mesmo assim escolheram levar a menina.

Batizaram-na de Catherine Su Pohler, ou Kati, como é chamada, e ela teve uma adorável infância em Michigan, onde cresceu sem saber ao certo sobre seu passado. Assim que completou 5 anos, Kati começou a fazer perguntas que davam a entender que ela sentia que não havia nascido da barriga de Ruth, e os pais preferiram lhe contar a verdade, explicando que ela era chinesa.


Os anos se passaram e o reencontro de uma década não deu certo, mas desde então os pais biológicos passaram a manter contato com os adotivos, e eles seguiram por mais 10 anos, aguardando o dia em que Kati escolheria, por conta própria, saber mais de suas origens. Quando completou 20 anos, a jovem ficou muito curiosa sobre seu passado e começou a perguntar sobre tudo a seus pais.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@kati.pohler.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@kati.pohler.

Sabendo de toda a verdade e dos reais motivos de Qian e Xu a abandonarem, Kati se sentiu perturbada ao saber que seus pais adotivos já sabiam quem eles eram e nunca pensaram em lhe contar. Nesse momento, a jovem decidiu reencontrar os pais na “Ponte Quebrada”, afinal voltar às suas origens era algo que gritava dentro dela.


Mesmo sem saber uma palavra em chinês, o reencontro foi sublime e emocionante, e registrado em um documentário da BBC, o qual está disponível em plataformas on-line. No ano seguinte, Kati escolheu passar cerca de um ano com sua família biológica e, desde então, tem se sentido extremamente acolhida e sortuda por ter duas famílias incríveis e com as quais pode contar!

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