Formiga em árvore… – em uma conversa sobre a vida e seus labirintos…

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Em uma conversa sobre a vida e seus labirintos, suas poesias e suas agonias, com alguém muito especial ouvi uma graciosa versão sobre como somos formigas em imensas árvores.



Vou pegar emprestado essa inteligente interpretação de nós mesmos e usar no meu singelo discurso de final de ano.

A gente nasce formiga, formiga pequena, quase invisível, aparece sem saber o porque, sem saber a razão, a gente abre o olho e cai sobre nós todas as expectativas alheias, todas as esperanças já descrentes, todas as culpas e todas as desculpas, cai sobre nós também os amores, as razões, as dúvidas, as incertezas as fantasias e as alucinações ocultas.

O mundo; grandioso, perigoso, apaixonante, incerto e envolvente se apresenta. Formiga a gente é, o que fazer com tudo isso debaixo do nosso pé? Como nessa terra pisar? Para o céu olhar, todas as possibilidades enxergar e conseguir sair do lugar?


Na terra a gente coloca o pé, com dificuldade o olho a gente abre, muito a gente já escuta, pouco a gente pode argumentar, nada a gente pode contestar, apenas criar um jeito de se fazer amar, se fazer enxergar. Rodeado de formigas a gente vive, mas na escuridão da noite sozinho a gente fica, os monstros sozinho a gente enfrenta e quando o sol na janela a gente vê, consegue entender que mais um dia começou a nascer e ali a possibilidade de mais um pouco a gente crescer.

Pela janela da vida uma árvore a gente enxerga, formiga a gente é, que dificuldade de naquele tronco a gente colocar o primeiro pé.


E quando a gente olha pra cima com muito medo a gente fica, seu tronco é forte, marcado pelo tempo, marcado pelos amores e pelos dissabores, o tronco nos traz segurança, é firme, esta plantando, regado, muito bem alimentado. A árvore mostra seus galhos, alguns resistentes, seguros, outros menores, em desenvolvimento, que vento ali sabe mandar, faz tudo sair do lugar.

A gente formiga, olha pra cima e vê a beleza da copa dessa imensa árvore, as folhas mais verdes lá no alto estão, a gente enxerga o vento soprar com mais facilidade, os galhos são jogados pra lá e pra cá, o nosso olho de formiga não enxerga o fim da árvore, mas nos deixa com a sensação que ate o céu ela pode ir.

A árvore nos apresenta gigante, com um milhão de galhos, um milhão de curvas, milhares de tipos de folhas, árvore que é, ela se apresenta fácil de colocar o pé, enfiada na terra ela está, mas ela tem um milhão de lados para a gente decidir olhar, árvore que é, ela não nos garante eternidade, ela pode ser destruída, seu galho preferido pode ser podado, tudo pode ser perdido, queimado, mas árvore que é, ela pode ser amada, abracada, cuidada, venerada e pra sempre ali ficar, mais forte ainda se tornar.

Mas a gente continua formiga, e formiga sozinha, por mais que no meio de um milhão de formigas a gente se encontra, é sozinho que a gente vai essa subida enfrentar, é da gente que a gente precisa gostar, para ter em quem se apoiar, quando o vento forte demais soprar.

Formiga que a gente é, no meio de todo essa grandiosidade vira um ponto no espaço, uma parte do todo, um horizonte de possibilidades que pode facilmente na imensidão desaparecer, nenhuma folha lembrar de você.

Formiga que a gente é, gosta da segurança do chão e quando pra cima a gente olha, muitas outras formigas tentando subir e descer a gente vê. Cada formiga decidi um galho escolher, para uma folha buscar, ou no tronco ficar, na terra pisar, dali não querer sair, formiga com vontade nenhuma de subir, ou já lá em cima louca para desistir.

De baixo a gente vê um monte cair, o vento sopra forte lá em cima, e quando mais perto do céu a gente está mais difícil é de se sustentar, o que vai me fazer tentar lá no alto ficar? O que vai me fazer formiga no meio do caminho não querer os meus pés amarrar? Querer de cima da árvore poder olhar, mais visão poder ter, mais longe poder enxergar? O que vai me fazer a todas as tempestades resistir? O que nesses galhos eu quero buscar? O quanto de céu eu quero buscar?

Não seria mais fácil no chão achar, procurar, ou será que apenas lá de cima eu vou conseguir tudo enxergar, mais perto de Deus ficar?

O crescimento não vem com a calmaria do chão, ele não vem com a segurança desse sólido tronco, quanto mais alto a gente ousa subir, mais longe a gente consegue enxergar, maior a gente se vê, mais dono dessa árvore a gente se sente, mais inseguro a gente fica, mais perto de Deus a gente se encontra, com todos os nossos olhos o mundo a gente consegue enxergar, muitas possibilidades a gente pode buscar.

A gente pode subir nessa árvore sem nunca ter saído do lugar, pode ver essas folhas sem nunca ter o pé tirado do chão, mais a gente precisa a mão soltar, o medo abandonar e na gente mesmo querer se perder, precisa a não ter medo da solidão, a não ter medo de ouvir muitos nãos, a fazer coisas por vezes sem razão, apenas seguindo o coração, a intuição.

Quanto mais perto do céu eu estiver mais segura eu vou me sentir, mesmo que o vento é forte, mesmo que o medo de altura me enlouqueça, mesmo que rachaduras nesse tronco eu veja.


Quanto mais perto de Deus eu me sentir, mais eu vou querer subir, mais querer conhecer, muito mais folhas buscar e ai tentar a essa árvore poder ajudar, suas raízes poder regar, seus galhos cuidar para que outras formigas tenham a coragem de subir, mais céu querer ver, mais folhas buscar, mais longe poder olhar.

Que nesse novo ano a gente tenha razões para nessa árvore querer subir, fé para não desistir e não deixar de tentar por medo de cair, e que muito mais alto a gente possa ir, muito mais de Deus conhecer, muito mais em nós nos perder!!!

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