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Foto de crianças e cadela na chuva viraliza, e autora quer ser fotógrafa

Foto de criancas e cadela na chuva viraliza e autora quer ser fotografa
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Os temporais nas favelas do Rio de Janeiro são associados normalmente a transtornos e tragédias. Contudo, em apenas um clique a estudante Carla Vieira, 20 anos, mostrou um lado menos conhecido desse tipo de acontecimento.

Viralizou a foto que Carla tirou de quatro meninos —Weverton, Ruan, Nathan e Isaque— e a cadela pitbull Luna brincando felizes em uma escadaria que virou cachoeira. Somente em seu perfil no Instagram, que tem apenas 600 seguidores, a imagem recebeu mais de 1800 curtidas e 160 comentários.

A repercussão se deu ainda por páginas do bairro da Tijuca, na zona norte do Rio, nas redes sociais, e em grupos de WhatsApp de moradores do Morro do Turano, no Rio Comprido, local onde a imagem foi feita.

Em entrevista, Carla diz ainda estar incrédula com a repercussão da foto, feita de forma despretensiosa por ela com seu smartphone.

“Não dá para se acostumar [com a fama repentina], porque foi algo inesperado. Fiz a foto totalmente sem propósito. Estou muito feliz, mas ainda estou perguntando: ‘Sério que isso está acontecendo?’“, conta ela.

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Direitos autorais: Reprodução.

Sonho de ser fotógrafa

Ter se tornado autora da foto que viralizou reacendeu um sonho antigo que a jovem mantinha: ser fotógrafa profissional. A ideia de trabalhar com o que hoje é apenas um hobby sempre esteve presente, mas a falta de condições para fazer um curso e comprar os equipamentos necessários adiavam os planos.

“Sempre gostei de fotografar qualquer coisa: céu, flores, folhas… Tento tirar o meu melhor e comecei a ver que conseguia fazer direito. Sempre pensei em trabalhar com isso. [Tinha o sonho] De comprar uma câmera e fazer um curso”, revela.

A jovem moradora do Turano capturou o flagrante com seu celular, mas não de maneira totalmente impensada. Conta que tomou o cuidado de reduzir a exposição da câmera à luz, para que a imagem saísse com qualidade. Agora ela espera conseguir uma oportunidade para iniciar a carreira de fotógrafa com uma bolsa de estudos.

“Obviamente eu gostaria muito de aproveitar qualquer oportunidade a partir dessa foto, mas até agora não surgiu nada. Já vi muitas coisas assim estourando e não deu nada. Mas estou esperançosa”, ressalta.

Passeio com cadela criou momento da foto

Carla conta que estava limpando sua casa quando o temporal começou. Na região da Tijuca, caíram quase 6 mm de chuva em apenas uma hora, segundo informações do Sistema Alerta Rio, mantido pela prefeitura.

Como a cadelinha estava tristonha por ficar trancada em casa, Carla decidiu deixá-la brincar na chuva com as crianças na vizinhança. “De início ela ficou meio receosa porque foi o primeiro banho de chuva que tomou. No começo se escondeu, mas as crianças brincam muito com a Luna e ficaram chamando ela”.

Amor pelo Turano

Muitos comentários ressaltavam que a foto de Carla traduzia a parte boa da vida nas favelas cariocas. Ela concorda com essa análise, e diz não pensar em deixar o Turano de jeito nenhum —apesar dos problemas de estrutura e da violência.

Carla conta que mora na parte alta da comunidade e a rota que precisa fazer para chegar e sair de casa é justamente o trecho que concentra os confrontos entre policiais e traficantes. Por isso, sonha apenas em conseguir levar a família —que vive na comunidade há três gerações— para a parte baixa do Turano.

“Falta luz, falta água, tem essas coisas [a violência]. Mas o morro em si é bom. As pessoas ajudam umas às outras. Tem união, solidariedade e parceria”, ressalta. “Se eu pudesse só distanciar um pouquinho do meio [da comunidade] era bom, porque onde eu moro é perigoso demais. Minha mãe está grávida e como se sobe quando algum problema acontece?

Carla ainda diz que a foto lembrou sua própria infância. “Quando eu era criança dava muito trabalho. Vivia brincando na chuva, ainda mais quando estava calor ou quando faltava luz e chovia, era batata. Pique esconde, guerrinha de água. Depois de tirar a foto, vejo que os meninos estão vivendo o que nós vivíamos”, conclui.

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