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Frentista larga emprego para expor seus quadros em Londres

Foto: Arquivo Pessoal
Frentista larga emprego para expor seus quadros em Londres

Em 2006, o frentista Eduardo Lima, de 45 anos, decidiu largar o posto de combustíveis onde trabalhou por duas décadas, em Capim Grosso, interior da Bahia. Tinha decidido perseguir o desejo de ser artista plástico.

Hoje, 14 anos depois, ele está vivendo o que era apenas um grande sonho: nesta semana, irá expor suas obras sobre a vida no sertão baiano na galeria Canning House London, em Londres.

Ele conta que a arte sempre foi parte de sua vida. Desde criança, o hoje artista acompanhava o pai no trabalho, uma olaria, onde produziam telhas, tijolos e outros objetos.

Aos 8 anos, Eduardo esculpiu um rosto usando argila, e se apaixonou pelo processo de criação. Foi somente aos 20, entretanto, que ele fez seu primeiro quadro, arte a que passou a se dedicar diariamente.

“Eu comecei a trabalhar de frentista depois que me casei, e usava as horas livres para pintar”, conta. “No início, era só para colocar na minha casa, mas de tanto os meus amigos verem, passaram a desejar e pedir para comprar.”

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Direitos autorais: Arquivo Pessoal

Foi ai que a esposa resolveu investir no marido. Cida Rodrigues, de 47 anos, expôs os quadros em seu mercadinho e colocou o nome de Eduardo na boca do povo da cidade.

Com o reconhecimento em Capim Grosso, o artista decidiu deixar a profissão de frentista, que já exercia há 20 anos, comprou um carro e deixou a cidade com suas obras. “Mostrava os quadros em praças públicas, mostrava em galerias. Na época, saí de carro, enchi com telas e saí desbravando o sertão. Eu pensava só em mostrar o trabalho”, relembra.

Essa primeira jornada terminou em Barreiras (BA), onde Eduardo resolveu ficar por ainda ser em seu estado, mas estar mais próximo de Brasília, local onde imaginava que poderia alcançar um público maior.

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Direitos autorais: Arquivo Pessoal

Aos poucos, o artista expandiu sua rede de apoiadores e começou um projeto que sempre quis fazer, o Raízes do Sertão Nordestino. “Eu levo a exposição retratando a cultura e o cotidiano do nordestino. Falo em escolas sobre a importância da arte e dou dicas de pintura nos shoppings. É maravilhoso.”

Com o sucesso da coleção, que ainda irá passar por Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, Eduardo ganhou uma proposta única: expor sua pinturas em Londres.

“Eu vim para Londres falar do sertão, falar da nossa cultura, da nossa alegria, contar que temos um cultura lindíssima. E é isso. Eu trago todos esses motivos através das tintas e dos pincéis e hoje eu vou mostrar o meu trabalho em uma galeria.”

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