Família

“Fui adotada e adotei gêmeos. Espero que se sintam tão sortudos quanto eu”, diz mãe

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Siobhan faz um emocionante relato sobre a força do amor para mudar vidas, assim como aconteceu com ela, que sempre se sentiu “sortuda” por ser adotada.



As relações humanas são marcadas pela forma como as pessoas se conectam, de onde veem, como é cada realidade e o que esperam. Cada forma de conhecer o outro e de se reconhecer nele é uma ferramenta para auxiliar na construção de um mundo melhor, principalmente se as relações forem marcadas por sentimentos genuinamente bons e éticos.

Dentre as infinitas possibilidades de conexão, a adoção aparece como uma das mais bonitas e impactantes, capazes de mudar vidas de maneira profunda, tanto dos pais quanto das crianças e adolescentes. Para Siobhan, não foi diferente. Adotada ainda pequena no País de Gales, ela explica ao site Metro que seu pai tinha o costume de contar que ela tinha sido escolhida por eles.

De maneira até cômica, o pai brincava que assim que chegou à enfermaria, viu uma longa fila de bebês, todos chorando, enquanto ela era a única que estava quieta, e que essa foi uma maneira errada de interpretar aquele momento. Sendo filha única de pais adotivos com quase 30 anos, ela explica que a adoção apenas a fazia se sentir ainda mais especial, como se o acolhimento fosse, para ela, um motivo de sorte.


Siobhan escolheu adotar gêmeos quando eles tinham 3 anos e espera provocar neles a mesma sensação que tinha na infância, de que são especiais. A mãe explica que nunca tinha pensado nessa possibilidade, tampouco sua esposa Caroline, mas em 2016 tudo mudou.

Elas tinham acabado de ir para uma nova casa e tinham um casamento marcado para dali a alguns meses, e, um dia, enquanto caminhavam pela praia, a companheira disse que ali seria um ótimo lugar para as crianças crescerem.

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Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

A partir daquele momento, algo despertou no casal, que sentiu que os planos de adoção começaram a se desenvolver de maneira natural. Foram cinco meses de espera, enquanto faziam cursos e passavam por avaliações, até que souberam que gêmeos estavam precisando de um lar, porque estavam com uma família temporária. Siobhan explica que ela e a esposa pensaram que a transição poderia ser mais simples, já que as crianças tinham a companhia uma da outra.


Ela diz que muitas pessoas pensam que adotar gêmeos é uma tarefa difícil, mas que estão muito satisfeitas com a escolha, porque sabem que os filhos sempre terão um ao outro e, agora, também podem contar com sua família. O menino e a menina chegaram à vida delas aos 3 anos, o que, para as mães, foi uma boa opção, já que acreditavam que a relação com bebês pudesse ser muito mais difícil.

Refletindo sobre as possibilidades de adoção, Siobhan defende que é possível criar vínculos profundos também com crianças mais velhas e adolescentes, mas que, infelizmente, como muitos futuros pais desejam apenas recém-nascidos ou bebês, muitos menores acabam ficando no sistema e em abrigos por mais tempo, o que é extremamente triste.

Para a mãe, o amor de pais biológicos e adotivos é exatamente igual, e não acredita que uma criança possa receber mais ou menos carinho por ter ou não nascido da barriga da mãe. Ela acredita que essa forma de encarar a realidade vem do fato de que foi uma criança adotada e que aprendeu muito, já que recebeu amor incondicional.

Os gêmeos, agora com 8 anos, têm uma vida normal com sua família adotiva, e Siobhan conta que eles têm o que chamam de “livros de adoção”, com pequenas lembranças e fotografias da família biológica das crianças. Sempre que desejam, eles se reconectam com o passado, e a mãe conta que seus pais também guardavam um arquivo com os dados de sua família biológica.


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Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Com muita curiosidade, Siobhan acabou indo atrás de sua mãe biológica há cerca de 8 anos, encontrando-a na Irlanda. No arquivo constava que ela tinha sido concebida “fora do casamento” e que ela tinha saído da Irlanda para dar à luz no País de Gales, em um convento em segredo, sendo que seu pai biológico nunca soube de sua existência. Assim que se encontraram, ela explicou que não podia contar à família, na época, e que inventou uma história de que viajaria pela Europa.

Anos depois, sua mãe biológica e seu pai acabaram se casando, e hoje Siobhan tem dois irmãos mais novos. Em contato com todos eles, incluindo os genitores, ela explica que conhecê-los foi extremamente importante, mas que isso não muda o que sente em relação aos pais adotivos. Ela se lembra de que assim que as mães se conheceram, lembra que a primeira coisa que a genitora fez foi agradecer por ter cuidado dela tão bem.

A assistente social que ficou encarregada da adoção dos gêmeos disse que não importa se os filhos nascem no ventre ou no coração, e Siobhan acredita justamente nisso, porque sente todos os dias que seus filhos roubaram seu coração. Para ela, ainda é perturbador existirem tantas pessoas aptas a adotar e tantas crianças esperando em abrigos, cuja única coisa de que precisam é um lar amoroso.


 

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