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“Fui ignorado, xingado e cuspido”: ex-policial fala do racismo que sofreu na profissão e na vida pessoal

Trent Davis nasceu em uma família multirracial e sempre teve problemas para se encaixar tanto na comunidade negra quanto na comunidade branca, mostrando as facetas do racismo.



A marginalização da população negra acontece por dezenas de fatores, que envolvem, principalmente, a história de escravidão na América, e o racismo como condição estruturante na formação e sustentação de bases sociais, políticas e econômicas.

Histórias de famílias inter-raciais ou multirraciais são bonitas de se ouvir, podendo até fornecer um panorama um pouco diferente do que é ser negro no continente americano atualmente. Mas Trent Davis mostra uma realidade mais crua dessa vivência, e conta um pouco sobre as diversas formas de racismo que sofreu em sua vida.

Ex-policial, Trent mora na Geórgia, Estados Unidos, onde o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português) tomou conta das ruas e das redes sociais, mostrando indignação da comunidade negra em diversos episódios de racismo, tanto simbólico quanto real.

É importante perceber que o histórico de racismo norte-americano é diferente do brasileiro, porque envolve contextos diferentes, mas isso não significa que um é menor que outro, apenas são diferentes.

Em uma publicação em seu Facebook, Trent conta um pouco de sua vida, explicando que nasceu em uma família multirracial. Seu avô materno era caucasiano, e sua avó tailandesa. Seu pai é afro-americano, assim como ele próprio, que é casado com uma caucasiana.


O homem explica que ninguém se importa com o que ele realmente é, com sua história ou seu passado, quando as pessoas o veem, apenas enxergam sua pele, e enxergam preto.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Trent Davis.

Sua vida, logicamente, nem sempre foi fácil. Enquanto crescia, ia aprendendo que a cor da sua pele o tornava diferente dos demais. Mas Trent sempre esteve um pouco deslocado em relação a qual lugar pertencia no mundo: ele não era considerado negro “suficiente” para frequentar a comunidade negra tampouco branco o bastante para andar com os brancos.


Ele conta que, certa vez, ao olhar para si mesmo dentro de uma sala, rodeado de outras pessoas, percebeu-se como o “negro simbólico”. Noutro momento, quando foi com amigos brancos a uma festa, a cuja entrada foram informados que negros não eram bem-vindos ali, e pediram que se retirassem.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Trent Davis.

Nenhum de seus amigos compreendia como alguém poderia odiar uma pessoa sem saber ao menos o seu nome. Ele revela que foi ignorado, xingado e cuspido, não só como negro, mas como policial negro.

A comunidade negra o rejeitava porque ele trabalhava para “o homem” (fazendo referência à polícia), por isso não podia ser considerado negro.

Assim como no Brasil, o histórico de violência policial contra a população negra é muito maior do que contra a população branca, o que nos faz lembrar do caso George Floyd, quando um policial branco se ajoelhou no pescoço de um suspeito apenas para refletir o seu racismo, já que aquela abordagem jamais seria necessária.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Trent Davis.

Trent seguiu se esforçando como policial, e sempre levava doces, adesivos e brinquedos para as crianças negras, e sempre ouvia: “Não falamos com a polícia.”

Nessa época, foi chamado de traidor pela comunidade, além de vários outros nomes depreciativos, mostrando a insatisfação de todos com a sua profissão. Para ele, isso mostra que o ódio não vê cor.

Para Trent, em tempos de agitação social, é importante que os atos sejam mais valorizados do que as palavras. Tudo começa dentro de cada um, dentro de cada casa. Ele pede que não sejamos daltônicos, as diferenças existem e precisam ser celebradas e reconhecidas. Pede que tratemos nosso vizinho como gostaríamos de ser tratados, que ensinemos a nossos filhos como amar o próximo, como fazer melhor!

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