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Gari montou biblioteca com livros retirados do lixo e lançou sua primeira obra

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Jonatã montou a biblioteca na própria casa, fazendo do descarte uma chance para que pessoas sem oportunidades tivessem acesso à leitura.



Exercer a cidadania pode parecer algo vago atualmente, principalmente quando consideramos que a maioria das interações são virtuais, ainda mais em um contexto de pandemia causada pelo novo coronavírus. Embora os indivíduos estejam tentando retomar a normalidade, a maioria ainda sente que tudo está diferente.

Empresas perceberam que, em muitos casos, o serviço presencial já não é mais necessário, outros perceberam que com acesso virtual a redução de gastos é alta ou mesmo garantem mais conforto e estabilidade. Por isso, em muitas ocasiões, pode parecer estranho que a cidadania ainda seja fator determinante para o bom funcionamento de uma comunidade mas, na verdade, tem se tornado cada vez mais essencial.

Todas as vezes que queremos reivindicar a melhoria de espaços, o aumento de políticas públicas ou até intervenções culturais em regiões da cidade, precisamos nos lembrar que é a cidadania que torna isso viável.


Possuímos um conjunto de direitos e deveres para que o bem comum seja sempre protegido, ou seja, precisamos ajudar na manutenção de parques e praças, não jogando lixo no chão e recolhendo fezes de animais, se queremos que aquele espaço público esteja sempre bem conservado.

Claro que esse foi apenas um exemplo superficial, mas Jonatã Nunes mostrou que não existem limites quando o assunto é ajudar e apoiar quem vive a mesma realidade. Lançar um olhar para as pessoas que moram na mesma região, organizar eventos e até reuniões de moradores pode ser um bom caminho para descobrir quais são as maiores necessidades das pessoas que vivem tão perto de nós.

Trabalhando como gari em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), segundo informações do G1, Jonatã percebeu que muitos livros em perfeitas condições eram descartados no lixo todos os dias, e isso despertou nele uma ideia capaz de impactar positivamente tanto a sua comunidade quanto a própria vida.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/@nunesdio.


Apaixonado pela literatura, ele decidiu montar uma pequena biblioteca em sua casa, em uma região periférica da cidade, com todos os livros que resgatou de um trágico fim. Reunindo livros de diversos gêneros, ele acabou montando um acervo digno de reconhecimento, principalmente por retirar e dar um significado para obras que seriam meramente descartadas.

Todos esses livros, assim como a maioria do lixo que não passou por nenhuma intervenção de reciclagem, aumentam um problema que o país já enfrenta há alguns anos: o impacto do descarte incorreto de materiais que poderiam, facilmente, ser reutilizados. Qual a necessidade de jogar fora uma obra que ainda pode ser lida por mais duas, três gerações?

Essa aproximação com a literatura fez com que Jonatã escrevesse a própria obra, com foco principal em poemas que relatam um pouco da sua realidade. Intitulado “Poeta do asfalto: o tempo é uma prioridade”, o livro foi impresso com recursos que o próprio autor levantou, fazendo com que cem exemplares fossem impressos da primeira vez e parcelando a dívida de R$ 2 mil, que acabou contraindo no processo.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/@nunesdio.


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Direitos autorais: reprodução Instagram/@nunesdio.

Abordando questões como amor e solidão em momento de pandemia mundial, Jonatã mostra um olhar mais cru e concreto de quem trabalha todos os dias como coletor de lixo. Ele ainda explica que a obra também relata alguns aspectos da própria vida, como se, além de mostrar uma perspectiva ampla do cenário atual, também pudesse ser encarado como autobiografia.

O escritor afirma que vai continuar recolhendo livros do lixo, assim pode ter a chance de chegar cada vez mais perto de ter a biblioteca com que sempre sonhou. Além dos 100 exemplares, Jonatã agora espera receber mais 200 de sua primeira obra, e explica que já está escrevendo um novo capítulo em sua vida.


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