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A graça de um novo começo…

A gente começa o ano fazendo listas de metas, desejos, livros para ler, séries para assistir, celebridades para seguir, contas para pagar, e com o tempo tudo vira uma maratona asfixiante.


E se a gente tirasse os olhos das listas, conversasse mais, trocasse ideias, trocasse o excesso pelo vazio? Quem sabe, assim, haveria mais espaço para as novas e boas surpresas.

A gente começa o ano prometendo ser melhor, fazer melhor, trabalhar mais, ganhar mais, perder mais peso, como se nunca fôssemos bons o bastante, e com o tempo o entusiasmo vira ansiedade, discórdia, neurose.

E se a gente simplesmente olhasse para o lado, desviasse a atenção do próprio ego, olhasse o outro com “olhos de querer ver”

Quem sabe, assim, haveria um horizonte diferente na mesma janela de sempre.


A gente começa o ano esperando que o mundo melhore, que o outro mude, que a chuva passe, que o inverno seja menos frio e o verão menos quente e, com o tempo, toda esperança vira espera, monotonia, apatia.

E se a gente reclamasse menos e agradecesse mais, relembrasse a infância, brincasse, experimentasse a arte sem pretensão, só para sorrir sozinha, sem mais nem menos?

Temos um “ano novo” novinho nas mãos, e cabe a cada um transformar esse calendário cheio de números em uma história cheia de poesia.


Nem sempre tudo vai dar certo, mas é bom lembrar que, às vezes, o errado acerta. Nem sempre vamos ter respostas, mas tudo bem, porque a vida não é uma pergunta.

Nem sempre a vida é como a gente quer, mas a gente nem bem sabe o que quer, na maioria das vezes. Nem sempre a vida tem o ritmo que a gente gostaria, mas a gente passa tempo demais idealizando o futuro ou revirando memórias que o presente se torna ausente. Nem sempre a vida vai na direção que a gente gostaria, mas a gente procura longe o que está perto, só dá valor quando perde, e se perde em si mesmo. A gente faz planos e esquece que a vida é tridimensional.

Nos últimos anos aprendi que todo fim é um novo começo, que cada amor dura o tempo necessário, assim como alegria e tristeza se revezam para deixar-nos seus ensinamentos.

Há que se olhar o mundo com mais fé e o espelho com mais gentileza, aceitar que o belo não é perfeito, e que o imperfeito nos faz humanos. Aliás, é essa a grande graça de ser quem somos e estar onde estamos.

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Direitos autorais da imagem de capa licenciada pelo site O Segredo: olegbreslavtsev / 123RF Imagens





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