Grafologia: a chave da personalidade.

10min. de leitura

A caligrafia é a escrita da mente; a mão apenas segura a pena e obedece ao comando do cérebro.

Você já parou para pensar que não consegue escrever e conversar ao mesmo tempo? Isso se deve ao fato de que, para escrever, é preciso raciocinar, entender e ver o que se escreve, afinal, cada letra ou palavra é produto do pensamento, de um ato previsto e inteligente. Trata-se de um processo escritural e que exige concentração.



Porém, as letras e traços que utilizamos para escrever um texto, por exemplo, não são uma criação voluntária nem individual. Dizem respeito a um conjunto de símbolos – ao escrevermos, estamos reproduzindo sinais que nos foram ensinados. Quando fomos alfabetizados, lá no jardim de infância, aprendemos aquela escrita “caligráfica“, do professor primário. Porém, à medida que crescemos, amadurecemos e evoluímos, nossa escrita também vai sendo transformada e vai progredindo. Vamos nos individualizando e personalizando e, com a escrita não é diferente, adquirindo formas próprias.

E isso é simples de observar. Reúna um grupo de crianças e peça-as para escreverem algumas linhas. Você vai observar, naturalmente, determinados tremores. Mas, mesmo sendo comuns tais traços tremidos e vacilantes – afinal elas ainda não têm o controle da motricidade fina e, por isso, têm dificuldade na sustentação da caneta –, pode-se comprovar que cada uma delas, ao longo da aprendizagem da escrita, já começa a imprimir seus traços próprios, ou seja, determinadas modificações pessoais que permitirão ao professor reconhecer facilmente cada aluno pela letra.

Essas modificações do modelo original e caligráfico são verdadeiros gestos inconscientes de expressão projetiva e que vão refletir a personalidade de quem escreve. Cada traço diferente que aparece em um texto vai revelar sinais daquela personalidade. E são esses sinais individuais que vão diferenciar entre si todas as pessoas do planeta.


Assim como não existem duas impressões digitais iguais (cada um tem a sua), também não existem duas grafias iguais.

Experimente: peça a um grupo de 5 ou 6 pessoas conhecidas para escrever um texto de 3 linhas em um pedaço de papel, sem assinar. Você será capaz de identificar cada uma delas? Sim, será, porque não existem duas grafias iguais – cada pessoa traz em sua escrita indicadores de um conjunto de atitudeshabilidades e comportamentos.

caligrafia é a escrita da mente; a mão apenas segura a pena e obedece ao comando do cérebro. Quando começamos a redigir um texto, estamos sendo comandados pelo nosso consciente – e, por isso, existe uma preocupação maior com a arrumação e com a apresentação do texto no papel. À medida que nos envolvemos com o texto, o nosso consciente tende a relaxar e começamos, então, a ser comandados pelo nosso inconsciente. Por consequência, todos os nossos flutuantes estados de espírito são inconscientemente impressos na escrita, revelando nossas características mais particulares – aquelas que vão nos diferenciar das outras pessoas.

Nesse sentido, torna-se possível verificar uma infinidade de características por meio da escrita. Por ela, podemos observar sua capacidade laboral, ou seja, a maneira como ela trabalha: sinais de inteligência e de originalidade de ideias; se a pessoa tem planejamento e organização em suas tarefas; se tem boa memória ou não, além de indícios de perseverança e de ambição que também são visíveis.


Nas questões sociais, é possível analisar a maneira como ela se relaciona com os que estão à sua volta: se respeita o espaço alheio ou não; se é intuitiva; se é realista ou sonhadora; se busca os relacionamentos ou se afasta dos demais; e se é confiante ou desconfiada, entre outros.

Traços de caráter também são visíveis na escrita, mas é importante ressaltar que não é possível vermos sinais de honestidade pela grafologia, afinal, não podemos prever que circunstâncias podem levar um indivíduo a um ato de desonestidade. 

Podem-se avaliar muitas características, mas não se faz previsão por meio delas.

Você deve saber que todo indivíduo tem suas preferências de estilo. Algumas pessoas são convencionais por natureza, daí temos a justificativa de sua escrita se manter fiel ao modelo caligráfico. Outras se distanciam do convencionalismo e agem de acordo com seus desejos – neste caso, sua caligrafia vai refletir esses impulsos e apresentará maior quantidade de traços originais, que podem se referir a pessoas com maior nível de criatividade.

Pessoas mais expansivas tendem a ter gestos mais largos e espírito mais aberto – provavelmente sua letra será de dimensão grande, ao passo que letras de dimensão pequena podem estar revelando uma personalidade mais reservada e cautelosa. Indivíduos organizados geralmente têm a redação clara, ordenada e o texto bem enquadrado, respeitando as margens do papel.

Curvas e ângulos também são indicadores de comportamentos particulares. Indivíduos mais dóceis, gentis e sociáveis tendem a apresentar uma escrita com mais curvas, ou seja, traços mais redondos, enquanto os ângulos (pontas) vão sinalizar indivíduos com mais vontade própria, energia, coragem e firmeza.

Podem-se, também, analisar características de acordo com a inclinação das letras. Aquelas que formam com a linha de base um ângulo mais ou menos agudo à direita (escrita inclinada) indicam um temperamento mais sensível, onde a emotividade e a afetividade podem levar vantagem sobre a razão. Num movimento oposto, a inclinação à esquerda pode revelar uma atitude mais defensiva, com tendência ao recolhimento.

Dessa forma, os traços de personalidade e caráter vão se manifestando na letra e, então, torna-se possível identificar, em cada um de nós, habilidades e competências para a realização das mais diversas atividades.

Além dos já citados, existe mais uma infinidade de outros aspectos a serem analisados numa redação, mas cabe a ressalva de que o que vai nos dar o laudo final é a análise do contexto geral.

O grafólogo experiente sabe que não podemos tirar nenhuma conclusão prévia sem estudarmos todo o ambiente gráfico.

Os aspectos a serem considerados podem ter maior ou menor peso, dependendo de outros sinais que podem estar presentes, como por exemplo, pingos nos ii e barras nos tt.

pingo no “I” é identificado como o sinal que reflete o comportamento da atenção, o equilíbrio do pensamento em presença de uma obrigação e a precisão e exatidão nos julgamentos e na observação. Assim, uma pontuação alta pode significar idealismo e sensibilidade, ao passo que os pingos baixos podem indicar ideias práticas ou obediência. Sua exatidão indicará ordem e minúcia e os que tiverem forma de círculo revelarão vaidade de espírito.

letra “T” é universalmente conhecida como a que reflete a vontade. O gesto gráfico, neste caso, percorre duas direções, o traço vertical (haste) mede a afirmação pessoal e o horizontal (barra) revela a potência realizadora da vontade. Assim, a análise é feita numa comparação entre os dois traços. Barras curtas e retas indicam energia e produtividade, enquanto as longas podem estar sinalizando mais desejos do que recursos para concretização dos projetos. Barras altas tendem ao autoritarismo, enquanto as baixas indicam submissão. Se ligadas à letra seguinte será sinal de continuidade e vivacidade das ideias.

Devemos estar atentos ainda às linhas, se sobem ou descem, à pressão da caneta no papel, à velocidade do traçado, à continuidade entre as letras e, por fim, à assinatura. A análise desta última é fundamental para a composição do perfil analisado, pois é ela quem vai legitimar, ou não, o que foi dito acima.

 O texto em si refere-se ao comportamento social da pessoa, enquanto a assinatura trata do comportamento íntimo. Portanto, a análise da relação entre texto e assinatura torna-se decisiva para o resultado final de um parecer grafológico.

___________

Direitos autorais da imagem de capa: michaelnivelet / 123RF Imagens

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.