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A gratidão muito além do “obrigado” e como ela torna suficiente o que você tem:

Eu já usei este pensamento do Bob Marley e vou aproveitá-lo mais uma vez: “Alguns sentem a chuva, outros apenas se molham.”



Desde o dia em que você nasceu está chovendo. Está chovendo! Está chovendo e é importante se perguntar: eu estou sentindo a chuva? Eu estou apenas me molhando?

Eu confesso que estou ensopado, faz pouco tempo que comecei a sentir a chuva.

Dayenu uma palavra que podemos tirar do Pessach, a páscoa judaica, e que quer dizer algo do tipo “teria sido o bastante”. O que nos lembra a frase: “A gratidão torna suficiente aquilo que temos”.  E torna.

Se temos tudo o que precisamos, então temos motivos para ser e viver felizes.


No início, eu achava esta frase um tanto plástica, de efeito, vazia na prática, com um tom de “a sua vida é isso mesmo, contente-se”. Mas aí, conheci um segundo conceito judaico: Hakarat Hatov – literalmente “reconhecer o bem”.

Eu estava saindo do banco, quando vi alguns clientes chegando à agência e segurei a porta para que pudessem entrar. Algumas pessoas não disseram nada, outras disseram “obrigado”, até que uma delas, além de agradecer, segurou a porta para que eu e outras pessoas pudéssemos sair.

A mesma água que amolece a batata, endurece o ovo. Esta mesma situação nos apresentou três reações: indiferença, gratidão e o que podemos chamar de Hakarat Hatov. A pessoa que me tratou como se eu tivesse a obrigação de segurar a porta para ela – ou pior, que agiu como quem diz “eu não pedi pra você segurar a porta para mim” –, que não tomou conhecimento de que um desconhecido, por gentileza, estava fazendo o dia dela mais fácil; a pessoa que só agradeceu; e, a pessoa que foi além do “obrigado”, que retribuiu e multiplicou a graça.


Especialmente nesta época do ano, não só queremos presentes, no natal, como queremos uma vida nova, no ano novo, com mais dinheiro para gastar, contas pagas em dia, guarda-roupa renovado, celular moderno, carro do ano, etc. Em geral, as pessoas não só sentem que o que elas têm não é o bastante, como também sentem que elas vivem para ter mais. Ou seja: ingratidão. É o oposto do Hakarat Hatov. Votah Tarakah.

Copiamos tantas coisas dos americanos, que não sei porque ainda não copiamos o Dias de Ação de Graças.

Outro dia, eu estava ouvindo uma meditação guiada do Tony Robbins, e ele disse para eu sentir o coração (fisicamente), suas batidas, suas ações, sua força. Algo que me foi dado sem que eu precisasse lutar, conquistar ou comprar, simplesmente, um presente. Nesta hora, um sentimento singular surgiu em mim, uma gratidão que “muito obrigado” não seria capaz de expressar ou descrever.

E aí, além do coração, percebi que também tinha muitos outros órgãos, características, habilidades, sentidos, pessoas e coisas pelos quais sou grato. Lembranças de coisas que haviam acontecido comigo e me fizeram muito feliz, orgulhoso, entusiasmado, bem.

Reconheci o bem. Eu tinha o suficiente. Comecei a sentir a chuva.

Eu não precisava estar de olhos fechados para sentir esta gratidão, mesmo ao longo do dia, eu podia sentir a chuva.

Terry Crews, o pai-do-Chris (Todo Mundo Odeia o Chris) e Latrell de “As Branquelas”, disse recentemente em uma entrevista que a chave para ter tanta energia e positividade é a gratidão. Oprah Winfrey e Tony Robbins dizem mais ou menos a mesma coisa. São pessoas de sucesso, influência, prosperidade e felicidade, podemos confiar nelas e devemos seguir seus exemplos.

Em resumo, portanto, pode-se dizer que a gratidão tem a ver com foco, no que você tem versus o que você não tem.

Onde está seu foco?

Que tal, neste fim de ano, fazer uma lista de pelo-o-que-sou-grato (na vida), em vez de o-que-quero-ter/fazer-no-ano-que-vem?

Preste atenção nas pequenas coisas que fazem seu dia mais fácil, nas pequenas gentilezas, nas pequenas sincronias, nos detalhes. Seja grato por cada uma delas.

Ao começar seus dias, feche os olhos por 30 segundos, e seja grato pelo pulsar de seu coração; por sua audição, que vai te permitir ouvir a voz de que você ama, e também as músicas, os barulhos; por seus olhos, que o permitirão ver as pessoas, as belezas, os animais; por seus músculos, nervos e ossos que continuam funcionando; pela casa que o abrigou durante a noite, em segurança, com algum conforto; na água encanada, no chuveiro quente, no alimento que tem para comer, na eletricidade, no celular que tem para falar com os amigos e amores, no dinheiro que permite você ir e vir, comer. Só se passaram 30 segundos do seu dia, e você tem vários motivos pelo qual ser grato. Hakarat Hatov, reconheça o bem!

Ao longo do dia, retribua as gentilezas, multiplique-as, faça o bem e o bem voltará para você. Não precisa ser uma porta aberta, pode ser um sorriso, uma palavra, um elogio, uma mensagem, um gesto, uma informação, uma resposta. Você tem nas mãos a capacidade e o poder de fazer o dia de alguém ser melhor. Faça!

Ao fim de cada dia, faça uma lista de cinco coisas pelas quais você é grato que aconteceram naquele dia. Relembre também de outros momentos pelos quais você é grato, aquelas lembranças que mexem com seu coração de um jeito gostoso e positivo.

Não estou falando para desistir das coisas que quer. Não! Pelo contrário: vá atrás delas! Mas priorize as coisas que já estão aí, ao seu redor, ao seu dispor. Agradeça, sinta a gratidão, seja grato.

Se você tem tempo de resmungar pelas coisas que não tem, pode muito bem trocar a perspectiva e usar este mesmo tempo para agradecer pelas coisas que tem.

Confie na Lei do Retorno porque ela é verdadeira, justa e infalível: tudo o que você faz, volta para você. Se o que você faz é lidar com as coisas que você não tem, vai viver a vida inteira reclamando da chuva. Se, por outro lado, você lidar com as coisas que você tem. Você será um ímã de coisas boas.

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Direitos autorais da imagem de capa: photochicken / 123RF Imagens

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