Amor-PróprioColunistas

Guarde um pouco de si para si mesmo…

Doar-se é uma prática louvável e edificante.



Agradar à família, ser bons pais, bons companheiros.

Ser um profissional dedicado, comprometido com suas tarefas.

Realizar um trabalho voluntário, ter para dizer uma palavra de alento, ser solidário com um amigo. Isso tudo significa doar um pouco de si para a vida. E esta é uma das razões pelas quais existimos.


Plantar boas sementes no nosso canteiro e nos canteiros alheios significa que iremos colher e presenciar a colheita de bons frutos. Mas estou certa de que muitos de nós não conseguimos estabelecer um limite para essa dedicação.

Com isso, por necessitarmos tanto sermos úteis, além de nos sobrecarregar chegamos ao exagero de sermos invasivos.

Não raramente, desejamos resolver tudo para todos, assumindo responsabilidades que não nos pertencem, pois necessitamos ver o outro bem, caso contrário a culpa nos visita e julgamos não termos feito o nosso melhor.

Contudo, nem percebemos que essa é uma necessidade nossa, um pretenso conceito pessoal do que é bom para o outro e que nem sempre corresponde à realidade.


Então, fazemos muito mais do que deveríamos, não estabelecendo um limite e, normalmente, os resultados dessa conduta são frustrantes, pois o reconhecimento ou a gratidão podem não vir e se esperávamos por isso, somos nós os responsáveis pela nossa própria decepção, ofertando tudo o que tínhamos e não ficando com nada para si mesmo.

Ofertamos toda nossa atenção, nossos esforços, nossos dias, nossas horas. Ofertamos todo o nosso amor e ficamos vazios de sentimentos por nós mesmo.

Para preencher este vazio, esperamos retribuições que nem sempre recebemos.

Esse nosso comportamento é responsável pelo vácuo  que se faz em nossa alma, pois, uma vez que ofertamos tudo, ficamos carentes de amor-próprio e passamos a esperar receber do outro.


E é assim que nascem as cobranças e as insatisfações, pois fazemos aquilo que julgamos necessário e esperamos que o outro reconheça, percebendo nossa ação assim como nós a percebemos.

É fundamental reservarmos um pouco do que temos a ofertar para nosso próprio uso. Reservar para si mesmo um pouco de atenção, de direitos, até mesmo de dizer não. Reservar para si cuidados, respeito e amor-próprio.

Dedicar se, devotar-se é dar um pouco de si para a vida e assim é necessário que seja.

Mas, se ofertarmos tudo que possuímos, ficaremos carentes, mesmo que recebamos  dádivas da vida e a gratidão alheia, pois nada substitui aquilo que nós próprios podemos e devemos oferecer a nós mesmos.


Se nos tornarmos carentes, não teremos mais o que oferecer à vida, ao mundo, aos que amamos.

Reflitamos sobre o que o nosso Mestre Jesus ensinou: “Amai o próximo como a ti mesmo”.

Ele não disse para amar o próximo mais do que a si mesmo.

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Direitos autorais da imagem de capa: brickrena / 123RF Imagens

No amor, a única coisa que os opostos atraem é a frustração.

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