Família

Há 21 anos, ele foi abandonado num metrô, mas casal homoafetivo o salvou e o adotou!

Danny voltava para casa quando encontrou um bebê abandonado numa estação de metrô de Nova Iorque. Aquele encontro mudaria completamente sua vida e a de seu companheiro.



O abandono de crianças e adolescentes é um assunto complexo, mas que deve ser colocado em pauta para que novas soluções e propostas emerjam. Cada família possui a própria história, e existem inúmeros motivos para que os pais abandonem o próprio filho em algum local, pode ser por desespero, desigualdade social, que acarreta a pobreza, por medo da família e até por problemas e traumas ainda mais graves, que impossibilitam o cuidado pleno dessas crianças.

Nenhum motivo, obviamente, justifica o abandono, mas contextualiza a ponto de compreendermos a origem dos envolvidos e o que fez com que tudo acabasse daquela forma.

Provavelmente, você já leu uma notícia em que uma criança ou mesmo um recém-nascido foi encontrado abandonado na rua, em frente a uma porta, numa estrada, em ônibus e até em estações.


Mesmo já tendo lido sobre o assunto, parece algo distante demais, como se pudéssemos presenciar enquanto lemos o jornal. Danny Stewart também achava isso, até que, há 21 anos, encontrou um bebê enrolado em um lençol numa estação de metrô em Nova Iorque (EUA).

Ele e seu companheiro Peter Mercurio não planejavam ser pais, mas resolveram adotar a criança assim que a juíza da vara de família contou que nenhuma pessoa apareceu para reivindicar a guarda do pequeno e frágil menino.

O casal estava junto havia 10 anos, quando, em 28 de agosto de 2000, às 20h, Danny viu algo no chão de uma estação de metrô em Manhattan, que chamou a sua atenção. Em entrevista à BBC, ele explica que achou, num primeiro momento, que era uma boneca. Continuou seu caminho e já subia a escada quando, mais uma vez, olhou para trás e viu as pernas se mexendo.

Danny explica que seu coração imediatamente acelerou, ele desceu as escadas sem pensar duas vezes e pegou o pequeno bebê. Enrolado em um casaco escuro, ele ainda carregava o cordão umbilical e deveria ter, no máximo, dois dias de vida. O nervosismo foi tomando conta dele, que ficou se perguntando se teria acontecido algo com a mãe, olhando em volta, enquanto procurava alguma solução.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

O homem ligou imediatamente para a polícia e usou o último dinheiro que tinha para ligar para Peter, que estava em casa esperando-o para o jantar. Assim que explicou a situação, o companheiro percebeu a urgência e saiu em disparada à estação, que ficava a apenas uma avenida de distância.

A polícia levou o recém-nascido para o hospital. No dia seguinte, eles foram ao hospital em busca de notícias, mas não conseguiram nenhuma informação. Como o caso era inusitado, Danny acabou dando entrevistas para muitos jornais, contando o que havia acontecido, e acabou ficando em destaque na mídia por algum tempo. Mesmo assim, nenhum familiar do menino apareceu para reivindicar sua guarda. O casal voltou à sua rotina, acreditando que aquela história havia acabado.

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Três meses depois, Danny foi chamado a uma audiência na vara de família, e a juíza explicou que, nos casos de abandono de bebês, os órgãos agem para colocá-lo o mais rapidamente possível num lar adotivo, e perguntou se ele não gostaria de adotar o pequeno menino.

Sem pestanejar, o homem respondeu “sim”, mas disse que nem sempre o processo de adoção era fácil. A juíza disse que, dessa vez, poderia ser. Danny ligou para Peter para contar o que havia acabado de acontecer, mas a reação do companheiro foi o oposto do que imaginava.

Ele pediu que se desculpasse com a juíza e dissesse que havia cometido um grande erro, já que eles não tinham espaço, dividiam o apartamento com mais um colega e tinha tomado aquela decisão sem nem o consultar. Mas Danny não desistiu da ideia, e sua escolha acabou balançando o relacionamento dos dois, até o dia em que convenceu Peter a fazer uma visita ao menino, que estava em um lar temporário. A situação do bebê era péssima, ele não era bem tratado, estava com assaduras graves e com pontos de infecção pelo corpo, mostrando que não recebia a atenção que deveria.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Assim que Peter pegou, pela primeira vez, o menino no colo, uma onda de calor percorreu seu corpo, e ele sentiu, tão fundo quanto pôde, que aquilo era o certo a fazer. Foi quando disse a Danny que eles deveriam adotá-lo, e optaram por chamá-lo de Kevin. Essa era uma singela forma de homenagear o irmão de Danny, que morreu durante o parto.

Ambos tiveram menos de 48 horas para arrumar a casa para Kevin, tempo que levaram para se tornar pais. Peter ligou para os familiares e explicou o que estava acontecendo, pedindo ajuda para preparar tudo para a chegada do bebê. Seus familiares se uniram em uma força-tarefa para dar conta inclusive do enxoval.

A recepção foi calorosa, e Kevin finalmente recebeu toda atenção que merecia. Os anos foram se passando e o casal fez questão de contar a história verdadeira para o filho desde o início, principalmente porque o caso era totalmente público. Em 2011, Nova Iorque legalizou o casamento gay, e eles entraram em contato com a juíza que havia cuidado do caso de Kevin para oficializar a união.


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