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Há alguém que está pensando nela…

hálguem

Depois de um tempo imersa no cinza, ela voltou para a superfície. Mais bonita do quê nunca, muito mais cheia de si e com uma luz inacreditável.



Ela realmente passou por maus bocados. Tentava encontrar no outro a felicidade de si, se jogava no primeiro penhasco que via, se enganava como muitas, acreditava nas palavras vãs de quem jamais a entendia.

Como sofreu, como chorou, como se despedaçou. A cada partida, um pouco dela ia embora e o vazio ali dentro continuava. Tem fases que é assim, a gente se entrega, de laço vermelho e tudo para o outro, e quando vê, migalhas ficaram por aqui.

hálguem


Acho triste julgar por certo ou errado, até porque tudo é muito relativo. A vida é uma linha bem tenuê e quando a gente vê, o errado virou certo e o certo virou errado, por isso que os mais sábios dizem que o importante é ser feliz e se apegar ao que te faz bem.

Ela viveu aquilo que a sua avó sempre disse, o tempo te afoga, mas também te cura. Tempo é benção, é aquela luz na escuridão, é fé, é esperança. Do cinza para a paz. Muitos nem tinham mais noticias dela, no celular mensagens, a casa revirada, janelas fechadas, aquele conjunto de moleton como melhor amigo. A sorte que o trabalho era na própria casa. Aos finais de semana, voltava para o sítio que a avó deixou de herança, passava ali dias à fio. Foram nesses finais de semana que as doses de amor apareciam pela casa, que as flores brotavam no jardim e a menina cinza, começava a se encontrar no antigo quarto cor de rosa. Foram meses de solidão até a menina-moça se encontrar e voltar a sorrir.

Decidiu não olhar mais para o lado e olhou para si. Descobriu que a pele branca deu lugar à um bronzeado bem bonito, por conta daqueles finais de semana na beira da piscina no sitio. Trocou os cabelos castanhos por um loiro dourado que combinava muito bem com aqueles olhos cor de mel. Voltou a usar batom vermelho e vestidos curtos. Trocou os velhos chinelos por saltos elegantes e confortáveis. Descobriu que ali no velho guarda roupa da sua avó existia um estilo que ninguém mais tinha. Cortou franja, deixou o velho “renda” das unhas para trás. Virou garota multi cor.

Ela descobriu inclusive que há alguém que sempre está pensando nela, senão era ele, era Deus. Concluiu que para ganhar, a gente precisa perder, para transformar é preciso agir e para achar é preciso se perder. Não há mal que sempre dure e nem luz que nunca apague.


Por vezes, tudo o quê mais precisamos é perder, para descobrir o valor de ganhar. Torne-se tudo aquilo que quiser e aceite que o que ficou para trás realmente não era necessário. Bagagem pesada demais, doí as costas.

Uma das melhores sensações que existem é saber que alguém gosta de você…

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