Há ausências presentes por toda uma vida…

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Há certas ausências irreparáveis na vida de certas pessoas. Aquelas ausências marcadas por um verdadeiro esquecimento e abandono de quem devia ter feito, nem que fosse, uma pequena parte da gênese de um ser humano. Ausências nas quais o tempo marcou presença tão profunda, pungente e que não há mais nada significativo a ser feito a fim de modificar os rijos fatos, em que não há mudanças possíveis de tornarem a situação diferente do que ela sempre foi, é e sempre será – pois há noções do tempo que findam – uma considerável ausência de cuidados e sentimentos, que estabelecem um cruciante carimbo nas histórias de vida de muitas pessoas.



Embora religiosos e adeptos às crenças, às práticas e aos estudos espiritualistas acreditem, não afirmo com total segurança e certeza que, realmente, escolhemos nosso local de nascimento, data, condições e mesmo nossas famílias. Há muitas teorias e crenças que tratam sobre esse assunto e cada pessoa acredita no que melhor lhe convém e toca a mente e o coração.

Espiritualistas e espíritas, são exemplos, creem que antes de nascermos traçamos aquelas cruciais “coordenadas”. Porém, a dificuldade de entendermos isto diante dos obstáculos, cansaço emocional e físico do dia-a-dia não é algo simples para qualquer ser humano assimilar.


Independente das crenças sobrenaturais, sobrepujar uma dura realidade como esta, nesta dimensão, no mínimo, é um trabalho para as pessoas mais fortes que possam existir neste mundo. É preciso estudo, assimilação, humildade, amadurecimento íntimo e, provavelmente, mais uma série de aperfeiçoamentos para que essas noções nos sejam completamente compreendidas e absorvidas, auxiliando-nos na erradicação dos sentimentos de pesar ou de revolta.

No início, no percurso, ou no fim de nossos dias, entretanto, é preciso termos em mente que uma realidade marcada pela ausência jamais será algo simples de ser encarado por aquelas pessoas que não têm outra opção além desta, enfrentar.

Perdoamos a ausência, mas ela não deixará de existir, ela sempre fará parte de certas trajetórias humanas. Em alguns momentos, a preenchemos com amor próprio ou conjugal, com nossas realizações pessoais, com alegrias e vitórias, mas em outros momentos ela reaparece, às vezes, em dias lúgubres, mas, às vezes, ela surge também nos dias agradáveis.


Não acredito que a vida seja fácil para ninguém, seja para as pessoas mais abastadas nas finanças ou para as menos. Ricos (as), pobres ou classes médias, não importa o seu pertencimento na economia social, cada um enfrenta seus desafios, seus leões. Cada pessoa carrega a sua cruz. Não é simples. Não vivemos no se ou no passado, vivemos no agora. Resistência, devemos aceitar, no entanto, os ausentes passado, presente e, mesmo, futuro.

Há pessoas que sofrem em vida perdas irrecuperáveis de seus entes queridos, assim como há outras que mal conhecem ou conviveram com os seus, não tiveram oportunidade, porque a vida assim o quis e pronto, como se negasse um direito natural.

Diante de uma ausência particular, de uma ausência decorrida de uma escolha egoísta, são poucas as pessoas que podem compreender o que isso venha a significar no decorrer de uma trajetória humana. Apenas as pessoas que convivem com um vital abandono do tipo possuem maior entendimento sobre essa dificultosa realidade. Mais um vazio a ser preenchido na vida, mais um problema de ordem estrutural a ser excedido.

Vamos fechar os olhos para essa fundamental ausência no viver, aceitando-a ou apagando sua história, apagando quem somos? Ou seja, faz-se possível o esquecimento, e não esqueceríamos de nós mesmos? Será que o perdão basta para seguirmos uma vida, gradualmente, mais leve? O melhor a ser feito seria substituir a elementar ausência pelos nossos próprios triunfos conquistados, como se esse pesaroso fardo pudesse ser reduzido por todas as outras complicações que surgem e sempre surgirão na vida?

Não temos respostas, basta-nos encarar, viver e não esmorecer diante de tudo o que a vida e ou o universo nos impõe. Com toda certeza não podemos medir até que ponto pode chegar o egoísmo humano, mas, talvez, não exista egoísmo maior que inserir uma vida no mundo e, simplesmente, renunciá-la de cuidados e amor.

Mais um ano novo nos aproxima, novos momentos e um novo tempo surgem à frente para aprendermos o difícil, o quase não “aprendível”, para aceitarmos a vida em seus aspectos imutáveis. O que importa nisto tudo, porém, é amarmos essa vida que nos foi concedida e nos esforçarmos a cada dia para desenvolvermos esse amor, pois só assim saberemos o real valor e responsabilidade que é inserir uma outra vida neste mundo.

Aos caros leitores que, na correria diária, param suas tarefas por alguns minutos para lerem, com atenção, as minhas mensagens:

Agradeço a consideração. Espero que minha escrita provoque benefícios e que faça alguma diferença positiva em suas vidas. Desejo, ainda, um ano novo repleto de luz, determinação, equilíbrio, aceitação, compreensão dos vazios e ausências estruturais e imutáveis da vida, superação, perdão, pessoas que lhes queiram o bem, paz, paciência, saúde, prosperidade, valorização e busca do amor verdadeiro em seus mais imperiosos aprendizados!

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