Comportamento

“Há mulheres que não podem se dar o luxo de serem mães amorosas”, diz Halle Berry

Capa Ha mulheres que nao podem se dar ao luxo de serem maes amorosas diz Halle Berry
Comente!

Em entrevista para a divulgação de um novo projeto, a renomada atriz fala das dificuldades que mulheres enfrentam na maternidade.

A atriz Halle Berry fez sua estreia como diretora no filme da Netflix “Ferida” e em entrevista ao portal El Pais, ela explicou por que não há espaço para sentimentalismos em seu novo projeto.

A consagrada intérprete diz ter plena consciência de que, de todos os gêneros que poderiam marcar sua estreia como diretora — e seu retorno ao cinema depois de dois anos —, aquele que ela escolheu tem expectativas muito altas: as histórias de superação.

Berry fala que filmes como “O lutador”, “Menina de ouro”, “Rocky”, “A luta pela esperança”, entre tantos nessa pegada a fascinam, pois são histórias sobre marginalizados que conseguem superar todos os obstáculos.

“Ferida”, seu novo filme, no qual também atua, conta a dura história de uma boxeadora, interpretada por Berry, uma ex-campeã de MMA, chamada Jackie Justice que, como costuma acontecer em filmes desse tipo, depois de alcançar a glória esportiva, não teve sorte na vida: afundada no alcoolismo e presa em uma relação tóxica com seu ex-diretor, interpretado por Adan Canto, assim que ela começa a considerar sua volta aos ringues, para escapar da péssima situação financeira, depara-se com seu filho de 6 anos abandonado logo depois do nascimento.

2 Ha mulheres que nao podem se dar ao luxo de serem maes amorosas diz Halle Berry

Direitos autorais: Reprodução Instagram / @halleberrry

Embora o filme trate de uma história de superação, a atmosfera opressiva não acentua o aspecto épico dos combates ou deixa espaço para o sentimentalismo, pelo contrário, enfatiza a violência da arena esportiva e lida de forma muito crua com questões como dependência de drogas e violência de gênero.

Questionada sobre o porquê da escolha de uma abordagem tão dura, Berry respondeu que se já é difícil assistir a algo assim, imagine viver isso na pele. Ela encara seu filme como uma oportunidade de usar a arte para ajudar a educar, uma chance valiosa demais para ser desperdiçada. Como uma mulher negra que adora luta-livre, Halle acredita que sua personagem tem muito a dizer sobre o esporte e o mundo ao seu redor.

Berry diz que nada do que é retratado nesse filme é estranho para ela, embora acredite que não é necessariamente obrigatório estar familiarizado com o enredo para ter empatia com a história.

Ela reflete que todos já cometemos erros e já quisemos ser perdoados em algum momento da vida, por isso esses tipos de narrativas podem se relacionar com algo pessoal para o público e para quem produz o filme também.

Seu tom assertivo está em sintonia com o assunto e o tom do roteiro de Michelle Rosenbarb, que ela mesma adaptou para atender às suas necessidades de atuação. Originalmente, o filme seria sobre uma garota branca católica irlandesa, de 21 anos, mas logo foi adaptado para que Halle pudesse contar a história.

3 Ha mulheres que nao podem se dar ao luxo de serem maes amorosas diz Halle Berry

Direitos autorais: Reprodução Instagram / @halleberrry

Halle também alterou o bairro onde sua personagem vivia, para que a história retratasse as interações de uma mulher negra com um filho pequeno em um bairro majoritariamente habitado por pessoas pretas. Ela queria abordar as questões que surgem para famílias nestes cenários.

Sobre o aspecto da maternidade, também abordado na película, Halle fez observações sobre a idealização sobre as mulheres nesse momento. É tido como certo que elas, por serem mães, sempre serão amorosas e ternas, mas Halle pontuou que há um segmento da sociedade em que isso não ocorre. Pelas mais variadas razões, algumas mulheres não podem se dar o luxo de serem mães amorosas, Berry observou. Mas isso não significa que sejam menos mães, menos ligadas a seus filhos ou que não os amem, pontuou a atriz.

Berry, cuja vida amorosa sempre foi objeto de escrutínio dos tabloides e que tem um filho de 8 anos de idade de sua relação com o ator Olivier Martinez e uma filha de 13 anos de sua relação com Gabriel Aubry (a quem ela processou pela custódia), diz não se ver como a mãe que ela retrata na telona. Halle recorda que cresceu em um lar problemático, com um pai abusivo e em seguida criada por sua mãe solo. A atriz conta que escolheu romper com este ciclo de violência e se tornar um tipo diferente de mãe.

A experiência diferente mais recente que está tendo é a de dirigir um longa-metragem. Ficar atrás da câmera é um imenso desafio, mas ao mesmo tempo a fez compreender os diretores com quem trabalhou no início de sua carreira, o que ela comenta com senso de humor que, quando se é ator, o intérprete só pensa em si mesmo, em como está sua atuação. Mas agora, que está do outro lado, Berry percebe que, às vezes, quando um diretor tornou sua vida impossível ou lhe pediu para filmar nas circunstâncias mais estranhas, ele tinha uma razão muito boa para isso.

Comente!

Antes e depois: pai perde 76 kg durante pandemia para ter mais disposição para brincar com filho

Artigo Anterior

Infectado com ômicron na Dinamarca foi a show com 1,6 mil espectadores no fim de semana

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.