Comportamento

Heterossexual, casado e pai de três filhos: engenheiro declara seu amor por saias na web e faz sucesso!

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Além de engenheiro, Mark também trabalha como técnico de futebol americano, duas profissões carregadas de machismo e padrões de comportamento masculinizados.

Os itens de vestuário foram criados sem diferenciação de sexo ou gênero. Durante a Pré-História, homens e mulheres usavam peças feitas com a pele dos animais que caçavam para proteger o corpo do ataque de insetos, da umidade, do frio.

Assim como a saia foi criada para ser usada por homens e mulheres, o salto alto passou a ser amplamente utilizado na corte do rei Luís XIV (1643–1715), na França, e passava a ideia de luxo e poder. Quem não se lembra das imagens nos livros de história do rei abusando de perucas e maquiagem? O sapato era uma peça exclusiva do guarda-roupa masculino da corte, e foi apenas no reinado seguinte, de Luís XV, que passou a ser usado também por mulheres.

Muito tempo pode ter passado desde então, mas para Mark Bryan, engenheiro de robótica e técnico de futebol americano, de 63 anos, a moda deve ser encarada como expressão da personalidade humana e, por conseguinte, não deveria ter gênero.

O estadunidense nascido no Texas mora atualmente em Crailsheim, na Alemanha, com sua família: a esposa e três filhos. Seu casamento heterossexual já dura 13 anos.

O que surpreende a todos, definitivamente, é seu gosto por saia e salto alto, usados diariamente para trabalhar. Essa mudança começou em 2017, quando ele trocou os sapatos masculinos por saltos que combinassem com seus ternos de escritório. No início de 2020, criou uma conta no Instagram apenas para mostrar suas roupas e oito meses depois uma publicação de uma conta de mídia do Quênia, com várias fotos suas de saia, viralizou.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @markbryan911

Em apenas um mês, Bryan viu seu número de seguidores sair de 300 para 100 mi; atualmente soma 661 mil. De engenheiro robótico, ele passou a ser entrevistado por revistas de moda, além de ser fotografado e estilizado por marcas que nunca tinha imaginado. “Ainda não tenho uma compreensão completa da realidade de tudo isso, ainda estou meio incrédulo de que tudo isso tenha acontecido comigo”, diz ele.

Em uma entrevista à Harper’s Bazaar, da Austrália, ele reforçou que não é o primeiro homem da história a usar saia e salto alto, mas acredita que deva ser um dos poucos que se declara heterossexual. Se, para alguns, esses itens de vestuário são vistos como tipicamente femininos, para Bryan, eles se tornam masculinos quando os veste.

Como a experiência começou

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Há mais de quatro décadas, quando namorava uma estudante universitária da Texas Tech University, Bryan recebeu a proposta da companheira de usarem saltos juntos. Como ele e a jovem tinham a mesma altura e usavam o mesmo número de calçado, quis experimentá-los na época, mas não chegou a fazer deles um item indispensável.

Quando passou dos 50 anos, muito tempo depois daquele inocente e juvenil namoro da faculdade, Bryan se deparou com um par de salto agulha de uma cor de que gostava muito. Além da beleza dos sapatos, eles também combinavam com sua calça skinny, então tomou coragem para usar os saltos em um jantar. Assim que terminou a refeição, percebeu que não teria problema algum em fazer disso um hábito: “Comecei usando salto bloco para trabalhar e lentamente comecei a usar saltos agulha”.

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Depois de receber muitos insultos dos colegas de escritório e ouvir que um dia ele apareceria usando saias, Mark resolveu “atender aos pedidos”. Ele transformou uma calça social em saia e passou a ir atrás daquilo que mais o deixava confortável, e descobriu, por exemplo, que a forma como os vestidos se encaixavam em seus ombros não passava a imagem que pretendia. As saias precisavam ter uma aparência mais “masculina”, por isso testou novas peças para o seu vestuário.

Mark não quis expor o nome da esposa, que trabalha no setor imobiliário, mas ela e a filha Rachel, que é enfermeira, não se importam com a forma como se veste. Ele ressaltou que existem muitas pessoas da comunidade LGBQIA+ que sofrem violência e até morrem por sua orientação sexual e pela forma como escolhem se vestir, algo que seu privilégio nunca o fez passar.

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As reações aos homens que buscam uma forma sem gênero de se vestir podem ser desconcertantes, principalmente porque em muitas culturas usar kilts, sarongues e kaftans faz parte do vestuário comum. Antes da invenção da alfaiataria, no século XIV, europeus vestiam túnicas que não tinham a forma do terno e gravata aos quais estamos acostumados.

Na maioria de suas publicações, Bryan faz questão de escrever: “Roupas e sapatos não devem ditar a vida de uma pessoa, orientação sexual ou gênero”. Ele espera o momento em que as pessoas não vão mais associar o gênero a uma peça de roupa, e lembra que os homens já puderam usar saltos sem receber críticas por isso. “Quando chegamos ao ponto em que não anexamos uma referência de gênero a uma peça de roupa, é aí que as roupas se tornam sem gênero”, finalizou.

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