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HOJE EU SEI PORQUE EU CHORAVA TANTO QUANDO TE CONHECI…

As pessoas costumam chorar por dor, tristezas, saudades e até alegrias. Porém, elas costumam saber porque estão chorando, ou no mínimo, tem uma certa ideia do porque estão reproduzindo o tal choro.


Você encontra uma pessoa amiga que está chorando, e pergunta pra ela:
– Por que você está chorando? O que passa? Ela lhe responde: Não sei. Só choro… Vem esse choro, que é da alma. Mas não sei lhe explicar…. E você volta a questioná-la: Mas você sente angústia? Aflição? Algo ruim? E a pessoa lhe responde, balbuciando, aos prantos: Acho que Medo…. Não sei ao certo, mas acho que… MEDO.

Sim, senhores e senhoras, jovens leitores, esse era o sentimento que eu sentia – choro, todas as vezes. E foram muitas vezes assim, Carlos e eu nos primeiros meses do nosso reencontro, era assim que ele chamava “reencontro” quando nos conhecemos aqui em São Paulo, a quase sete anos atrás. Ele dizia que a nossa relação já vinha de outras vidas…

Ele me fitou com seus olhos fulminantes, deixando-me rendida aos seus encantos e envolvimentos. Obviamente que no início, achava tudo o que ele me dizia muito esquisito. Desde o nosso “reencontro” que vinha de outras vidas (que não acreditava) até que ele me amava após um mês que já estávamos juntos, quanta bobagem – pensava eu.


Contudo, foi uma avalanche de sentimentos que se movera dentro de mim. Ao mesmo tempo que eu queria estar com ele, também tinha muito medo dele, por isso chorava tanto. Seu olhar me causava um frio na barriga, era uma coisa meio inexplicável. Me hipnotizava! Me perturbava! Mas eu queria estar lá…. É, era o demônio mesmo querendo tirar minha paz. Principalmente porque eu já havia passado por duas grandes decepções amorosas. Na verdade, uma grande e uma outra mais perturbadora que havia sido bem mais recente (comparado àquele momento). Então, seria complicado passar por mais uma decepção novamente….

Pensava: vou ou não vou, vou ou não vou, eis a questão?! A dúvida que imperava em minha mente…. Fui! Não pude resisti-lo. Seu cheiro, aquele olhar e o envolvimento singular me encantou. Me entreguei – de corpo, mente e alma – não poderia ser diferente. Ele se tornou meu vício, tanto foi que por ele parei de fumar. Ele odeia cigarro, e me OBRIGOU a praticamente a parar, EXIGINDO A SEGUINTE CONDIÇÃO DE MIM: OU VOCÊ PARA DE FUMAR OU SERÁ MUITO DIFÍCIL DE NÓS FICARMOS JUNTOS – DISSE O DITADOR.


Bom, um dos motivos que meu primeiro casamento terminou foi por conta “do cigarro”. Meu ex-marido queria que eu parasse de fumar porque ele havia parado, mas eu continuei….
O vício Carlos pelo jeito aqui era maior do que a do cigarro, não é mesmo? Que perigo “my Lord”!

Carlos não é Brasileiro, estava somente de passagem pelo Brasil (claro, pra minha sorte, não é mesmo?). Depois de passar uma temporada por aqui, o Vicioso Carlos foi “embora” para Argentina, depois para Espanha e França. Isso totalizou em um ano que ele ficou sem poder pisar no Brasil (histórias à parte). Ao longo desse um ano, eu vivi praticamente O INFERNO de tanto que sofri. Me isolei de tudo e de todos a maior parte do tempo. Preferia ficar sozinha e ficar longe dele foi uma tortura pra mim, eu não via a hora de falar com ele ao Skype. Contava as horas e minutos pra ter aquele momento, somente com ele. Fui visitá-lo na Argentina, na Espanha e na França. Ficava somente alguns dias com ele, pra matar as saudades que me consumiam. Chorei muito ao longo desse ano, mas desta vez chorava de tantas saudades que sentia dele. Sabia exatamente o porque estava chorando e esse choro era completamente diferente daquele choro inicial que me causava mal estar e medo. Ainda não sabia o porque chorava tanto daquele jeito…

Após passado esse um ano, Carlos retornara finalmente ao Brasil. Fomos morar juntos. O primeiro ano ocorreu tudo Ok. A partir do segundo, começaram os desafios. Entretanto, há mais ou menos dois anos atrás os problemas efetivamente ficaram mais evidentes entre nós. Carlos foi demitido! O que fazer? Tínhamos um belo padrão de vida. Carlos era diretor em uma empresa que já trabalhara a anos e isso tanto mudou nossa vida financeira, principalmente a emocional dele. Desde então nossas vidas passaram da Terra pro Inferno total! (Não considero que vivêssemos ou que alguém possa viver aqui em Paraíso). Não sei o que é mais viver em paz, nos últimos dois anos.

Minha vida virou de pernas pro ar, em todos os setores da minha vida – financeira, familiar, amizades, lazer, espiritualidade, saúde, conjugal…. Pegou todos, acho que não houve exceção.
Vem sendo uma fase pra lá de tensa e de grandíssimo aprendizado. Algumas pessoas mais próximas de mim, até me perguntam em como consigo aguentar tanta coisa e, ainda ficar disposta. Respondo: Bom, acho que vivo numa eterna condição chamada ANESTESIADA. Sabe por quê? São tantos altos e baixos na minha vida, que já me acostumei, aliás está no meu mapa natal, toda esta tensão. Portanto, desde sempre a sinto e, já me acostumei em viver sob esta condição, acredito.

Hoje, vivo com um Carlos que pouco conheço. Minhas lágrimas iniciais já não mais caem. Acho que sei o porque que elas já não as caem mais? Porque as secaram. O MEDO se foi com elas, todavia, o encantamento pegou carona e foi junto. Eu durmo com o inimigo. Pode soar um pouco extremista, mas é assim que eu me sinto. Além do Carlos ter se tornado extremamente amargurado, está cheio de vingança no coração, pois é isso que vejo em suas atitudes quando se trata de Adriana. Aquela mesma, que ele chamara de parceira, que ele disse que “reencontrara” e amara há quase sete anos… Ah! Palavras ao vento… – Isso é o meu coração, cheio de mágoa, apertado dizendo.

Ele não demonstra um gesto de carinho, afeto ou ternura para comigo. Ainda espero de vez em quando ouvir dele “perdão”. Mas tenho a impressão que ele desconheça o uso desta palavra (pelo menos comigo, neste momento), ainda mais quando vem do coração. Ele me diz que toda a amargura, raiva e vingança (inconsciente mas que passa para o modo consciente) que ele tem contra mim, é por conta do que eu já fiz pra ele (as críticas), o quanto eu já o feri – o EGO dele (o orgulho).

Imagine, estamos falando de um Ego leonino, que jamais deve ser ferido, pois o Ego e o orgulho “andam juntos”. E se houver ORGULHO FERIDO = EGO SANGRANDO, isto é, preservar o EGO será levado muito mais em conta que o valor do exercício do perdão, da benevolência e do mais importante de todos, do AMOR. Quando Leão está na Via negativa de Essência, o Orgulho se alimenta do ódio, da vingança… Tornando-se assim um ciclo vicioso, sem parada, onde não há espaço nem vez para o AMOR ou para a Generosidade, que também é uma característica leonina na via positiva.

Eis que aí vem o grande desafio! O que realmente mais vale a pena: Ter A razão ou Tentar Ser Feliz? Eis a questão?

A resposta não está nem comigo, muito menos com você leitor, e acredito que não esteja nem com o Carlos também. Está com o Senhor dos Senhores, Mr. EGO LEÃO.

Eis que a bola és toda sua, Mr. EGÃO.
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