Reflexão

“Hoje um bebê de apenas alguns dias ou semanas de vida é capaz de separar um casal” — Içami Tiba

Foto: Youtube
Hoje um bebê de apenas alguns dias ou semanas de vida é capaz de separar um casal Içami Tiba

Içami deixou palavras de sabedoria sobre a maneira como os pais estão criando os filhos. Confira!

Desde que nos tornamos mães ou pais somos bombardeados com orientações sobre como criar os nossos filhos, desde as mais simples, como as roupas que devem vestir, até as mais complexas, como as orientações profissionais, de ideologia e religião que lhes devemos transmitir.

Ao longo do caminho, cada um de nós decide aquilo que acredita ser mais adequado para ensinar aos seus pequenos, mas a realidade é que educar uma criança do zero é realmente difícil. Precisamos elevar nossa paciência a níveis nunca vistos, abrir mão de tempo e coisas pessoais e nos comprometer a ser a nossa melhor versão todos os dias para dar um bom exemplo aos pequenos que dependem de nós.

Na tentativa de seguir o caminho certo e oferecer criação de boa qualidade aos filhos, no entanto, podemos cometer alguns erros fatais, não apenas com os filhos, mas com nós mesmos e até os nossos parceiros.
O psiquiatra e escritor Içami Tiba, que sempre debateu as dinâmicas familiares e abriu os olhos de muita gente sobre isso, também refletiu sobre a necessidade premente de educar os filhos desde cedo para manter todos os relacionamentos familiares saudáveis.

Em uma participação no projeto “Sempre um papo”, Içami deixou algumas reflexões muito interessantes para todo pai e mãe que deseja dar aos filhos uma educação de boa qualidade. De maneira bastante sincera, Içami solta a seguinte frase: “Hoje um bebê que tem apenas alguns dias ou semanas de vida é capaz de separar um casal”.

Muitas pessoas, ouvindo essa declaração, podem ficar incrédulas ou revoltadas, acreditando que o psiquiatra atribui às crianças a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de uma relação romântica, mas durante toda a conversa, ele explica que isso na verdade está relacionado à educação que os pais oferecem aos filhos.

Tiba diz que é comum as mulheres serem invadidas por uma “onda de amor” quando têm seus filhos, por conta do hormônio ocitocina. Esse sentimento, acompanhado pelo instinto de proteção, em diversos momentos faz com que as mulheres queiram dedicar todo o seu tempo aos filhos.

No entanto, com os homens não costuma acontecer a mesma coisa. Quando os filhos nascem, muitos deles comemoram mais com os amigos ou familiares do que com suas companheiras.

Essa discrepância dos papéis assumidos pelos pais e pelas mães, as quais estão sempre cuidando dos bebês enquanto seus companheiros apenas observam, pode prejudicar o casal, levando-os a seguir caminhos diferentes.

“A esposa concentra-se totalmente no bebê, que não dorme, e isso, consequentemente, impede o marido de dormir, pois a criança chora. O marido pode conhecer outra pessoa romanticamente e concluir que amor é o que ele sente com esta, e não o que ele sente com sua esposa.”

Para que as mães deixem de assumir todas as responsabilidades sozinhas, tornando os filhos extremamente dependentes delas e desconectados de seus pais, Içami sugere uma mudança de hábitos. “O colo da educação também tem que ser composto pelo pai. A educação da criança se pauta no clima de entrega dos pais e não no clima de sobrevivência destes. As crianças hoje têm proteção, mas não estão aprendendo. Em um colo sem abraço, a criança pode fazer o que quiser. A educação começa o mais imediatamente possível. Se toda vez que um bebê abrir a boca receber logo uma mamadeira ou um seio, ele irá crescer com a ansiedade de sempre querer comer um chocolate, um salgadinho ou algo do gênero. Berço é uma organização familiar que educa a criança desde o começo, fazendo com que ela aprenda a noção de valores progressivamente, de acordo com a idade que vai adquirindo.”

O compromisso conjunto de criar os filhos, estabelecendo responsabilidades para ambos os parceiros, mas também ensinando limites aos pequenos, é fundamental para a família se estabelecer de maneira saudável, sem condenar a felicidade de ninguém pelo caminho.

Assista à entrevista na íntegra abaixo:

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