Pessoas inspiradoras

Homem abandona luxo e carreira em Hollywood para ajudar a salvar milhares de crianças no Camboja

Scott Neeson teve uma importante carreira em Hollywood, supervisionando o lançamento de filmes importantes, como Coração Valente, Titanic, Star Wars e X-Men.



Algumas pessoas se sentem tocadas com outras realidades, ressaltando a importância de se socializar com outras culturas, saindo da bolha das suas vivências e se aventurando nas experiências do outro.

Essa é uma das melhores formas de compreender o comportamento, as escolhas e até a forma como vivem as pessoas distantes da nossa realidade. Dispor-se a conhecer o outro é uma das melhores maneiras de erradicar a intolerância, além de nos fazer valorizar o ser humano e as suas histórias.

Scott Neeson nem chegou a concluir o ensino médio, portanto não se formou nalguma instituição de ensino superior, mas isso não o impediu de ter uma carreira de sucesso em um dos lugares mais importantes e conhecidos do mundo. Logo depois de abandonar a escola, ele conseguiu um emprego como projecionista em cinemas drive-in, na Austrália, incentivado pelo próprio governo.


Com o passar dos anos, subiu na empresa de produção de filmes, tornando-se assistente de escritório e marketing. Mas sua alçada não parou por aí, ele se tornou diretor administrativo do braço de distribuição da Hoyts, em 1987. Apenas seis anos depois, ele foi trabalhar em Los Angeles, no berço da indústria cinematográfica, a famosa Hollywood.

Foram 26 anos nesse setor. Atuou como presidente da 20th Century Fox International, gerenciando receitas superiores a R$ 7,5 bilhões, e supervisionando o lançamento e o marketing de vários filmes, como Coração Valente, Titanic, Star Wars e X-Men. Segundo sua biografia, ele explica que, conforme ia conquistando mais coisas, menos feliz se tornava, e começou a pensar que havia algo de errado consigo mesmo.

Direitos autorais: reprodução/Cambodian Children’s Fund.

Foram 10 anos na Fox, supervisionando alguns dos filmes que mais tiveram bilheteria na década de 1990. O emprego lhe trouxe dinheiro, status, luxo e poder, trabalhando em um dos empregos mais cobiçados da época, tendo contato com atores e atrizes de grande sucesso, mesmo assim, Scott sentia que algo lhe faltava.


Tudo mudou em sua vida quando decidiu passar férias no Sudeste da Ásia, onde viveu os momentos mais impactantes da sua vida, acreditando estar “de frente para o abismo”, como ele mesmo afirmou.

Ele conheceu outra realidade quando visitou o aterro de Phnom Penh, precisando caminhar sobre pilhas de lixo, em meio a uma névoa de gases tóxicos e resíduos em chamas, vendo milhares de adultos e crianças vasculhando aquele local em busca de algo que lhes pudesse render dinheiro.

Direitos autorais: reprodução/Cambodian Children’s Fund.

Quando eles ganhavam R$ 5 por dia, significava que tinham tido sorte, já que, muitas vezes, nem sequer isso chegavam a receber. Muitas das crianças que estavam ali eram órfãs ou haviam sido abandonadas pelos próprios pais, que não tinham condições de levá-las consigo, e isso fez com que Scott se sentisse abalado.


Logo no primeiro dia, o magnata conheceu alguém que mudaria a forma como enxerga a vida, uma criança que ele não conseguia dizer, à primeira vista, se era menino ou menina, já que todos ali andavam completamente cobertos. Algum tempo depois, Scott descobriu que se tratava da pequena Sreyoun, de 9 anos, que trabalhava ali com sua família; sua irmã mais nova estava gravemente doente.

Direitos autorais: reprodução/Cambodian Children’s Fund.

Direitos autorais: reprodução/Cambodian Children’s Fund.

Direitos autorais: reprodução/Cambodian Children’s Fund.


O homem decidiu intervir imediatamente para ajudar aquelas pessoas, matriculando-as na escola, pagando o tratamento médico da irmã caçula de Sreyoun, arrumando uma casa e garantindo que, mesmo voltando para Los Angeles, nada faltaria a elas, pois lhes mandaria dinheiro mensalmente para pagar todas as suas despesas.

Quando as férias acabaram, Scott voltou para a grande Hollywood, onde começaria uma nova fase em sua vida, pois havia aceitado um cargo na Sony Pictures, o futuro prometia ser ainda mais luxuoso.

Mas percebeu que já não conseguia mais pensar naquele mundo de riquezas e que sua cabeça só ficava reparando, cada dia mais, no contraste entre os dois mundos. Naquele ano, todos os meses ele passava cerca de uma semana no Camboja, organizando tudo para criar uma instituição de caridade no lixão.

Em 2004, já não havia mais como esconder, Scott não aguentava mais aquela realidade estadunidense, e decidiu se mudar definitivamente para o país que tanto desejava ajudar. Ele conheceu o conselheiro local, Kram Sok Channoeurn e, juntos, iniciaram uma escola para 45 crianças carentes.


Scott reconhecia que, para as crianças frequentarem a escola, era preciso resolver problemas básicos, como alimentação, acesso à água potável e saúde e, logo que isso foi estabelecido, as salas de aula passaram a ficar cheias.

Scott Neeson montou o Cambodian’s Children Fund, buscando derrubar todas as barreiras que impedem a educação das crianças e adolescentes, além de capacitar a comunidade, fazendo todos participarem da mudança. Há 15 anos, ele se mudou definitivamente para Phnom Penh, trabalhando no centro da organização e também na comunidade.

Ele já ajudou, com a organização, mais de 3 mil crianças a saírem da pobreza, além de ajudar pontualmente as famílias sempre que precisam. Quanto à pequena Sreyoun, em 2009, ela se formou em Economia e Finanças, tornando-se a primeira da família a ter ensino superior. Para ele, a mudança vem através da união da comunidade, apenas assim é possível garantir um futuro melhor para as crianças.


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