Pessoas inspiradoras

Homem ajuda catadores com deficiência física e que não têm dinheiro a comprar carroça!

Pesquisadores do projeto Carroças do Futuro, da ONG Pimp My Carroça, querem distribuir carroças e triciclos elétricos para os catadores que mais precisam.



O trabalho de reciclagem dos catadores envolve muito esforço físico e trabalho árduo, enfrentando rigor do tempo e sem poder descansar.

Por mais que eles ajudem o meio ambiente com suas coletas, a remuneração é baixa, mostrando que a sociedade e o mercado ainda desvalorizam a função. É preciso ainda analisar que a função envolve que os trabalhadores tenham saúde e vigor físico, já que eles chegam a carregar mais de 300 quilos em suas carroças.

Segundo reportagem do G1, muitas vezes, pessoas com deficiência física enfrentam ainda mais problemas, já que encontram dificuldades em empurrar as carroças.


O jovem de 23 anos, Wellington Pereira de Andrade, tem paralisia cerebral e não consegue mexer o lado esquerdo do corpo, e encontra sérios problemas em recolher o material reciclável na Grande São Paulo, mesmo usando uma bicicleta adaptada.

Sua mãe Elismaura Pereira dos Santos, de 46 anos, explica que chegou a dar a ele uma carroça, mas foi ainda mais complicado, já que o filho caiu muitas vezes enquanto a puxava. São cerca de 12 horas de trabalho árduo, catando papelão, jornais e alumínio, voltando para casa apenas a tempo de ver a novela.

Pensando na questão da acessibilidade, alguns pesquisadores do projeto Carroças do Futuro, da ONG Pimp My Carroça, desenvolveram carroças e triciclos elétricos, e vão fornecer a quem precisa, com a ajuda de empresas.

Além das pessoas com deficiência, existem também os catadores mais velhos e outros que têm doenças, que não podem parar de trabalhar, e precisam de ajuda. As carroças elétricas são motorizadas e podem chegar a 5 km/h, diminuindo o esforço que eles precisam ter empurrando até mais de 300 quilos de material por dia. Wellington conta que já transportou mais de 200 quilos de recicláveis e que ganha em média R$ 30 pelas 12 horas que trabalha.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@mundano_sp.

A ideia de ajudar os catadores partiu do artista Thiago Mundano e a gestora do projeto, Adriane Andrade dos Santos, foi quem ajudou a viabilizar. Além dos dois, uma grande equipe de voluntários, estudantes, engenheiros, financiadores, parceiros e técnicos ajudaram a colocar a carroça elétrica nas ruas, conforme publicação nas redes sociais do fundador da ONG.

Os técnicos, junto com os trabalhadores, chegaram à conclusão de que a carroça elétrica seria o meio mais adequado para as grandes cidades, enquanto o triciclo elétrico, que leva a carroça acoplada na traseira, seria mais interessante em cidades litorâneas ou que tivessem o terreno mais plano.  Tudo isso são formas de tentar tornar mais humano um trabalho tão essencial. Além da carroça elétrica, a equipe ainda ajuda a melhorar as carroças tradicionais dos catadores que não têm condições de arrumá-las.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@mundano_sp.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@mundano_sp.

Embora a ONG se manifeste dizendo que a tração humana não é –  nem deveria ser –, a melhor forma de carregar as centenas de quilos de materiais recicláveis também compreende que essa é a forma que existe atualmente, e precisam reconhecer isso para conseguir melhorar as condições de trabalho para a classe.

Como se não bastasse todo o trabalho que vem prestando à sociedade de maneira indireta, a ONG ainda se manifesta de maneira enfática em suas redes, exigindo que as condições de trabalho dos catadores sejam melhoradas o quanto antes.

Pede que os catadores sejam reconhecidos como agentes fundamentais da coleta seletiva das cidades, que possam circular livremente pelas ruas, sem nenhuma repreensão, políticas públicas de desenvolvimento humano e social para que eles se tornem protagonistas dos próprios negócios, contratação e remuneração justa, além de priorizar ações que diminuam as injustiças sociais diante do pagamento inadequado dos serviços.


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