Comportamento

Homem trans, que adotou crianças, sofre ataques nas redes: “Desejaram a morte dos meus filhos”

Casado com Biff Chaplow há oito anos, Trystan Reese e sua família receberam inúmeros comentários preconceituosos depois de uma entrevista em que falavam da sua paternidade.



A pandemia afetou famílias no mundo inteiro. Algumas sentiram a ausência, outras o excesso de presença, algumas viram parentes irem embora, enquanto outras sentem o peso da crise sanitária através da fome, da falta de moradia ou da precariedade da aplicação de leis.

São tantas histórias, muita força e resiliência de quem apenas deseja que esse momento acabe de uma vez por todas. Assim como a maioria dos pais, Trystan Reese e Biff Chaplow sentiram o peso do excesso de funções que só quem tem filho sabe como é.

Em reportagem para a People, Biff, de 36 anos, reforça a dificuldade que a família tem encontrado, dizendo que definitivamente todos se sentiram afetados com o isolamento social, medida imprescindível para frear o contágio do vírus, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Casados desde 2013, os dois são figuras atuantes na comunidade LGBTQI+, já que são homossexuais e Trystan é um homem trans.


Desde 2011, eles cuidam dos sobrinhos Hailey e Lucas, que hoje têm 13 e 11 anos, quando souberam que os assistentes sociais iam remover as crianças para um abrigo. Em busca de oficializar a adoção, o casal trava uma dura batalha judicial, mas mantém os cuidados dos sobrinhos.

Em 2017, Trystan engravidou e deu à luz Leo, filho biológico do casal, assim que interrompeu sua terapia de testosterona para conseguir gerar. Atualmente, a família compartilha seus momentos nas redes sociais e preenche os dias com acampamentos de teatro e aulas de skate, seguidas de música e histórias. Os pais se orgulham em dizer que fazem parte de uma comunidade inclusiva e bem solidária, onde muitos pais iguais a eles podem ser vistos como referência de inclusão.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@biffandi.

Mas Trystan e Biff enfrentaram o preconceito de comunidades muito distantes, mas ao mesmo tempo extremamente presentes no contexto atual, quando compartilharam um pouco de sua história, há alguns meses, para a revista People. A primeira reação de Reese, quando se deparou com os comentários ofensivos, foi ligar para o pai e pedir que ele não os lesse, afirmando que não queria que ele soubesse o que queriam fazer com ele.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@biffandi.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@biffandi.

Desde então, Trystan enfrenta uma brutal transfobia on-line, de sujeitos que ele nunca viu pessoalmente, mas que julgam que ele não está certo em ter filhos ou em ser trans. O peso dos comentários passou a mostrar que eles precisam continuar a viver suas vidas, já que querem que outros pais LGBTQI+ saibam que não estão sozinhos.

Algumas pessoas consideram Trystan e Biff “pervertidos”, enquanto outras chegaram a desejar suas mortes e a de seus filhos, mostrando a intolerância por parte daqueles que se escondem atrás de computadores e smartphones, espalhando comentários ofensivos e agressivos.


Reese explica que a visibilidade de sua história pode ter aumentado o perigo que correm, principalmente porque, nos Estados Unidos, 33 estados estão colocando em prática a “legislação antitrans”, em que o estado retira as crianças de suas famílias a partir de um laudo médico.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@biffandi.

Para Reese, esse tipo de ataque acontece sempre que as minorias têm algum tipo de avanço ou êxito em alguma conquista. Mesmo assim, eles acreditam que a representação trans na mídia e em espaços públicos está maior do que nunca, e eles esperam ajudar a construir e aumentar a empatia da população contando um pouco de suas histórias.


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